Arquitetura

As praças públicas e a acessibilidade

ARTIGO ORIGINAL

CARDOSO, Tainah Chinaide [1], MARTINS, Luiz Fillipe Ribeiro [2]

CARDOSO, Tainah Chinaide. MARTINS, Luiz Fillipe Ribeiro. As praças públicas e a acessibilidade. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 12, Vol. 01, pp. 118-152. Dezembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/pracas-publicas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/pracas-publicas

RESUMO

O presente trabalho foi realizado em duas praças públicas na cidade do Rio de Janeiro, localizadas uma no bairro do Leblon (Zona Sul) Praça Antero de Quental e a outra na Vila Valqueire (Zona Oeste) Praça Saiqui, com o objetivo de analisar a acessibilidade para pessoas com deficiência (PcD). Foram observadas as principais dificuldades que as pessoas com deficiência (PcD) encontram ao tentar acessar e usufruir das praças públicas. Apesar de existir alguns caminhos e equipamentos acessíveis na Praça Antero de Quental, ainda assim, ela não é totalmente acessível. Já a Praça Saiqui, não oferece estruturas acessíveis, contrariando completamente as normas de acessibilidade. O estudo combinou uma pesquisa de campo com pessoas que frequentam as praças e revisão de artigos acadêmicos para fundamentar a análise. Os dados coletados mostram a necessidade de maior atenção do poder público na adequação desses espaços, não apenas para cumprir as leis, mas para criar ambientes verdadeiramente inclusivos e interativos para PcD.

Palavras-chave: Acessibilidade, PcD, Praças públicas.

1. INTRODUÇÃO

As praças públicas têm desempenhado um papel fundamental nas cidades desde a Grécia Antiga, onde as Ágoras serviam como locais de encontro, comércio e debate segundo Strickland (2003). Com o passar do tempo, à medida que as cidades cresceram, essas praças evoluíram para espaços multifuncionais, atendendo às necessidades de lazer, cultura e socialização da população, como aponta Marx (1980). Contudo, apesar dessa evolução, o acesso a esses espaços ainda enfrenta desafios, especialmente para pessoas com deficiência.

A infraestrutura inadequada e a falta de implementação das políticas públicas de acessibilidade dificultam o pleno uso das praças, especialmente por aqueles que possuem deficiências. Pacheco (2017) observa que o crescimento desordenado das cidades e a falta de planejamento urbano adequado contribuem para a exclusão social, dificultando a criação de espaços inclusivos e acessíveis. Além disso a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), ainda enfrenta desafios para a sua execução na prática, como a falta de adaptação das praças com rampas, pisos táteis e brinquedos inclusivos.

Apesar dos avanços legais, a resistência cultural e social à inclusão de pessoas com deficiência persiste, o que dificulta a efetiva aplicação das normas de acessibilidade. Gomes (2007) aponta que é necessário um esforço conjunto para mudar a mentalidade da sociedade e garantir que as praças públicas atendam a todos os cidadãos de maneira mais igualitária possível. Dessa forma, para que as praças cumpram seu papel de inclusão social, é indispensável que sejam adaptadas para garantir a participação plena de todos, independentemente de suas limitações físicas e/ou mentais.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Strickland (2003), as praças públicas, que na Grécia Antiga eram chamadas de Ágoras, eram espaços fundamentais para a vida urbana, permitindo que fossem, portanto, um símbolo de acesso, liberdade de expressão e participação cívica, ou seja, as pessoas podiam disfrutar de uma vida social ativa.

Com o tempo, à medida que as cidades se expandiram e evoluíram, o papel das praças foi se adaptando às necessidades da sociedade. Marx (1980), destaca que a função das praças variava de acordo com a sociedade que a utiliza.

Já Pacheco (2017) aponta que, as cidades estão enfrentando algumas dificuldades em relação ao planejamento urbano, pois o crescimento populacional desordenado e a falta de infraestrutura adequada geram desafios para criar espaços públicos que atendam às necessidades de todos os cidadãos. Ele diz que o uso da tecnologia não apenas possibilita um melhor projeto urbano, mas também contribui para a inclusão social, melhorando o acesso às informações e garantindo que todos os cidadãos, incluindo as PcD, tenham acesso a espaços públicos com segurança e autonomia. Em algumas praças, como mostrado na figura 01, é possível observar que a parceria entre o setor público e privado pode ser uma solução eficaz para garantir a acessibilidade sem comprometer o bem-estar da população.

Figura 01: Espaço acessível para práticas esportivas que mostra uma parceria entre o setor público e privado na Praça Antero de Quental

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

A legislação brasileira, apesar de ser avançada, ainda enfrenta esses desafios em sua implementação prática, especialmente quando se trata de adaptar espaços públicos, como as praças, para garantir que todos, independentemente de suas condições físicas, tenham o direito de utilizá-los de maneira plena e segura. Além disso, há uma resistência cultural e social em relação à inclusão de pessoas com deficiência, o que reflete a necessidade de uma mudança de mentalidade na sociedade como diz Gomes (2007).

3. ASPECTOS DE SAÚDE E LAZER

A acessibilidade em praças públicas é essencial para garantir que todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência (PcD), possam usufruir dos benefícios desses espaços. Além de promover a inclusão social e a autonomia, ambientes acessíveis beneficiam diretamente a saúde física e mental das PcD, proporcionando oportunidades de lazer, socialização e bem-estar. A presença de áreas acessíveis em espaços públicos permite que indivíduos com diferentes necessidades participem ativamente da vida urbana, reduzindo o isolamento social e fortalecendo seu senso de pertencimento à comunidade.

A implementação de infraestruturas adequadas tais como rampas, pisos táteis, calçadas acessíveis, sinalização em braile, bancos adaptados, corrimões e brinquedos acessíveis, são fundamentais para garantir a funcionalidade das praças que garantam um ambiente acolhedor a todos. Segundo Rosa e Gil (2017) um planejamento bem elaborado torna esses locais mais seguros e convidativos para todos, favorecendo a interação entre PcD e demais cidadãos. Além disso, Gomes (2007) destaca que a acessibilidade em espaços públicos melhora significativamente a qualidade de vida, possibilitando a participação plena em eventos culturais e recreativos, o que contribui para uma sociedade mais integrada e igualitária.

A prática de atividades ao ar livre também tem um papel essencial na saúde da PcD. Pacheco (2017) ressalta que a disponibilidade de áreas de lazer acessíveis incentiva a prática de exercícios físicos, que auxiliam na mobilidade, na redução do estresse e na melhoria da saúde cardiovascular. Esses espaços representam uma alternativa acessível a academias e centros privados, que nem sempre estão preparados para atender pessoas com deficiência. Dessa forma, investir na acessibilidade de praças públicas significa ampliar as oportunidades de lazer e promover hábitos mais saudáveis para essa parcela da população. Da mesma forma, Lerner (2011) enfatiza que parques e praças devem ser projetados como espaços de convivência para todas as pessoas, estimulando a cidadania e a cooperação social.

O planejamento de praças deve considerar tanto a funcionalidade quanto a estabilidade, assegurando que todos os cidadãos, incluindo idosos e PcD, possam se deslocar com conforto e segurança. Ozyavuz (2012) destaca que a escolha de materiais e o design dos espaços têm impacto direto na mobilidade e na experiência dos usuários.

Investir em praças acessíveis não apenas promove a inclusão social, mas também melhora a qualidade de vida e o bem-estar das PcD. Para garantir que esses espaços cumpram sua função, é essencial que o poder público busque meios de garantir a implementação das políticas de acessibilidade eficazes e fiscalize o cumprimento das normas. Sendo assim será possível assegurar que todos os cidadãos desfrutem igualmente dos benefícios do lazer, do contato com a natureza e da interação social, fortalecendo uma sociedade mais justa, acessível e igualitária.

4. ASPECTOS FINANCEIROS

Algumas pessoas com deficiência (PcD) podem passar por necessidades financeiras devido às necessidades de adaptações no cotidiano, como transporte especializado, tecnologias assistivas, equipamentos específicos e personalizados. A falta de infraestrutura acessível nos espaços públicos amplia essas dificuldades, forçando esse grupo a recorrer a serviços privados, muitas vezes com um custo maior, para realizar atividades básicas, como, por exemplo, lazer e deslocamento. Investir na acessibilidade das praças públicas pode minimizar esse impacto.

Ozyavuz (2013), Silva, Souza e Sousa (2017), Rosa e Gil (2017) e Pacheco (2017) destacam que a acessibilidade em espaços públicos é essencial para reduzir as desigualdades econômicas e sociais. Assim como nos aspectos da saúde e lazer a uma parceria entre o setor público e privado poderia financiar e implementar projetos acessíveis nas praças públicas, garantindo que todas as pessoas, independentemente de suas limitações físicas, possam usufruir dos mesmos direitos e oportunidades. Praças acessíveis representam um meio eficaz de oferecer lazer, interação e até qualidade de vida sem aumentar os custos de vida dessas pessoas, garantindo seus direitos básicos.

5. ASPECTOS LEGAIS

Tanto […] A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) […] quanto no […] Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, que regula a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência […] garantem a acessibilidade e a inclusão delas em espaços públicos, assegurando seu direito ao lazer, cultura e participação social em igualdade de condições, ou seja, ao projetar espaços públicos como praças, o poder público deve prover soluções que eliminem ou minimizem as dificuldades à acessibilidade, reforçando que as autoridades locais devem promover a participação ativa da pessoa com deficiência em

Em relação aos mobiliários urbanos e à infraestrutura das praças, a ABNT NBR 9050 (2020) já no parágrafo 3 do escopo estabelece que as normas de acessibilidade visam proporcionar uma utilização autônoma, segura e independente dos espaços públicos por todas as pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade, e eles devem ser projetados para que essas pessoas possam acessá-los e utilizá-los livremente.

Apesar dos decretos e normas de acessibilidade acima citadas, muitas praças públicas ainda carecem de infraestrutura adequada, algumas simples como uma calçada bem pavimentada e contínua, nas figuras 02 e 03 são mostradas duas imagens da Praça Saiqui onde não há acessibilidade. A falta de infraestrutura básica para acessibilidade compromete a mobilidade e a participação social das PcD, violando seus direitos e prejudicando sua qualidade de vida.

Figura 02: Pedras onde deveria ser a continuação da calçada na Praça Saiqui

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Figura 03: Calçadas quebradas e de difícil mobilidade na Praça Saiqui

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

6. ASPECTOS ESTRUTURAIS

Almeida, Giacomini e Bortoluzzi (2013) afirmam que a falta de planejamento urbano adequado e de infraestrutura suficiente torna a locomoção insegura e desconfortável, especialmente para pessoas com deficiência. Como ilustrado nas Figuras 04, 05, 06 e 07 a mobilidade está diretamente vinculada à locomoção das pessoas em um espaço urbano.

Figura 04: Rampas de acesso no meio do canteiro ao lado da Praça Saiqui

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Figura 05: Calçada irregular na Praça Saiqui

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Figura 06: Acesso irregular entre áreas na Praça Saiqui

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Figura 07: Acesso Norte à praça Antero de Quental mostra a falta de piso tátil, corrimão, e inclinação inadequada

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Sendo assim, observou-se que os obstáculos mais comuns nas praças públicas incluem por exemplo: A ausência de calçadas, o seu estado de deterioração, dimensões inadequadas, o incorreto posicionamento do mobiliário urbano, a falta de piso tátil e de corrimões de apoio, a ausência ou inclinação incorreta de rampas.

Esses são apenas alguns dos problemas estruturais que tornam o espaço urbano não apenas inacessível, mas também inseguro, especialmente para aqueles com mobilidade reduzida. A falta de infraestrutura acessível pode resultar em dificuldades diárias para as pessoas com deficiência, comprometendo sua qualidade de vida e limitando sua participação plena na sociedade.

Essa necessidade de locais mais acessíveis é reforçada inclusive pela NBR9050 (2015) e pelo Estatuto da pessoa com deficiência (2015) que foi criada para regulamentar os espaços criados para pessoas com necessidades especiais, ela destaca a importância da aplicação da mesma em todos os detalhes de um projeto urbano ou residencial, é de suma importância que esses locais sejam pensados para atender a necessidade de todos, garantindo que ninguém seja excluído ou tenha dificuldades de acessar esses locais por conta dos obstáculos físicos ou arquitetônicos.

Lerner (2011) destaca a importância das intervenções rápidas e eficientes para melhorar a qualidade de vida nas cidades, especialmente no que se refere à acessibilidade. Segundo ele, transformações urbanas podem ocorrer por meio de melhorias simples, como a criação de espaços acessíveis e soluções rápidas para problemas estruturais, tais como melhorias nas calçadas. No contexto das praças públicas, uma releitura bem planejada de como inserir essas infraestruturas nos espaços existentes podem torná-los mais inclusivos e funcionais para todos. Por isso, é fundamental que a acessibilidade seja tratada como uma prioridade contínua em todas as fases de planejamento e execução de obras públicas, garantindo que os espaços urbanos atendam às necessidades de toda a população.

7. METODOLOGIA

Procedeu-se na cidade do Rio de Janeiro em novembro de 2019, um estudo comparativo em duas praças, uma possui alguns aspectos de acessibilidade, e a outra que mal disponibiliza os acessos, foi utilizada a ferramenta de formulário do Google para realização de pesquisas, um link foi gerado e enviado via plataformas Whatsapp e Facebook para que usuários pudessem responder, pesquisas em campo também foram elaboradas para pessoas com e sem deficiência, foram entrevistadas um total de 78 pessoas, sendo treze delas com deficiência e 24 sem deficiência, e 21 pessoas na praça Antero de Quental e vinte pessoas na praça Saiqui. As questões intitulavam-se sobre a opinião delas em relação às praças públicas para pessoas com deficiência, e sobre as praças que são material deste estudo.

Resultados da pesquisa com PcD.

A pesquisa feita com pessoas com deficiência foi respondida por treze pessoas e tiveram as seguintes perguntas e respostas conforme o Gráfico 01:

Gráfico 01: Respostas via formulário online sobre brinquedos para PcD em praças

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Caso houvesse uma resposta” sim” a pessoa seria encaminhada para outra questão que perguntava qual e onde era essa praça. Porém não houve nenhuma resposta “sim” nessa questão. Em sequência os entrevistados eram questionados sobre a necessidade de mais praças com brinquedos acessíveis (Gráfico 02).

Gráfico 02: Respostas via formulário online sobre a necessidade de mais praças com brinquedos acessíveis a pessoas com deficiência física, com treze respostas de “sim”

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Em sequência questionou-se: como se resume a sua vida atual quando você quer sair pra ir em uma pracinha? Para estas questões mais descritivas retirou-se algumas respostas que exemplificam o cotidiano das pessoas com alguma dificuldade ou deficiência:

  • Marta, mãe de Maria, oito anos: “Eu a levo ao shopping, pois na pracinha, ela não consegue brincar por questões de adaptação.”
  • Flávia, 26 anos “Normalmente tenho dificuldade de locomoção e por causa dos desníveis nas calçadas apresenta um obstáculo nessa ocasião
  • Denis, doze anos “Preciso de ajuda para me locomover e usar os brinquedos, pois não são acessíveis

A pergunta seguinte visava ter uma ideia de como as pessoas com necessidades especiais (PcD) teriam suas vidas impactadas se uma praça acessível fosse implantada perto de suas casas. Assim a pergunta seguinte foi: e como a implantação de uma praça pública com brinquedos e mobiliários para PcD mudaria sua vida? Da mesma forma foram selecionadas algumas das respostas para exemplificar.

  • Marta, mãe de Maria, oito anos: “Eu acho que ela conseguiria socializar melhor e também teria a oportunidade de entender e saber como é um balanço, uma gangorra.
  • Flávia, 26 anos “Com essa implantação poderei aproveitar melhor o lugar e levar meu filho se no futuro tiver
  • Denis, doze anos “Sim, pq com brinquedos adaptados eu me sentiria mais seguro
  • Com o intuito de melhor poder entender as necessidades dessas pessoas questionamo-las: na sua opinião, o que é essencial para uma praça para pessoas com deficiência física?
  • Marta, mãe de Maria oito anos “Primeiramente o acesso facilitado pensando na dificuldade de locomoção que algumas PcD possuem. E a criação de novos aparelhos acessíveis, permitindo também atividades de lazer.
  • Flávia, 26 anos, “Criação em um local público como por exemplo em um shopping. Se houver a criação de uma pracinha para PcD aqui no bairro, provavelmente os brinquedos não servirão para outras crianças brincarem, então minha filha ficaria isolada brincando. Já a criação num shopping, poderia haver uma socialização com outras crianças na mesma realidade sem exclusão.
  • Denis, doze anos, “Brinquedos e diversos.
  • Por fim, para o questionário voltado às pessoas com alguma deficiência pedimos para que elas deixassem uma sugestão para nós.
  • Marta, mãe de Maria, oito anos “Acessos através de rampas, pavimentação sem muitos desníveis ou obstáculos. E uma sugestão de aparelho é um balanço para cadeiras de rodas. Assisti a uma reportagem que mostrava um protótipo em um centro de atendimento da PcD, e foi lindo ver como uma coisa simples pode trazer tanta alegria para aquelas pessoas.
  • Flávia, 26 anos: “Eu gostaria muito de ter um lugar que seja seguro. E de várias atividades, brinquedos, para passear e aproveitar o dia de folga. Que espero que possa ter na zona oeste também.

Resultados da pesquisa feita com pessoas sem deficiências

Foram entrevistadas 24 pessoas sem deficiência e tiveram as seguintes perguntas e respostas:

Gráfico 03: Respostas via formulário online para pessoas sem deficiência se elas conheciam alguma praça com equipamentos acessíveis, onde de 24 entrevistados só dois disseram sim

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Conforme demonstrado no gráfico 03, de 24 pessoas entrevistadas apenas duas afirmaram conhecer alguma praça com brinquedos acessíveis a PcD. Para esses que responderam que sim a questão anterior foi indagada: “qual e onde fica essa praça?” Como resposta teve-se a “Praça Edmundo Bittencourt, Bairro Peixoto, Copacabana.”.

Na Figura 08 podemos observar uma parte da Praça Edmundo Bittencourt que não é corretamente adequada a todas as normas de acessibilidade previstas pela NBR 9050. Além disso não foram encontrados brinquedos acessíveis para crianças com deficiências.

Figura 08: Vista de uma das esquinas da Praça Edmundo Bittencourt mostra que a praça não é acessível

Fonte: Acervo online do Google Maps. Acessado em 08/03/2025.

Dando continuidade à pesquisa das pessoas sem deficiência perguntou-se se elas conhecem alguém que possua alguma deficiência física e como apresentado pelo gráfico 04, oito pessoas das 24 entrevistadas disseram que conhecem algum PcD. O que nos leva a proporção de que a cada três pessoas uma tem algum conhecido com necessidades especiais devido a deficiência física.

Gráfico 04: Respostas via formulário online, onde oito de 24 pessoas afirmam conhecer alguma pessoa com deficiência física

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Relacionando a questão de pessoas sem deficiência conhecerem PcDs as perguntamos se elas já tentaram alguma vez sair com esses conhecidos PcD, no gráfico 05 mostra-se que só cinco pessoas tiveram esse tipo de experiência e passaram a entender um pouco do que é a vida e cotidiano dessas pessoas conforme eles descrevem esses acontecimentos na pergunta que vinha em sequência no questionário.

Gráfico 05: Respostas via formulário online, só cinco pessoas chegaram a tentar sair com algum conhecido PcD entre os vinte e quatro entrevistados

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Seguem os relatos dos entrevistados:

  • Foi bastante complicado pq era cadeirante
  • Bem difícil a locomoção
  • Eu sentei na cadeira junto com ele para brincarmos. Mas ele não conseguia se locomover para lugar nenhum sozinho.
  • Só sai de carro, não enxerga, mas devido a doença que tem, e por falta de movimentos dificuldade de se movimentar, talvez por sedentarismo, é que fica tremendo muito quando anda aí perde a força.
  • É complicado, calçadas irregulares falta de rampas as estações de trem não têm suporte para deficientes principalmente a de Marechal Hermes

Para as pessoas que não são PcD ainda foi feito o questionamento de se elas sabiam da existência de brinquedos especiais voltados aos PcDs. A maioria das pessoas entrevistadas desconhecia a existência desses brinquedos como mostra o gráfico 06.

Gráfico 06: Respostas via formulário online, de 24 entrevistados só dez sabiam da existência de brinquedos para PcD

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Com base na pergunta anterior foi feita mais uma pergunta, mas agora indagando se os entrevistados acham que deveriam haver mais praças com brinquedos e áreas de lazer voltados às pessoas com deficiências.

Gráfico 07: Respostas via formulário online, todos os entrevistados concordam que deveria haver mais praças com brinquedos para PcD

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Por fim perguntou-se aos entrevistados o que: na sua opinião, o que é essencial para uma praça para pessoa com deficiência física? Selecionando algumas das respostas para exemplificar os resultados da pesquisa:

  • Brinquedos adaptados a eles
  • Lugares e brinquedos que permitam que pessoas com deficiência participem de qualquer atividade que uma pessoa sem participar e que seja junto.
  • Acessibilidade para os cadeirantes, como rampas, equipamentos (aparelhos ou brinquedos) com estruturas onde a cadeira caiba com segurança (barra de apoio) e
  • também identificações (alfabeto em braile) para os deficientes visuais.
  • Tudo que traga inclusão.
  • Rampas de acesso e segurança
  • Acessibilidade para ele poder transitar e aparelhos adaptados.
  • Acho que todos devem ter direito à cidadania, à saúde, a serviços que hoje há muita burocracia, e as pessoas não podem bancar coisas essenciais como fisioterapia etc.”
  • Equipamentos com brinquedos adequados e com facilidades de poder se movimentar com facilidade e segurança, ter pessoas responsáveis para auxiliar na praça.
  • Além dos brinquedos, rampas com corrimão
  • Brinquedos adaptados, pois, os que temos em praças não são adaptados para essas pessoas com dificuldades.

Resultados da pesquisa sobre a praça Antero de Quental no Leblon – com 21 pessoas:

Para a pesquisa feita na praça Antero de Quental, foram entrevistadas 21 pessoas e tiveram as seguintes perguntas e respostas:

Gráfico 08: Respostas via formulário online, três pessoas não consideram a praça segura, contra dezoito que a consideram segura

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Conforme demonstra o gráfico 8, de 21 pessoas entrevistadas dezoito acham a praça segura.

Gráfico 09: Respostas via formulário online, todos os vinte e um entrevistados concordam que é um local acessível

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Como o tema da pesquisa é a acessibilidade, pessoas entrevistadas foram questionadas se elas acham a praça acessível, como mostra o gráfico 09, todas elas disseram que sim, mas quando perguntadas como a praça poderia melhorar, obtivemos as seguintes respostas:

  • Má conservação, a feira faz a praça ficar uma zona
  • Bancos chumbados para não quebrarem ou levarem os bancos. Mal cuidada.
  • Mais segurança noturna
  • É muito deserto, fica à mercê, piso tátil, e mais acesso
  • Iluminação, principalmente nos brinquedos
  • Tem que cercar para melhorar a segurança
  • Melhor conservação

Como pode ser observado, apesar dessa praça está bem conservada, os usuários ainda assim não acham que está boa o suficiente para os padrões da classe ali presente

Gráfico 10: Respostas via formulário online, dos entrevistados dezesseis não sabiam da existência de brinquedos para PcDs

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Através do gráfico 10 percebe-se melhor qual o nível de conhecimento das pessoas sobre o mobiliário para PcDs com ênfase nas necessidades das crianças, e apenas cinco delas sabiam que existe esse tipo de equipamento, onde três deles são estudantes de arquitetura e um professor de educação física, as demais pessoas não faziam ideia.

Gráfico 11: Respostas via formulário online, entre todos os entrevistados nenhum conhece praças com equipamentos próprios para crianças PcDs

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Tentando encontrar locais com equipamentos para PcDs, os entrevistados foram perguntados se eles sabiam de outros lugares com esse tipo de mobiliário, e como mostra o gráfico 11, todas as respostas foram negativas. Portanto, chegou-se à conclusão de que não há conhecimento do público geral de locais onde PcDs possam ter esse tipo de acesso livre e gratuito, e sendo assim fez se mais uma pergunta aos entrevistados: se elas acham que deveriam ter mais praças públicas voltadas para PcDs, conforme mostra o gráfico 12, e todas as respostas foram sim.

Gráfico 12: Resposta via formulário online, 100% das pessoas responderam que deveriam existir mais praças para PcDs

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Na sua opinião, o que é essencial em uma praça acessível?

  • Não ter muitos obstáculos, caminhos com barra de proteção
  • Sem grades
  • Cobertura com brinquedos, com área de acesso infantil para todo tipo de criança
  • Brinquedos, local seguro, barras, mais sinalização
  • Banheiro, acessibilidade, segurança.
  • Rampas de acesso

Observou-se que a praça está mais segura graças ao corpo policial do Leblon presente, uma iniciativa do governo em parceria com a polícia militar do Rio de Janeiro que mantém a ordem, e notou-se a presença e circulação de pessoas idosas cadeirantes com seus acompanhantes.

Resultado da pesquisa feita na praça Saiqui em Vila Valquire – com vinte pessoas:

Para a pesquisa feita na praça Saiqui, foram entrevistadas vinte pessoas e tiveram as seguintes perguntas e respostas:

Gráfico 13: Respostas via formulário online, três entrevistados não acham a praça segura

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Conforme demonstra o gráfico 13, de vinte pessoas entrevistadas, dezessete acham a praça segura.

Questionou-se as pessoas o motivo de não se sentirem seguras e todas as respostas foram a necessidade de mais policiamento e uma melhor iluminação noturna, e que há muitos assaltos na região, ou seja, apesar de ter um posto de policiamento, outras medidas precisam ser adotadas para que o local fique mais seguro.

Gráfico 14: Respostas via formulário online, somente duas pessoas consideram a praça acessível

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Como o tema da pesquisa é a acessibilidade, às pessoas entrevistadas foram questionadas se elas acham a praça acessível, como mostra o gráfico 14, todas elas disseram que sim, mas quando perguntadas como a praça poderia melhorar, obtivemos as seguintes respostas:

  • Menos desvios, mais lixeiras, mais rampas
  • Segurança, acesso
  • Nivelamento, preservação
  • A praça precisa de uma reforma, muita coisa quebrada.
  • Pode ser feita uma restauração para melhorar o acesso.”

Como pode ser observado, a praça além de estar mal conservada, os usuários sentem a necessidade de elementos básicos, tais como lixeiras, acessos, segurança, coisas simples que tornariam o local mais atrativo.

Gráfico 15: Respostas via formulário online, quatro pessoas entrevistadas sabiam que existem brinquedos para PcD

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Através do gráfico 15 percebe-se melhor qual o nível de conhecimento das pessoas sobre o mobiliário para PcDs com ênfase nas necessidades das crianças, e apenas quatro delas sabiam que existe esse tipo de equipamento.

Gráfico 16: Respostas via formulário online, nenhum entrevistado afirmou conhecer uma praça com brinquedos para PcD

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

O gráfico 16 mostra que nenhuma das pessoas entrevistadas conhece um local que tenha brinquedos para PcD e o gráfico 17 mostra que todas elas acham que deveria sim existir esse tipo de equipamento.

Gráfico 17: Respostas via formulário online, todas as pessoas acham que deveriam existir mais praças para PcD

Fonte: Elaborada pelos autores em 2019.

Para finalizar perguntou-se, o que é essencial em uma praça acessível, na sua opinião? E obtivemos as seguintes respostas:

  • Acessibilidade e segurança.”
  • Piso tátil, rampas, brinquedos.
  • As mesmas atividades para pessoas sem deficiência.
  • Mais brinquedos, calçadas adaptadas, niveladas, mais iluminação.
  • Segurança, acessibilidade, um grupo de pessoas com deficiência que se juntam para praticar esportes.
  • Acessibilidade, brinquedos adaptados, banheiros, lixeiras
  • Que as pessoas consigam transitar por ela sem obstáculos
  • Uma praça onde as pessoas possam circular sem dificuldade

Através da observação, análise e comparação entre as duas praças em estudo, verificou-se um paralelo com as diretrizes de algumas normativas de acessibilidade existentes e a realidade das praças que deveriam ser um local de inclusão e lazer acessível a todos, entretanto na Praça Antero de Quental, localizada na Zona Sul da cidade, nota-se que essas normas se aplicam de forma mais assertiva, por outro lado na Vila Valqueire, localizada na  Zona Norte, onde há uma população com acesso limitado de lazer público, pode-se observar uma falta de atenção do poder público e da população, mas em ambas a população desconhece que existem brinquedos e equipamentos de praças públicas para PcD, o que nos mostra como a sociedade carece de mais informações sobre esse assunto e quão crítico ele é, e em todos os questionários as pessoas acham que deveria ter ou existir sim esse tipo de equipamento.

Com isso, acredita-se que em primeiro lugar há uma necessidade de conscientizar a população em relação à acessibilidade, o que é a acessibilidade, o que são os equipamentos, placas, pisos táteis, qual o motivo das barras de segurança em praças públicas, como utilizar e qual o cuidado devem ter com os brinquedos e equipamentos, quais os benefícios que eles trazem para a população. Quando os cidadãos tiverem mais informados sobre esse assunto acredita-se que haverá uma colaboração maior por parte deles, assim pontualmente, o poder público deverá fazer melhorias nas praças assegurando que a acessibilidade seja incorporada de forma plena.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da observação, análise e comparação entre as duas praças em estudo, verificou-se que na Zona Sul da cidade, houve um melhor planejamento na estrutura da praça em relação a Zona Oeste, onde a praça se encontra muito danificada, no entanto foi a Zona Oeste que se notou maior utilização da praça, mesmo assim ambas necessitam de uma atenção maior quando se trata da acessibilidade.

Foi identificado também que grande parte da população desconhece as dificuldades enfrentadas pelas PcD, o que dificulta e desacelera o processo de ambientes acessíveis. Com isso, surge uma importante reflexão: se já existem programas e equipamentos voltados para a terceira idade em muitas praças públicas do Rio de Janeiro, por que ainda não há a mesma atenção voltada para a instalação de equipamentos e brinquedos acessíveis para pessoas com deficiência? Se os espaços públicos são um direito de todos, por que ainda não há projetos que integrem adequadamente pessoas com deficiência nas praças públicas? E por que esse assunto ainda não é discutido tão abertamente?

Para que a transformação das cidades e dos espaços públicos seja eficaz, é necessário mais do que apenas um entendimento teórico da acessibilidade. A verdadeira mudança ocorrerá quando todos os cidadãos conhecerem e reconhecerem que, independentemente das condições de mobilidade, todos devem ter os mesmos direitos ao uso dos espaços públicos. A construção de uma praça acessível vai além de uma teoria inclusiva; trata-se de garantir que todos, sem exceção, possam participar plenamente da vida urbana, contribuindo para um ambiente mais íntegro e justo. Isso exige não só o cumprimento de leis e normas, mas também uma mudança cultural, onde a inclusão e a acessibilidade sejam vistas como prioridades fundamentais no planejamento urbano.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, E. P.; GIACOMINI, L. B.; BORTOLUZZI, M. G. Mobilidade e acessibilidade urbana. Seminário Nacional de Construções Sustentáveis, Rio Grande do Sul, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2015. Disponível em: http://acessibilidade.unb.br/images/PDF/NORMA_NBR-9050.pdf. Acesso em: 7 mar. 2025.

BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Senado Federal, Brasil. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/norma/579385/publicacao/15748546. Acesso em: 7 mar. 2025.

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Superior Tecnológico em Designer de Interiores (UVA), Técnica em Designer de Interiores (Senac). ORCID: 0009-0008-8887-1260. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5982222011984791.

[2] Bacharel em Arquitetura e Urbanismo (UNISUAM) e Licenciatura em Letras – Português/Literatura (Estácio). ORCID: 0009-0000-3057-3369.

Contribuição dos autores:

Tainah Chinaide Cardoso: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho, assim como a interpretação e redação.

Luiz Fillipe Ribeiro Martins: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho, assim como a interpretação e redação.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há financiamento.

Nota:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial LanguageTool, Grammarly, Clarice.ai, Gemini, e extensões do Word, além do site sinônimos.com (versões não identificadas nas plataformas) para realizar uma escrita mais assertiva com correção da ortografia, erros gramaticais, encontrar palavras que me auxiliassem e não tornassem o artigo redundante e repetitivo. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 24 de janeiro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 26 de maio de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 14 de novembro de 2025.

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Tainah Chinaide Cardoso

Superior Tecnológico em Designer de Interiores (UVA), Técnica em Designer de Interiores (Senac). ORCID: 0009-0008-8887-1260. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5982222011984791.

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