ARTIGO ORIGINAL
CARVALHO, Ig Uractan Freitas [1], CONCEIÇÃO, Maria Hosana [2]
CARVALHO, Ig Uractan Freitas. CONCEIÇÃO, Maria Hosana. Convergência de mídia e inovações em televisões públicas e universitárias. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 09, Vol. 02, pp. 154-172. Setembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/convergencia-de-midia, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/comunicacao/convergencia-de-midia
A convergência de mídia caracteriza-se pela integração de diferentes formatos midiáticos promovendo interatividade, produção colaborativa e o uso de múltiplas telas. Nesse contexto, emissoras de televisão buscam inovações em processos, produtos e tecnologias para manter sua relevância e o diálogo com a sociedade, destacando-se o papel das televisões públicas e universitárias. O objetivo deste estudo é investigar o estado da arte sobre a convergência de mídia e as inovações no cenário televisivo. Para isso, foi realizada uma busca por palavras-chave nas bases de dados da Web of Science no Portal Periódicos – CAPES, utilizando os termos: inovation, television e media convergence. A análise dos resultados revelou temas como mudanças em modelos de negócios, participação de audiência, regulação e processos de convergência midiática. A abordagem metodológica baseada em revisão da literatura exploratória permitiu identificar lacunas, principalmente nos estudos relacionados ao público e regulação, e apontar direções para novas pesquisas na área.
Palavras-chave: Inovação, Televisão, Convergência de mídia.
A inovação é um conceito debatido principalmente no campo da economia e administração, geralmente atribuindo a Schumpeter sua difusão inicial. O economista classifica as inovações que são novas ou inéditas no mundo como radicais ou disruptivas, e as que aprimoram algo já existente como incrementais (Campos et al. 2023). Mais recentemente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) definiu inovação como:
“a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas” (OCDE, 2005, pág. 55).
Nesse sentido, ao relacionar inovação à televisão nos remetemos aos novos aparelhos, formas de assistir conteúdos pelo celular e outras plataformas físicas ou digitais. Entretanto, os impactos dos novos “produtos”, “serviços” e “práticas de negócios” na televisão afetam outros aspectos da sociedade cada vez mais conectada e midiatizada (Rossetti, 2013).
O desenvolvimento de novas tecnologias provocou mudanças significativas no cenário televisivo, a criação do videoteipe em 1961, por exemplo, permitiu novas perspectivas de programação e novas formas de disponibilização de conteúdos (Jambeiro, 2001). Adicionalmente, a tecnologia de sinal via satélite, favoreceu a criação de emissoras com uma programação de viés nacional em 1969 onde as emissoras se organizaram em rede com poucas estações produzindo conteúdo e distribuindo para diversas emissoras afiliadas não-produtoras (Jambeiro, 2001).
Posteriormente, a tecnologia de televisão digital (2007) propiciou multiplicação de telas chegando à palma da mão do espectador através dos smartphones. Assim, a ” digitalização da mídia molda a base da polimediação” (Zhonghua e Ali, 2021, pág 49, tradução nossa). O avanço da internet impacta na forma como os conteúdos televisivos chegam para o público (não-linear ou sob demanda, por exemplo) e maior interação entre o público e os veículos de mídia. O VOD, sigla em inglês para Video on Demand (Vídeo sob demanda), exemplifica a convergência ao unir filmes, televisão e internet em uma única plataforma, permitindo o consumo de conteúdo audiovisual de forma contínua e interativa, oferecendo novas formas de distribuição e monetização (Pradsmadji et al. 2020).
Jenkins (2015, p. 30) define a convergência como a circulação de conteúdos através de diversas plataformas de mídia, além da colaboração entre diferentes mercados midiáticos e a movimentação dos públicos entre os meios de comunicação. O autor norte-americano também sustenta, na obra “CONVERGENCE CULTURE: WHERE OLD AND NEW MEDIA COLLIDE” (traduzido para “Cultura da Convergência”), a “coexistência entre as mídias” (Jenkins, 2015, p. 33, tradução nossa). Na prática as emissoras passaram a ter presença em redes sociais, plataformas de streaming ou criando aplicativos permitindo o consumo dos seus conteúdos por smarphones e outras telas.
Outra pesquisadora norte-americana, Amanda D. Lotz, no livro “The Television Will Be Revolutionized” (sem tradução em português), desmembra a evolução da televisão em três fases: a Era das Redes, a Transição Multicanal e a Era Pós-rede. Nesse sentido, a autora apresenta a evolução das tecnologias de visualização, abrangendo desde as amplamente presentes tecnologias de DVD até recursos mais contemporâneos, como vídeo sob demanda (VOD), gravadores de vídeo digital, programação de televisão em DVDs e visualização móvel em telefones celulares. “Além disso, outras novas tecnologias expandiram o uso da televisão portátil e móvel e removeram a televisão de seus confins domésticos” (Lotz, 2014, p. 16 apud Oliveira 2022).
A inovação tecnológica remolda os mercados de comunicação, que por consequência inovam suas narrativas e estéticas para se adaptarem a novas linguagens possíveis a partir da perspectiva das novas telas (López-Cepeda et al. 2019). Para entender melhor este cenário de mudança e inovação, esse estudo será dedicado a buscar um panorama a partir da seguinte questão de pesquisa: quais os principais tópicos que aparecem relacionados à inovação televisiva considerando os novos paradigmas de comunicação conhecido como convergência de mídias?
Com o objetivo de levantar informações sobre o assunto, foi feita uma busca em duas grandes bases de dados, em um período delimitado pelos últimos 6 anos, a partir das palavras-chave: “Television“, “Innovation” e “Media Convergence” (com a variação “digital convergence“). A partir de estudos bibliográficos anteriores, foi possível selecionar, dentre os resultados apresentados, artigos que trouxeram diversas abordagens ao relacionarem os três termos usados na busca. Assim, foi possível levantar os pontos que emergem quando se relaciona televisão, inovação e convergência de mídia.
Este artigo utiliza como método a pesquisa exploratória, com revisão de literatura dos estudos relacionados à inovação em televisão com foco em convergência de mídia. A partir da “formulação da pergunta de revisão; definição de fontes e método de busca; definição e aplicação de critérios de seleção de estudos” (Araujo Alonso, 2011, p. 1), foram pesquisados, como palavras-chave na bases de dados Web of Science e Portal Periódicos CAPES, os termos: inovation, television e media convergence com a proposta de localizar e quantificar trabalhos publicados que se relacionem com essa temática. A busca foi realizada em agosto de 2024.
Dentro das bases de dados, foram organizadas as palavras-chave com operadores booleanos a fim de encontrar uma amostragem global dos estudos que interessam para esse artigo. Inicialmente foi utilizada a palavra “innovation” com o operador booleano AND para combinar com as palavras “Television” ou (OR) “media convergence” (Quadro 1) na base Web of Science, além disso, nos filtros de busca foram colocados: publicação em formato de artigo; período de 2024 a 2018, para ter uma amostra dos estudos mais recentes sobre o assunto; campo topic (busca do conteúdo no título, resumo e palavras-chave). O resultado (Quadro 1, Busca 1) foi de 5.356 publicações. Um número expressivo, porém, com áreas de conhecimento divergentes da área de interesse: televisão e comunicação.
Quadro 1 – palavras-chave, operadores booleanos e resultado de buscas em base de dados
| BUSCA | BASE | palavras chave e operador booleano | PERÍODO | TIPO DE DOCUMENTO | campo de pesquisa | total de resultados |
| 1 | WEB OF SCIENCE | ”television” AND ”innovation” OR ”media convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 5.356 |
| 2 | WEB OF SCIENCE | ”television” AND ”media convergence” OR ”innovation” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 157.251 |
| 3 | WEB OF SCIENCE | ”MEDIA CONVERGENCE” AND ”television” OR ”innovation” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 169.826 |
| 4 | WEB OF SCIENCE | ”MEDIA CONVERGENCE” AND ”innovation” OR ”television” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 16.783 |
| 5 | WEB OF SCIENCE | ”INNOVATION” AND ”media convergence” OR ”television” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 16.783 |
| 6 | WEB OF SCIENCE | ”INNOVATION” AND ”television” OR ”media convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 5.988 |
| 7 | WEB OF SCIENCE | ”television” AND ”media convergence” AND ”innovation” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 7 |
| 8 | WEB OF SCIENCE | ”television” AND ”innovation” AND ”media convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 7 |
| 9 | WEB OF SCIENCE | ”innovation” AND ”television” AND ”media convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 7 |
| 10 | WEB OF SCIENCE | ”innovation” AND ”media convergence” AND ”television” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 7 |
| 11 | WEB OF SCIENCE | ”television” AND ”innovation” AND ”digital convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | topic (titulo, resumo, palavras-chave) | 3 |
| 12 | PORTAL CAPES | ”television” AND ”media convergence” AND ”innovation” | 2024 a 2018 | ARTIGO | qualquer campo | 16 |
| 13 | PORTAL CAPES | ”television” AND ”innovation” AND ”digital convergence” | 2024 a 2018 | ARTIGO | qualquer campo | 8 |
Fonte: Web of Science e o Portal de Periódicos CAPES. Elaborado por autores, 2024.
Uma segunda combinação foi feita invertendo a ordem das palavras-chave “innovation” e “media convergence”. O resultado foi de mais de 150 mil publicações, mesmo filtrando os resultados pelo mesmo período e usando o campo de pesquisa topic (Quadro 1, Busca 2). Outras tentativas de combinar as palavras-chave com booleanos geraram resultados de grande volume de publicações e com assuntos ainda diversos demais para o interesse deste estudo (Quadro 1, Buscas 3 a 6).
Por fim, as palavras chaves foram buscadas usando o operador booleano “AND” de modo que as três palavras, juntas, fossem encontradas no campo de pesquisa topic (título, resumo e palavras-chave) ao mesmo tempo. Além disso, foram mantidos apenas os “artigos” como tipo de documento e mesma amostragem de tempo (2018 – 2024). O resultado foi de 7 publicações de diferentes países e abordagens (Quadro 1, Busca 7). As variações de ordem dos termos não alteraram o valor dos resultados (Quadro 1, Buscas 8 a 10). Uma quantidade de publicações que se mostrou viável para análise.
Adicionalmente, e com o intuito de encontrar uma maior diversidade de estudos, o termo “media convergence” foi substituído por “digital convergence” e mantido os demais padrões de pesquisa (Quadro 1). Assim, foram encontrados 3 resultados (Quadro 1, Busca 11) na plataforma Web of Science.
A partir dos resultados das buscas realizadas no portal Web Of Sicence, o total de artigos obtidos, acessados e compilados, foram de 10 publicações. Sendo 7 artigos do resultado da Busca 7 (Quadro 1) e 3 artigos do resultado da Busca 11 (Quadro 1). Desse total de 10 publicações, dois textos apareceram nos dois resultados, portanto 8 artigos foram previamente selecionados para análise.
Ainda para complementar os resultados, o Portal Periódicos CAPES também foi utilizado como fonte de pesquisa para as palavras-chave “television“, “innovation” e “media convergence” (com a variação “digital convergence“). As amostras também obedeceram aos filtros de pesquisa: período de 2018 a 2024 para abranger os estudos mais recentes; formato de artigo e “qualquer campo”; operadores booleanos “AND“; adicionalmente, foram inseridos os filtros de assunto “Comunicação” e “Ciências Sociais Aplicadas”, pois era uma ferramenta adicional da plataforma CAPES que permitiu segmentar os resultados pelas principais áreas do conhecimento relacionadas a esta pesquisa.
Na primeira busca no portal CAPES (Quadro 1, Busca 12) foram encontradas 16 publicações, ao trocar a palavra-chave “media convergence” por “digital convergence“, mantendo os mesmos parâmetros de busca (Quadro 1, Busca 13), o total foi de 8 artigos. Entretanto, do somatório de 24 estudos encontrados no portal CAPES, apenas 18 tiveram acesso aberto, e, subtraindo os textos que apareceram nas duas buscas, chegou-se a um total de 13 estudos inéditos para análise.
O interesse dessa pesquisa é de ter um panorama sobre os assuntos que envolvem a junção dos conceitos de Inovação e Televisão no contexto de convergência de mídias. Sendo assim, os dois portais não só mostraram um comportamento semelhante no uso de operadores booleanos e uso de palavras-chave, trazendo mais segurança para a filtragem da pesquisa, como também trouxeram mais diversidade para os resultados.
As publicações válidas para análise, obtidas pelo portal Web Of Science (8 publicações) e pelo portal Periódicos CAPES (13 publicações) resultaram em uma compilação de 21 textos. Do total, 2 estudos apareceram nas duas buscas finais de cada base, 8 não se relacionavam suficientemente com o tema deste artigo (a partir da leitura de seus títulos, resumos e palavras chaves, percebeu-se que abordavam temas de áreas fora dos estudos de comunicação e de mídia, foco dessa pesquisa), além disso 1 artigo foi publicado em russo (sem tradução oficial para inglês ou espanhol), não permitindo uma tradução segura. Assim, chegou-se ao total de 10 artigos para serem lidos.
A partir desta amostragem, o objetivo deste trabalho é realizar uma “análise crítica de estudos; extração e síntese dos resultados; e conclusões e inferências” (Araujo Alonso, 2011, p. 1, tradução nossa) auxiliado pela criação de categorias baseadas no referencial teórico da pesquisa. Este artigo, portanto, caracteriza-se por ser uma pesquisa exploratória com revisão de literatura permitindo estudar o tema sob diversos ângulos diferentes (Prodanov, 2013). É esperado que os resultados e análises possam trazer, em linhas gerais, um panorama das inovações em televisão no contexto de convergência de mídias e sugerir novos focos de pesquisa.
Um primeiro olhar para os dados obtidos é o do local de publicação. Malásia, Equador, Indonésia (2 publicações), Espanha, Brasil, Londres, China (duas publicações) e Estados Unidos (Quadro 2). É importante destacar que o texto publicado em Londres se trata de uma percepção do mercado de televisão e audiovisual da África. A amostragem, portanto, traz novos dados e informações de todos os continentes.
Quadro 2. Estudos obtidos para leitura e análise
| No. | TÍTULO | Autor(es) | PAÍS DO PERIÓDICO | ANO |
| 1 | DISRUPTIVE INNOVATION: BEYOND MEDIA CONVERGENCE IN CONTENT PRODUCTION | Yin Zhonghua; Mohd. Noor Shahizan Ali | Malásia | 2021 |
| 2 | ADAPTACIÓN Y MEDICIÓN DEL ÍNDICE DE CONVERGENCIA EN LOS MEDIOS DE COMUNICACIÓN UNIVERSITARIOS | Juan Pablo Trámpuz Reyes | Equador | 2020 |
| 3 | MEDIA CONVERGENCE IN THE PLATFORM OF VIDEO-ON-DEMAND: OPPORTUNITIES, CHALLENGES, AND AUDIENCE BEHAVIOUR | Shadia Imanuella Pradsmadji; Irwansyah | Indonésia | 2020 |
| 4 | TVRI YOGYAKARTA IN THE ERA OF DISRUPTION: MAINTAINING THE EXISTENCE OF CULTURAL WISDOM THROUGH THE BROADCAST OF “CANTHING” | Shinta Nurrohmah; Akhmad Rifa’i | Indonésia | 2023 |
| 5 | AUDIENCIAS PARTICIPATIVAS EN EL SERVICIO AUDIOVISUAL PÚBLICO EUROPEO: PRODUCCIÓN DE CONTENIDOS Y DERECHOS DE AUTOR | Ana-María López-Cepeda et al. | Espanha | 2019 |
| 6 | UM PANORAMA CRÍTICO E REFLEXIVO SOBRE PESQUISAS NO CAMPO DA FICÇÃO TELEVISIVA NO BRASIL | Simone Maria Rocha | Brasil | 2019 |
| 7 | ENTERTAINING AFRICANS: CREATIVE INNOVATION IN THE (INTERNET) TELEVISION SPACE | Lindiwe Dovey | Londres | 2018 |
| 8 | MEDIA CONVERGENCE: PATH ANALYSIS OF BROADCAST AND TELEVISION MEDIA COMMUNICATION IN CHINA | Haixia Wu | China | 2022 |
| 9 | THE EFFECT OF INNOVATION ON THE MARKET STRUCTURE OF THE MEDIA INDUSTRY | Tom Vizcarrondo | Estados Unidos | 2022 |
| 10 | TRIPLE PLAY, OTT TV, AND THE CHINESE LOGIC OF “SELECT COMMERCIALIZATION” | Jing Wang e Song Sun | China | 2021 |
Fonte (Web of Science e Portal CAPES). Elaborado por autores, 2024.
A heterogeneidade dos países se reflete nas abordagens dos estudos. A partir das palavras chaves e dos estudos bibliográficos que norteiam essa pesquisa, foi possível sugerir quatro eixos temáticos: Inovação em distribuição de conteúdo audiovisuais, Audiência participativa e TV Pública, Regulação e Convergência midiática. Na Tabela 3, foi feita uma disposição das palavras-chave nos quatro eixos temáticos sugeridos e associar os autores que repercutiram esses temas em seus estudos e os países de origem dos periódicos.
Quadro 3 – Eixos temáticos gerais e relação com os estudos analisados
| Eixo temático | Palavras-chave relacionadas | Autores | Países |
| Inovação em distribuição de conteúdo audiovisuais. | Broadcast and television media, broadcast sector, ecosystem economy, Mobile Television, OTT TV, smart TV manufacturer, telecoms sector, Television (2), traditional media, Triple Play, Video on Demand (VOD), Ficção televisiva, Film, televisão e cinema, African Internet Television, African VOD, China, Indonesia, local cultural wisdom, Nollywood, TVRI Yogyakarta | YIN ZHONGHUA et al. (2021); PRADSMADJI et al. (2020); NURROHMAH et al. (2023); Rocha (2019); DOVEY (2018); Wu (2022); Wang (2021). | Malásia; Indonésia (2); Brasil; Londres; China (2). |
| Audiência participativa e TV Pública | Audiencias, Audiencias activas, cultura participativa, interactividad, Participación, servicio audiovisual público, radio universitaria, televisión universitaria | TRÁMPUZ (2020); López-Cepeda et al. (2019); Rocha (2019). | Equador; Espanha; Brasil. |
| Regulação | global media and communication policy, políticas audiovisuales, derechos de autor, propiedad intelectual, select commercialization | López-Cepeda et al. (2019); Wang (2021). | Espanha; China. |
| Convergência midiática. | Communication path, Communication status, content production, convergence, convergencia digital, convergencia periodística, Digital Turn, inovações televisivas, Media Convergence (3), Media disruption, new media, Path optimization, polivalencia periodística | YIN ZHONGHUA et al. (2021); TRÁMPUZ (2020); PRADSMADJI et al. (2020); NURROHMAH et al. (2023); López-Cepeda et al. (2019); Rocha (2019); DOVEY (2018); Wu (2022); Vizcarrondo (2022); Wang (2021). | Malásia; Indonésia (2); Brasil; Londres; China (2); Equador; Espanha e Estados Unidos |
Tabela 3. Fonte (Web of Science e Portal CAPES). Elaborado por autores, 2024.
No contexto global, o surgimento de plataformas de Vídeo sob Demanda (VOD) exemplifica a convergência, permitindo acesso flexível e personalizado ao conteúdo audiovisual, além de apresentar novos modelos de negócios, como: AVOD, Video Advertising on Demand (vídeo sob demanda com inserção publicitária); SVOD, Subscription Video on Demand (vídeo sob demanda a partir de assinatura); e TVOD, Transactional Video on Demand (vídeo sob demanda com pagamento unitário) permitindo que emissoras de TV e produtoras de conteúdo consigam exportar produções de caráter regional em escala global.
“O modelo de distribuição da Netflix fez com que The Night Comes for Us se tornasse o primeiro filme original da Indonésia na plataforma. Com isso em mente, o filme passou a estar disponível globalmente na plataforma de SVOD da Netflix. (…) A Netflix e outras plataformas de SVOD podem se interessar em distribuir ou produzir conteúdo original da Indonésia (Pradsmadji et al. 2020, pág 125).
As plataformas africanas de VOD se adaptam para atender às condições do mercado, como mostra o exemplo da iROKO, que eliminou o streaming para o público local e priorizou downloads compactos para economizar dados: “A empresa desativou sua plataforma de streaming [na África] e desenvolveu um aplicativo para Android.” (Dovey, 2018, p. 98, tradução nossa). Outra condicionante para o mercado audiovisual no continente africano são as diferenças de idiomas entre os países. Assim, parcerias estratégicas, como a da iROKO com a Canal+, que dubla conteúdo para o público francófono, também são essenciais para a expansão de mercado e a superação de barreiras regionais (Dovey, 2018).
Os principais estudos que tratavam das relações com as audiências pelas televisões trouxeram casos de TVs públicas onde o destaque é do papel das audiências participativas. Na Europa, onde ferramentas digitais incentivam o envolvimento do público, embora regulamentações sobre direitos autorais ainda representem um desafio para TVs públicas. Segundo López-Cepeda et al. (2019), a BBC, por exemplo, exige que os usuários queiram compartilhar conteúdos vinculados a seus materiais mantenham a identificação e o link para o conteúdo original. Além disso, diversas radiodifusoras como a RTP em Portugal e a RTVE na Espanha implementam restrições quanto ao uso comercial e à modificação dos conteúdos. Muitas empresas “introduzem mecanismos de fiscalização através da própria corporação ou dos próprios usuários” (López-Cepeda et al. 2019, pág 100) e também incluem cláusulas de cessão de direitos de uso dos conteúdos gerados pelos usuários, o que permite às corporações explorarem esse material sem remuneração, protegendo-se assim contra o uso indevido e mantendo a integridade dos conteúdos originais.
No Equador, os meios de comunicação universitários apresentaram uma polivalência jornalística avançada, mas desafios persistem na distribuição multiplataforma e na participação das audiências (Trámpuz Reyes, 2020). A integração de processos formativos é destacada como fator relevante para a evolução desses meios.
Na China, a convergência entre TV, internet e telefonia é analisada com destaque para o controle estatal na busca por equilibrar inovação e regulação política. A lógica de “comercialização seletiva” (Wang, 2021, pág 209) foi adotada para diferenciar conteúdos politicamente sensíveis daqueles abertos à capitalização. A reforma de setores como telecomunicações e broadcasting, impulsionada pela adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), levou a mudanças incrementais, mas não completas. “Tecnologias disruptivas podem ser uma força poderosa de mudança, mas seu impacto é sempre mediado por relações institucionais e estruturas de poder consolidadas que estão em vigor há décadas” (Evens & Donders, 2018, p. 245 apud Wang, 2021, pág 209).
Nesta primeira onda da televisão pela Internet na China, os fabricantes de TVs inteligentes emergiram como pioneiros ao levar a TV online para o mainstream, um cenário que contrasta fortemente com o status marginalizado em que os fabricantes americanos de TVs inteligentes se encontram na cadeia de valor da OTT TV. (Wang, 2021, pág 217).
Entretanto, a coexistência de interesses do mercado e do estado traz alguns desafios para o mercado. No caso Chinês não fica claro quais são os critérios de seleção dos conteúdos permitidos para circularem nas emissoras e plataformas do país e essa falta de clareza afasta investidores externos (Wang, 2021).
Sobre esse tema, discutido nos estudos com ênfase nas práticas chinesas, fica claro que a “desregulamentação governamental” (Zhonghua e Ali, 2021, pág 51) ou sua regulação é um fator que molda o mercado de comunicação e consequentemente as práticas televisivas de distribuição de conteúdo.
Os artigos analisados exploram os impactos da inovação e da convergência midiática na produção de conteúdo. Inicialmente, discute-se como a televisão evoluiu desde os anos 1930 e enfrentou desafios com a digitalização e o surgimento da internet (Zhonghua e Ali, 2021). A convergência midiática, ao integrar mídias tradicionais e digitais, otimizou recursos e aprimorou a interatividade, transformando a distribuição e o consumo de informações. Os autores destacam a importância da concentração corporativa, digitalização e desregulamentação como estratégias para fortalecer a competitividade no setor midiático (Zhonghua e Ali, 2021).
Na Indonésia, o caso da TVRI Yogyakarta, estudado por Nurrohmah et al. (2023), ilustra os esforços para preservar a cultura local em meio à disrupção midiática. A emissora adaptou-se por meio de estratégias de convergência, divergência e integração com mídias sociais, promovendo conteúdos tradicionais e interativos para atrair o público jovem. No contexto da Indonésia, a disrupção midiática tem desafiado o papel da televisão como uma fonte principal de informação e entretenimento, exigindo que as emissoras inovem para se manterem relevantes (Nurrohmah et al. 2023).
Na cidade de Dazhou, China, as mídias de rádio e televisão estão passando por um processo de adaptação. Entre as medidas adotadas pelas emissoras estão a criação de contas em redes sociais, como Weibo e WeChat, e a integração de plataformas digitais, como TikTok e Kwai, para aumentar a interatividade com o público (Wu, 2022). Foram também implementados mecanismos de gestão integrados “conectando várias plataformas, como rádio, televisão e internet, selecionando, editando e organizando os materiais obtidos em entrevistas e distribuindo-os em várias plataformas” (Wu, 2022, pág 19). No entanto, a autora aponta desafios, como a baixa integração entre os modelos tradicionais e digitais, decisões estratégicas inadequadas e a carência de profissionais especializados.
“Os meios de transmissão e televisão, no contexto da convergência midiática, devem prestar mais atenção às demandas de diferentes faixas etárias, equilibrar as necessidades do público e melhorar a experiência do usuário.” (Wu, 2022, pág 20).
Na ficção televisiva brasileira, foi destacada a hibridização entre TV e cinema e as limitações sociais e tecnológicas para a inovação em novos formatos narrativos no cenário de um “desenvolvimento tecnológico que sinaliza para um futuro de produção audiovisual seriada em rede, de narrativas transmídia” (Rocha, 2019, pág 56). No Brasil, essa relação é evidenciada por produções televisivas que buscam um acabamento visual mais elaborado, inspirado no cinema. É possível identificar que houve um crescimento do aprimoramento estético na linguagem audiovisual na ficção televisiva brasileira ao longo dos últimos anos (Rocha, 2019).
Os estudos que focaram na temática da convergência revelam como ela remodela a comunicação global, trazendo desafios e novas formas para os modelos tradicionais. Além disso, Vizcarrondo (2022) sugere que estudos futuros explorem o desenvolvimento da internet no processo de convergência, para obter uma visão mais completa do impacto das tecnologias no setor de mídia. “O consenso claro é que essa tecnologia tem sido uma força disruptiva para o setor. A internet resultou na entrada de novas empresas competindo com — e superando — as empresas de mídia tradicionais” (Vizcarrondo, 2022, pág 6).
Os autores também contribuíram sugerindo temas para estudos futuros. Assim, foi construído um quadro listando as principais lacunas apontadas em seus artigos (Quadro 3).
Quadro 3 – Sugestão de temas para futuras pesquisas
| Eixo temático | Lacunas |
| Audiência e TV Pública | integração de processos formativos (Trámpuz Reyes, 2020); perfil de audiência jovem (Nurrohmah et al. 2023), (Wu, 2022); preservação da cultura local (Pradsmadji et al. 2020) |
| Modelos de negócios de distribuição de conteúdo audiovisual | conectividade (Pradsmadji et al. 2020), (Dovey, 2018); contextos regionais (Rocha, 2019); novas estéticas audiovisuais (Rocha, 2019); |
| Convergência de mídias | concentração corporativa (Zhonghua e Ali, 2021); impactos do desenvolvimento da internet (Dovey, 2018), (Vizcarrondo, 2022); |
| Regulação | regulamentação governamental (Zhonghua e Ali, 2021), (Pradsmadji et al. 2020), (Wang, 2021); direitos de autor na internet (López-Cepeda et al. 2019) |
Fonte: Estudos obtidos no Quadro 2. Elaborado por autores, 2024.
As inovações tecnológicas afetaram a maneira como as emissoras de televisão e demais produtores audiovisuais distribuem seus conteúdos. Isso também se relaciona com os novos dispositivos como smart TV e smartphones que permitem o consumo de conteúdos de diferentes formas e fora da tradicional sala de televisão. Assim, a convergência de mídias é uma tendência que traz impactos nos modos de produzir conteúdo e nas interações entre produtores e consumidores. O cenário vem abrindo espaço para que consumidores também possam produzir conteúdo alvos de interesse pelas emissoras de televisão que buscam, também, novas formas de interagir com seus públicos. É importante destacar as iniciativas das Televisões Públicas e Universitárias em inovarem nas suas formas de se relacionar sem perder a preocupação com os direitos autorais e a qualidade do conteúdo veiculado.
A regulação é uma variável importante no que diz respeito à inovação, pois os governos precisam acompanhar movimentos econômicos que possam incorrer em ferir a soberania nacional, como é exposto no caso Chinês, ou outras regras comerciais na fusão de empresas e explorações comerciais em outros formatos. Por fim, a convergência de mídia promove uma busca por novas narrativas compatíveis com as diversificadas formas e lugares de consumir conteúdos e promover debates participativos entre produtores e consumidores. A internet está fortemente relacionada a essa convergência por permitir que as plataformas de conteúdos, redes sociais e demais espaços digitais sejam o palco para a interação e viabilização de inovações dentro das televisões.
A pesquisa possui caráter exploratório e permite entender mais do assunto, mesmo com um caráter mais generalista. Isso não inviabiliza a pesquisa, mas aponta para um movimento de adensamento de novos estudos dentro de cada eixo temático proposto neste artigo. Uma dificuldade dessa pesquisa foi o acesso aos textos. Nos 24 artigos selecionados a partir do portal CAPES, apenas 18 tiveram acesso aberto. São outros 6 trabalhos que poderiam contribuir com as percepções gerais acerca da proposta de pesquisa, mas que tiveram acesso inviabilizado dado os altos custos.
Os novos modelos de negócios também permitem repensar no conceito de televisão já que o fluxo de conteúdo não está mais vinculado ao aparelho na sala de TV e as emissoras vêm investindo em outras plataformas. O cenário de convergência de mídias está em constante transformação e merece atenção de estudos futuros que podem ter como sugestão de foco: Inovação em distribuição de conteúdo audiovisuais, Audiência participativa, TV Pública, Regulação e Convergência midiática. É importante lembrar que a inteligência artificial está em rápido desenvolvimento e já apresenta novas turbulências e cenários que vão exigir inovações dentro das emissoras de televisão. Além disso, a internet também está em desenvolvimento. São duas importantes variáveis para estudos futuros.
Araujo Alonso, M. (2011). Las revisiones sistemáticas. Medwave, Madrid (Espanha), n. 11, [s.p.]. Disponível em: https://www.medwave.cl/link.cgi/Medwave/Series/mbe01/5220. Acesso em: 04 jul. 2024
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Os autores utilizaram a Inteligência Artificial ChatGPT 4o e plataformas Google DOCs e Microsoft Word para auxiliar com revisões de tradução de textos em outro idioma. No entanto, o todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos, definição de palavras-chave, problema de pesquisa e análise de resultados foram realizadas de maneira autoral.
[1] Mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação (NTI/UnB). Graduado em Comunicação Social (UnB). ORCID: https://orcid.org/0009-0009-3245-3868. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1334683586834705.
[2] Orientadora. Pós-doutorado, na área multidisciplinar, pelo Instituto de Diagnóstico Ambiental y Estudios del Agua – IDAEA/CSIC, Barcelona, España. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0823-7841. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8879904717342874.
Material recebido: 14 de janeiro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 10 de março de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 25 de agosto de 2025.
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