Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje continuaremos as nossas discussões sobre os elementos que podem fazer com que um pesquisador tenha sucesso em sua trajetória acadêmica. Desde a nossa primeira discussão temos chamado a sua atenção para o fato de que há certos elementos que podem impulsionar esse sucesso. Dentre eles, já conversamos sobre a importância do ato de acreditar e em nosso último post sobre a humildade e o quanto ela é essencial. Tão importante quanto essas duas pautas é o nosso assunto de hoje: a resiliência. A primeira coisa que precisamos destacar sobre essa palavra tão importante é o seu significado. Em linhas gerais, pode ser definida como a capacidade do indivíduo de lidar com diversos problemas que o afligem, de adaptar-se frente às diversas mudanças, de superar obstáculos e de resistir às pressões postas pelas mais diversas situações que nos afetam no dia a dia.
Agora que você já possui uma dimensão acerca do que vem a ser a resiliência, é preciso que aprendamos como exercitá-la. Entretanto, quando discutimos sobre a questão da resiliência, é preciso que chamemos para a discussão uma série de outros fatores. Há uma teoria que casa bem com o que estamos tentando demonstrar. Trata-se da lógica do Cisne Negro. No contexto acadêmico, a resiliência nada mais é do que a capacidade que possuímos para que passemos por certos níveis, dificuldades, e, claro, por novas descobertas. O termo resiliência advém de uma área muito importante, que é a Física. Pensemos em como funciona a esponja que utilizamos para lavar louça para refletirmos um pouco mais sobre a resiliência. Ao pegar uma esponja desse tipo, caso a mergulhemos na água, ela irá absorver e expelir o conteúdo quando a apertarmos. Ao soltar esse conteúdo, a esponja continua a mesma (a sua estrutura).
Retomando o nosso exemplo da esponja de lavar louça, podemos apertá-la, torcê-la, esmagá-la e esticá-la que permanecerá da mesma forma. Assim sendo, podemos afirmar que esse fenômeno chamado resiliência irá fazer com que a esponja volte, sempre, ao seu estado original. O mesmo processo ocorre com os seres humanos. A psicologia é uma das áreas que trabalha bastante com a resiliência. Entende-se que uma mesma pessoa pode, ao longo de sua vida, passar por uma série de situações, mudar de ambiente, ter perdas (de pessoas e materiais), passar pelo processo de auto boicote, pode criar sinapses etc. Essa pessoa pode ou não ser resiliente. Ao agir de forma resiliente, independentemente da situação/problema que aflige essa pessoa, ao voltar ao seu lugar, consegue manter-se estável mesmo diante de tais estabilidades. Surge, daí, a necessidade de pensarmos na lógica do Cisne Negro.
A teoria que estamos comentando agora é muito importante, pois é uma boa forma de pensarmos como age uma pessoa resiliente. Não é uma teoria tão recente, porém, acreditamos que ela não é tão disseminada, o que justifica a sua apresentação nesse post. Com essa teoria, queremos evidenciar, a você, que não apenas no âmbito acadêmico, ao desenvolvermos uma pesquisa científica, mas na vida como um todo, em suas dimensões, é crucial que aprendamos a agir de forma mais resiliente. Como é uma leitura um tanto quanto densa para pessoas que não são da área, julgamos pertinente trazermos algumas reflexões dessa teoria para esse post. A teoria é tão relevante hoje que diversas pesquisas, sobretudo da área da administração, têm sido desenvolvidas a partir de estratégias bastante interessantes. A primeira coisa que o teórico desta lógica nos coloca é que, diferentemente do que pensam, a resiliência não é a última fase.
Nessa teoria, entende-se que a resiliência não configura o estágio final no qual devemos chegar. A resiliência, nessa perspectiva, é responsável por fazer com que o sujeito retorne ao seu estado normal ao lidar com as mais diversas situações ao longo de sua vida. Contudo, precisamos frisar que, por meio da resiliência, a partir do momento que o sujeito consegue retornar ao seu estado normal ao lidar com as situações e problemas cotidianos, mais maduro ele será. Os resultados são bastante positivos. Além desse sujeito conseguir se adaptar de uma forma muito mais saudável aos ambientes, ao retornar para o seu estado normal, ele não seria mais “normal”, teria sido afetado por esse processo, logo, seria muito melhor e conseguiria lidar com os novos problemas/situações de uma forma muito mais saudável. A fim de que essa situação fique mais clara, iremos pensar a resiliência no contexto acadêmico.
A partir do momento que aceitamos que somos eternos alunos, é muito mais possível colocar a resiliência em prática. Quando retornamos para o nosso lugar depois de uma situação e lidamos com ela de forma resiliente, nesse retorno, não somos mais os mesmos. Tem-se, com isso, novos posicionamentos, conhecimentos e formas para que lidemos com essas situações adversas. Veja cada uma delas como uma lição que você aprendeu. Assim sendo, quando algo der errado em sua pesquisa, não se vitimize, procure pelos motivos que podem ter feito com que ela “desse errado” e estabeleça estratégias para consertar esse problema. Por exemplo, o material que você estava esperando para realizar um teste não chegou. Não se desespere. Analise se não há uma outra forma a partir da qual a pesquisa possa ser desenvolvida e se esse teste não pode ser substituído por alguma outra estratégia que seja mais viável nesse momento.
Quando algo dá errado, a melhor estratégia para sair desse tipo de situação em qualquer contexto de vida é analisar quais são as ferramentas que temos em mãos e como podem ser utilizadas a fim de que resolvemos esse problema. Por exemplo, há pesquisadores que perdem todos os seus testes e aqueles que, ao decorrer da pesquisa, percebem que as lâminas estavam com problema. Há, ainda, aqueles que estavam investigando um dado problema e, nesse percurso, perceberam que esse problema não era tão relevante quanto poderia para o contexto atual no qual estamos vivendo. Pode ser, ainda, que você se depare com estudos de autores que sequer haviam sido considerados antes e que agora são essenciais à discussão. A partir do momento que concebemos que tudo na vida é um aprendizado, uma sequência de aprendizados, lidar com essas experiências não será um processo tão doloroso.
Algo que pode agregar muito a sua vida é entender essa situação adversa a partir de uma forma ampla, pois, assim, você aprenderá muito com ela, inclusive formas de evitá-la. Contudo, é apenas por meio do aprendizado que sabemos o que devemos e não devemos fazer não apenas na pesquisa científica, mas na vida como um todo. Analise o que esse problema que acabou de enfrentar pode agregar a sua vida pessoal, profissional e acadêmica. Agindo dessa forma, além de ser uma pessoa resiliente, você conseguirá se tornar algo para além disso. Será, portanto, alguém melhor e será visto aos olhos de outros pesquisadores como um pesquisador de excelência. Fica aqui uma reflexão: a partir do momento que somos afetados por uma situação, ao retornarmos para o nosso lugar, não seremos mais os mesmos, pois teremos absorvido novas coisas. A sua disposição para aprender, o seu posicionamento são essenciais.
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