Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje continuaremos a discutir sobre os princípios básicos que podem nos ajudar a sermos considerados como pesquisadores de sucesso. Como destacamos nos outros três posts anteriores, há alguns aspectos essenciais que podem fazer com que consigamos desenvolver os nossos estudos de uma forma muito mais tranquila e efetiva. O sucesso advém dessas práticas, porém, é preciso conhecer os mecanismos que podem nos levar até esse sucesso. O primeiro aspecto, como vimos, é o ato de acreditar. Acredite que você é capaz, pois todos temos o mesmo potencial para desenvolvermos o nosso intelecto. Ser humilde e resiliente também são práticas que podem ajudar você a lidar melhor com problemas que podem aparecer não apenas ao longo de sua jornada acadêmica, mas em sua jornada de vida. A partir do momento que nos permitirmos ser resilientes, agiremos de uma forma mais efetiva.
Ao longo desta série estamos apresentando alguns pressupostos que podem lhe ajudar a desenvolver a sua pesquisa da melhor forma possível. Temos, como objetivo, ajudar você a ser reconhecido de uma forma benéfica e saudável, assim como a sua pesquisa. Dentro desse contexto que estamos conversando – o que faz com que um pesquisador seja bom – há uma questão importante: como podemos fazer perguntas de uma forma inteligente? As dicas de hoje visam ajudar você a aprender como fazer boas perguntas. Antes de entendermos os pormenores desta questão é preciso que entendamos o que vem a ser esse processo de fazer perguntas em uma pesquisa. Ao longo de nossos posts, sempre destacamos uma questão essencial: toda pesquisa deve advir de um problema de pesquisa real para que seja contributiva para a sociedade atual em que vivemos. Este problema precisa ater-se a alguns critérios.
Alguns pesquisadores, na euforia, desejam revolucionar por meio de suas pesquisas. Contudo, é preciso que levemos em consideração que pesquisas que possuem pouco tempo para serem desenvolvidas não conseguirão dar conta de chegar às respostas rapidamente. As respostas para a pergunta por você delimitada devem ser coletadas dentro do período posto pelo seu programa para concluir o trabalho. Em geral, os cursos de mestrado costumam durar de dezoito a trinta meses, sendo o tempo ideal o de vinte e quatro meses. Você terá dois anos para fazer uma boa pergunta e encontrar as respostas para ela. A investigação do ambiente no qual você está inserido é de suma importância para que, dentro do tempo disponível, você colete e apresente os dados necessários a essa resolução do problema. Lembre-se que a sua pesquisa precisa ser exequível.
Os doutorados possuem cerca de trinta e seis a quarenta e oito meses, podendo, em alguns casos, haver a prorrogação em seis meses. O mestrado, como vimos, costuma durar vinte e quatro meses. Dentro desse tempo disponível, uma série de atividades acadêmicas deverão ser desenvolvidas de forma paralela, e, ainda, há o tempo para que você qualifique e defenda o seu trabalho. Não é possível defender sem que haja a aprovação na qualificação. A qualificação, portanto, é um momento que antecede a sua defesa. Haverá uma banca composta por três doutores que irão avaliar a qualidade da sua dissertação e se ela atender a todas as exigências e critérios científicos e metodológicos. No caso do doutorado, a tese é analisada por um corpo composto por cinco doutores. Esses professores irão lhe questionar sobre as respostas que você deu para a pergunta que se propôs a investigar na sua dissertação ou tese.
Cada área do conhecimento e as suas linhas de pesquisa e/ou raciocínio, acadêmicas ou não, podem entender esse processo de proposição de perguntas de formas muito diferentes. As pessoas que trabalham na área da liderança, na área da consultoria e na área do coaching também discutem sobre a relevância das perguntas, porém, elas estão ligadas a uma outra dimensão, a uma outra finalidade. O objetivo é fazer com que uma certa equipe reflita ou, ainda, possa funcionar como uma estratégia para que a pessoa consiga ministrar uma palestra da melhor forma possível. Entretanto, no âmbito da pesquisa, a finalidade de uma pergunta é a de nortear o pesquisador para que ele seja capaz de responder ao seu problema de pesquisa de modo efetivo e contributivo. Essa pergunta irá direcionar o pesquisador, ajudando-o, inclusive, a escolher uma metodologia que caiba melhor nesse tipo de estudo.
Em todo e qualquer tipo de pesquisa, não apenas na científica, saber fazer boas perguntas é fundamental. No caso de um pesquisador que se encontra em um curso stricto sensu, isto é, em um mestrado ou eu um doutorado, essas perguntas irão fazer com que ele chegue a um problema de pesquisa real e necessário hoje. Para chegar a esse problema, além de ter um olhar atento frente aos problemas, fenômenos e demandas sociais, é preciso recuperar o que a literatura tem desenvolvido nos últimos anos nesse assunto. Por outro lado, se você é um profissional que atua no mercado no âmbito das pesquisas, essas perguntas serão fundamentais porque irão lhe nortear no processo de busca por soluções específicas ao nicho de mercado com o qual trabalha. Essas perguntas irão fornecer a base necessária para que você chegue às soluções para os problemas que afligem a sua área de atuação no dia a dia.
Para as pessoas que trabalham com pesquisas de mercado ou de marketing, ou, ainda, as pesquisas em qualquer âmbito direcionadas ao mercado, as perguntas sobre as quais estamos conversando têm o objetivo de fazer com que o pesquisador investigar chegue até respostas e soluções mais pontuais, específicas a um contexto de atuação. Por outro lado, se você está no ambiente acadêmico, pode ser que nem sempre essas perguntas sejam tão objetivas como são no ambiente corporativo. Isso ocorre porque quando estamos em um ambiente acadêmico, sobretudo naqueles cursos que operam a partir do formato acadêmico, que, por excelência, são mais teóricos, as questões desta ordem teórica serão muito mais aprofundadas do que as questões práticas. Assim sendo, se você se pergunta porque uma dada classe consome um certo tipo de alimento, a resposta pode não ser tão objetiva como seria no mundo empresarial.
Em virtude da lógica conservadora da academia, que é teórica, as questões postas tendem a ser menos objetivas e mais teóricas. Propõem-se mais reflexões do que soluções para os fenômenos que estão sendo debatidos. A lógica é diferente no sentido que as perguntas propostas na seara acadêmica, por não serem pontuais, oferecem respostas muito mais profundas e detalhadas sobre o cenário que está sendo investigado. Nesse sentido, questiona-se sobre os motivos que implicaram este problema, sobre os fatores, sociais, culturais, econômicos e políticos envolvidos, dentre outros pontos. Além disso, segue-se uma linha de raciocínio para tecer-se tais considerações. Elas são as perspectivas teóricas. Cada abordagem tem as suas próprias especificidades.
Essas perspectivas teóricas partem de conceitos estudados por um conjunto de autores que fazem parte de uma linha de raciocínio semelhante. A depender do seu tema de pesquisa, você pode seguir a linha da semiótica, psicanalítica, antropológica e muitas outras. Cada área/linha de pesquisa permite a escolha de uma ampla gama de perspectivas que possuem as suas próprias características. Essas linhas de raciocínio, portanto, possuem algumas diferenças, porém, cabe ressaltar que elas são bastante tênues. Não é uma questão que está relacionada com a capacidade de fazer boas perguntas, mas sim com os formatos de pesquisa que podemos adotar a fim de que cheguemos as respostas para as nossas perguntas. Fazer boas perguntas em qualquer situação é fundamental, porém, conheça a lógica do seu contexto de atuação.
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