Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre as citações. Como destacamos ao longo dos nossos posts, a fim de que um texto possa ser considerado como científico, é preciso que tomemos alguns cuidados e, dentre eles, temos a citação. Em textos desse tipo não podemos trazer meras afirmações, achismos e percepções pessoais. É preciso que partam de informações já validadas. Contudo, há momentos em que um pesquisador pode acabar deixando com que a sua opinião se sobressaia em relação a dos autores dos textos que está utilizando como embasamento. Assim sendo, hoje iremos apresentar alguns mecanismos que podem lhe ajudar a saber quando um pesquisador está inserindo a sua própria opinião em um texto científico. Há algumas confusões que podem se manifestar no processo de realização de uma citação e, assim, iremos esclarecê-las.
Essas confusões surgem do fato de que muito se fala sobre a necessidade de preservar a autoria dos artigos que estamos citando em nossos materiais. Assim, muitos se questionam acerca de quando deve-se citar o autor original ou os autores que este cita ao longo do texto. A primeira coisa que desejamos ressaltar nesse primeiro momento é que uma vez que você está escrevendo esse material, ele precisa ser inédito. Dessa forma, embora você esteja partindo das ideias de autores diferentes, a compreensão acerca desse tema em investigação deve ser sua e não desses autores. Não temos, então, uma citação direta, pois você não irá copiar essa interpretação a todo o momento. Quando for apresentar a sua compreensão, emprega-se a citação indireta. Iremos apresentar um exemplo prático. Partiremos do livro “O ensino híbrido”, de Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Melo Trevisani. Organizaram esse material.
Este trecho que acabamos de trazer como exemplo foi retirado de um dos textos dessa coletânea. Toda essa interpretação relacionada à educação híbrida foi retirada de um autor chamado Goodson. O texto em questão é do ano de dois mil e sete. Temos nesse exemplo uma série de citações. Em primeiro lugar, dos autores que organizaram essa coletânea de textos, que são três, depois, temos o autor desse artigo em específico, e, por fim, há a citação do autor citado por esse pesquisador responsável pelo texto que estamos consultando. A grande dúvida em relação a esse emaranhado de autores é: quem devemos citar em um contexto como esse? Ao depararmos com essa citação que estamos utilizando como exemplo, podemos optar por inserirmos a nossa própria compreensão ou por transcrevê-la exatamente dessa forma. No caso de uma citação indireta, o autor a ser utilizado não será o Goodson.
No caso de uma citação indireta, embora o autor que você tenha lido tenha citado o Goodson, é o material dele e não de Goodson que você está interpretando. Os pressupostos de leitura que você está formando advêm do outro autor. Por mais que Morin, o autor original deste texto, tenha partido das ideias de Goodson para formar os seus pressupostos, é de Morin que você está partindo para fazer as suas próprias considerações. Por exemplo, você, ao ler esse material de Morin, terá a sua própria interpretação sobre esse fenômeno. Elas podem ser diversas. Uma delas é que as histórias de vida dos alunos impactam de forma direta a educação. Entretanto, essa é a sua visão, não significa que todos irão interpretar da mesma forma, com as mesmas palavras. Ao inserir a sua compreensão no texto, a citação a ser feita é a do texto do qual você partiu de fato para fazer essa interpretação, que é o de José Morin.
Se você estivesse interpretando a visão de Goodson sobre a influência das trajetórias de vida na educação, sem dúvidas ele deveria ser citado em seu material, visto que a sua compreensão estaria partindo, também, desse autor e não apenas de Morin, porém, aqui, não é o caso, logo, o apud não estaria correto. Uma citação é feita de forma correta quando você está citando os autores responsáveis pelo contexto que está interpretando. Trazendo a visão de Morin para o seu texto você está atestando ao seu leitor que o contexto de vida, as histórias e as instituições sociais influenciam no processo educativo. Essa visão foi propiciada porque todo o contexto do artigo que está sendo utilizado está sendo interpretado. Como você não foi até a obra de Goodson, não poderia ressaltar por meio do mecanismo do apud que a sua visão também está partindo da obra dele. Assim sendo, é preciso fazer a citação de forma correta.
Uma vez que se trata de uma citação indireta, você está ressaltando ao seu leitor que se trata da sua compreensão acerca do texto de Morin, que, por sua vez, encontra-se em uma coletânea de textos. Os organizadores dessa obra também precisarão ser citados quando você for fazer essa referência no tópico específico para tanto. No corpo do texto, você deve citar apenas o último sobrenome, seguido do ano da obra. Nas referências, você deverá citar o nome do autor, seguido do título desse texto em específico. Entretanto, a referência não acaba aí. Você irá inserir a expressão In para identificar os autores que organizaram essa obra. Insira os nomes e sobrenomes separados por ponto e vírgula e o título do livro. Feito isso, dados como cidade da editora, nome da editora e ano da publicação podem ser mencionados. Quando temos um texto organizado por diversos autores, a referenciação ganha essa estrutura diferenciada.
É comum que muitas pessoas desconfiem se, de fato, estão citando autores que partem de outros e não de meros achismos e posicionamentos pessoais. Para recuperarmos o texto que já estamos utilizando como exemplo, queremos chamar a sua atenção para o fato de que com essa citação você estará apontando que embora trata-se de uma interpretação e compreensão feitas por você, você está partindo de autores já consagrados e validados e não de meros achismos. Partir de autores atribui credibilidade ao seu texto. Algo interessante nesse processo é que quando lemos o material de um dado autor estaremos em contato com todas as bases que fizeram com que ele chegasse a essa interpretação específica. Essa visão, por sua vez, foi suscitada a esse autor que está citando porque ele leu autores específicos que fizeram com que ele chegasse a essa visão. As suas escolhas irão definir a visão do seu texto.
Nós, enquanto indivíduos, temos a nossa própria caixinha, sendo que nela armazenamos ao longo da vida diversas sinapses acerca do que aprendemos nas mais diversas esferas e situações do cotidiano. Cada pessoa aprende de uma forma diferente e possui o seu próprio nível de compreensão. Cria-se, com esse processo, novos dogmas que passam a ser reverberados na sociedade, visto que não guardamos esse conhecimento para nós, visto que a partir da interação, reproduzimos esse aprendizado e fazemos com que ele seja propagado. No caso da Bíblia, você precisa indicar a religião que está baseando a sua visão e não a Bíblia, justamente porque cada religião possui os seus próprios dogmas e entendimentos sobre esses preceitos bíblicos. Retomando os textos científicos: como você não bebeu de uma certa fonte, não fará sentido citá-la em sua produção, apenas o texto que, de fato, leu e interpretou.
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