Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos discutir sobre uma temática que é de interesse geral: a produção e a publicação de artigos científicos. Muitos pesquisadores deixam de publicar as suas produções por acreditarem que não terão os seus artigos aprovados. Desse modo, ao longo dessa discussão, iremos responder justamente essa questão. Dentro desse universo, uma dúvida muito comum é se graduandos e graduados podem publicar artigos científicos e, em caso afirmativo, quais são os tipos de revistas que costumam aceitar esses textos. A primeira coisa que gostaríamos de frisar nesse texto é que qualquer pessoa pode publicar um artigo científico. O que irá fazer o texto ser aprovado são alguns cuidados, porém, é fato que não são todas as revistas que costumam aceitar esses textos pois temos, no Brasil, uma cultura, de certa forma, injusta, visto que a maior parte das revistas seguem uma lógica.
A maior parte das revistas científicas brasileiras publicam apenas textos de doutores. Isso se dá em virtude do fato de que há uma corrente de acadêmicos que defende que a produção científica deve ser alimentada a partir de uma relação de cientista para cientista, o que deixa a ciência muito restrita a um meio específico. Defendem alguns ideais, como a disponibilização de artigos científicos em bases de dados fechadas e a publicação desses materiais em língua inglesa. Nós não compactuamos totalmente com essa ideia, pois acreditamos que essa é uma forma de restringir a ciência. Defendemos que todo tipo de conhecimento deve ser respeitado e incentivado. Esse conhecimento deve ser divulgado, na história, temos grandes gênios que ao menos fizeram um mestrado ou doutorado. Muitos não compactuam com isso, pois acreditam que o conhecimento deve ser aberto e acessível a todos.
Embora qualquer pessoa possa publicar um artigo científico, há alguns cuidados fundamentais que devem ser tomados. Contudo, é preciso que, além de compreender esses cuidados básicos, procure por uma revista científica que compactua desses ideais. Como esse material é científico, ele deverá tomar certos cuidados para que possa ser aprovado. O primeiro deles é justamente o distanciamento do pesquisador ao realizar essa pesquisa. Você, enquanto investigador, deverá olhar para um determinado fenômeno de forma distante. Por exemplo, um estudioso que se compromete a falar sobre a relação do indivíduo com o celular deverá procurar por autores que já discutiram sobre a temática para que, a partir desse embasamento, construa a sua própria linha de raciocínio. Você precisará de alguém com mais experiência para lhe orientar ao longo dessa jornada. Seja humilde e reconheça que você precisa de apoio.
É preciso que sejamos humildes e reconheçamos que não é possível fazer tudo sozinho em uma pesquisa. Esses professores, além de uma longa experiência na academia, dominam as metodologias científicas que garantem que o seu texto seja aprovado. Os cuidados nascem dessas metodologias, sobretudo das suas exigências. Tome cuidado com os estigmas. Há textos escritos por alunos do ensino básico e da própria graduação que são muito maduros. Contudo, muitas pessoas, ainda hoje, enviam artigos que partem de achismos e de ideologias pessoais. Tais textos não podem ser aprovados. O primeiro desafio é o desenvolvimento desse material a partir de um modelo científico. A sua argumentação deve ser madura. Se você está terminando uma graduação ou ensino médio, não está tão acostumado com essa prática, porém, você não poderia dizer nesse texto sem base que as pessoas amam mais seus celulares que os animais.
Toda afirmação deve partir de fontes. É preciso deixar claro de que ponto de vista está partindo. As informações científicas devem ser tratadas a partir de um olhar maduro. Também precisamos chamar a atenção para os tipos de materiais que podem ser publicados nessas revistas. Ensaios e artigos não são a mesma coisa, por exemplo. Os dois modelos podem ser publicados. No caso dos ensaios, ele se encaixa em perfis de revistas específicos. Além disso, há alguns cuidados essenciais que devem ser tomados. Em um ensaio, você pode discutir sobre qualquer assunto/fenômeno da vida social. Contudo, é preciso partir de uma base para apresentar as suas reflexões e pontos de vista de forma científica. Deve ficar muito clara qual é a linha de raciocínio que está formando a sua base argumentativa. Deve ficar claro, também, de onde você está partindo para apresentar esses conceitos aos seus leitores.
Vivemos em uma sociedade bem ampla, de modo que há, sim, assuntos que foram pouco discutidos, carecendo de novas investigações. Isso decorre do fato de que pode haver diversos pesquisadores interessados no assunto em questão, porém, possuem medo em virtude dessa carência de materiais basilares, o que faz com que o tema seja pouco debatido. Acreditamos, também, que há muitos assuntos considerados polêmicos que devem ser trazidos para a discussão. Qualquer assunto pode ser trabalhado, desde que haja uma base capaz de sustentá-lo. Surge, nesse contexto, uma outra indagação: é possível utilizar qualquer livro como base para um artigo científico, mesmo que esse livro em questão não faça uso de fontes externas? Essa é uma questão que devemos responder com cuidado. Quando vamos desenvolver um artigo científico, é preciso que a fonte seja científica.
Um livro que não faz uso de fontes não pode ser caracterizado como um material científico, de modo que ele apenas poderá ser utilizado caso esse livro em si seja o objeto de pesquisa que você se propôs a analisar. Você pode analisar o contexto desse livro não científico, os seus elementos linguísticos e a abordagem, porém, ele não pode servir de embasamento por não possuir fontes. Entretanto, não será a partir dessa lógica, em termos teóricos, que você partirá, visto que precisará procurar por materiais (pode ser desse mesmo autor) que partam de bases para tecerem as suas argumentações. Apenas as questões antropológicas, socioculturais, linguísticas e poéticas poderiam ser exploradas e em um momento específico, que é no momento da análise do seu objeto de pesquisa. Contudo, antes da análise, é preciso apresentar a fundamentação teórica, e, nesse momento, as fontes precisam ser científicas.
Um dos principais pilares que sustentam a nossa ciência é o cuidado com o tratamento das fontes que selecionamos. Uma das técnicas para que elas sejam trazidas para as nossas discussões é justamente a realização das citações diretas e indiretas da maneira correta. É preciso, ainda, tomar qualidade com as fontes que selecionamos. Muito mais importante do que escolher um artigo científico que faz parte de uma revista “bem conceituada” (em termos de qualis) é conhecer os autores que estão dando vida a essa produção. Verifique o quanto eles entendem do assunto antes de tomar a decisão pela inclusão do material em seu texto. Analise, também, os cuidados metodológicos tomados por esses autores. Contudo, como os autores acabam passando por esse processo de avaliação social, muitos pesquisadores se questionam se a titulação é levada em consideração e qual o peso que possui nessa análise.
Há professores que são especialistas em metodologia científica que com toda a certeza podem lhe auxiliar nessa jornada. O acesso a esses livros é bem fácil, visto que digitando o nome dos autores você conseguirá baixá-los em PDF. Esses livros são muito interessantes, pois irão lhe instruir acerca de como um pesquisador pode trabalhar com o texto científico em suas mais diversas tipologias. Irão apontar os métodos científicos que você pode considerar para elaborar o seu texto. Para finalizar, iremos retomar aquela primeira questão: qualquer pessoa pode publicar, porém, observe se a revista aceita textos com a sua titulação, os formatos aceitos, o seu escopo e se o seu material foi capaz de atender a todos os pressupostos da ciência.
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Olá, achei muito importante a discussão levantada sobre quem pode publicar. De fato, com os devidos cuidados que possam atestar que o trabalho seguiu os rigores do método científico, é possível que todos publiquem, inclusive em parcerias muito profícuas como investigadores e membros de uma determinada comunidade, entre professores e alunos, etc. É injusto realizar um trabalho coletivo e ter apenas o o nome do doutor nos créditos.