Ao inserirmos a quantidade de vinte a trinta artigos em nosso próprio artigo científico, é fato que aproveitamos pouco dos resultados dessas produções. Isso ocorre porque os pesquisadores costumam utilizar a parte conceitual (teórica) desses materiais com mais afinco. Busca-se nesses materiais por dados científicos que não necessariamente correspondem aos resultados desses artigos que estão sendo utilizados. Como essa é uma dúvida que atinge todas as pessoas que precisam coletar materiais (às vezes,’ uma quantidade maior do que a que apresentamos), iremos apresentar algumas dicas. Em geral, predomina-se a sensação de que esses materiais não estão sendo aproveitados da melhor forma, mas lembre-se: aqueles que nos acompanham são das mais diversas áreas (humanas, saúde, exatas, ciências da natureza), algumas peculiaridades são mais específicas a certas áreas.
Algumas áreas lidam melhor com materiais aplicados e outras com materiais teóricos, embora a teoria (embasamento) faça parte de todo e qualquer tipo de estudo. Grande parte dos materiais científicos publicados são mais conceituais. Eles costumam ser descritivos e exploratórios. Desse modo, são menos ou nada aplicados, visto que o objetivo é o de revisitar uma teoria. Contudo, outros estudos possuem o viés inverso: são, predominantemente, aplicados. Com isso, cumpre afirmar que, a depender da área de pesquisa, este tipo de estudo precisará de uma aplicação específica a essa área. Certas áreas do conhecimento, a partir dos seus laboratórios, grupos de pesquisa e afins, trabalham com a pesquisa de campo. Assim sendo, todos os membros que fazem parte desse núcleo de pesquisa são incentivados a desenvolverem pesquisas de campo.
Assim como existem os núcleos de pesquisa que trabalham com a pesquisa de campo de forma corriqueira, há os casos de núcleos que trabalham com testes, em que avalia-se a viabilidade de um produto, serviço, ferramenta e afins. Além disso, há os programas específicos que têm como objetivo desenvolver softwares, hardwares, aplicativos e afins a serem embutidos em espaços diversos, como empresas. Outros programas em seus próprios sites apontam qual é o objetivo das pesquisas a eles vinculadas, como, por exemplo, o desenvolvimento de metodologias específicas, protocolos e semelhantes. Em razão da dinâmica seguida por programas que se encaixam nessa linha de raciocínio, é normal que as produções sejam desenvolvidas de uma forma diferente. Assim, os pesquisadores tendem a explorar artigos científicos que caminham para além da dimensão teórica, sendo estudos aplicados.
Na composição dos artigos que fazem parte dessa linha mais aplicada, a ênfase do material será diferente. Além da dimensão teórica, deve-se recuperar os resultados encontrados pelos artigos que estão sendo replicados neste estudo específico. Vamos utilizar como exemplo a área de psicologia cognitiva. O objetivo poderia ser a apresentação de algum tipo de ferramenta que possa contribuir com essa área específica da psicologia. Contudo, antes disso, deve-se recuperar os conceitos gerais que perpassam pela psicologia cognitiva. Em primeiro lugar, apresenta-se os conceitos e como esse tipo de psicologia pode contribuir para com a vida dos seres humanos, e, na sequência, dispõe-se os resultados sobre essa ferramenta que está sendo desenvolvida ou replicada. Entretanto, os artigos, em geral, preocupam-se mais com os aspectos conceituais do que com a parte prática propriamente dita.
Os pesquisadores que fazem parte de uma linha mais teórica podem ter um pouco dificuldade para entenderem a dinâmica desses materiais mais práticos. Mesmo que não seja a sua realidade, é importante compreender essa dinâmica, visto que se trata de uma tendência mundial que pode alterar o modo de funcionamento de qualquer área e a qualquer momento. Como a sociedade tem se tornado cada vez mais exigente frente ao que desenvolvemos na universidade, tem cobrado pesquisas que resolvam os problemas e demandas de forma efetiva. Assim sendo, tem-se exigido, cada vez mais, que esses estudos possam ser aplicados à sociedade de alguma forma. Entretanto, é preciso que nos concentremos, também, nessa sensação de insatisfação por parte dos pesquisadores que aproveitam pouco os resultados dos artigos científicos que estão replicando em seus próprios estudos.
Suponhamos que você tenha um material em que os pesquisadores de um núcleo de pesquisa aplicaram um estudo a cem indivíduos portadores de depressão. Para isso, algumas mensurações foram necessárias, como o índice de B12 que se encontrava presente no sangue em um certo período. Todos esses aspectos são variáveis. O aproveitamento dessas discussões analíticas torna-se mais efetivo caso você eleja as mesmas variáveis para o seu próprio estudo. O desafio é fazer com que o seu estudo dialogue com outras pesquisas que possuem as mesmas variáveis (ou semelhantes). O cruzamento de dados também pode impulsionar esse aproveitamento. Temos visto que alguns materiais são muito ricos, especialmente em relação à forma como a coleta de dados foi depreendida. Contudo, ao realizar o cruzamento dos dados, essa profundidade se perde. É preciso tomar certos cuidados ao cruzar esses dados.
Com a falta de cuidado ao manusear os dados, algumas informações muito importantes podem ser perdidas no meio do caminho. Por exemplo, se você deseja propor um protocolo, é essencial que a análise desse protocolo apresente todas as características possíveis, a fim de que seu uso seja efetivo. Mencione dados que sejam considerados como importantes e interessantes, especialmente por aqueles que fazem parte da área. Busque por fontes que possam despertar esse interesse no leitor. Em geral, estudos desse tipo costumam trabalhar com cruzamento de dados a partir de planilhas (como o Excel). Tome muito cuidado, pois os dados podem se perder. Toda a capacidade e amplitude desses dados em tabelas, gráficos e afins devem ser exploradas. Para fazer esse cruzamento, indicamos a leitura do tópico de resultados desses estudos.
Muitos orientadores recebem materiais com muitas páginas de teoria e com pouca ou nenhuma discussão e, em razão disso, pedem para que o aluno discuta. É comum que materiais desse tipo tenham dificuldades para se adaptarem, uma vez que, em razão da discussão teórica, faltam subsídios que forneçam essa base aplicada que está faltando. Assim, para que o cruzamento de dados possa ser feito, tente relacionar esses dados (resultados) com as suas próprias descobertas. Também gostaríamos de chamar a sua atenção para o fato de que mesmo que você não tenha realizado a análise das mesma variáveis consideradas por esses estudos, o cruzamento entre os dados é essencial. Existem muitos estudos que podem contribuir e enriquecer a sua análise. Por exemplo, uma das variáveis que não mencionamos, mas que poderia ter sido utilizada é a questão da raça.
Somar uma variável a outra também pode acarretar resultados bastantes interessantes para um certo estudo. Caso a sua análise já esteja pronta, considerando um conjunto de variáveis específicas, você pode mencionar esses outros achados e indicar que estudos posteriores consideram este grupo de variáveis que são interessantes, mas que não foram consideradas pelo seu estudo. Elas apontam, portanto, para as limitações com as quais o seu estudo se esbarrou. Também é interessante que você procure por estudos que reflitam aquilo que está, de fato, pesquisando. Explore o tópico dos resultados e discussões para aperfeiçoar o seu capítulo teórico.
Algo muito comum acontece no processo de construção de um trabalho acadêmico, sobretudo daqueles mais longos e que levam anos para serem produzidos, como é o caso das dissertações e teses. Estamos nos referindo ao fato de que no curso dessa produção, você pode perceber que a sua fundamentação teórica não dialoga com os seus resultados. Para reverter essa situação, indicamos que você realize uma nova pesquisa e colete apenas os materiais que tenham a ver com a forma que você deseja analisar e apresentar esses dados. A teoria deve dialogar com a parte prática em todos os tipos de estudos. Os resultados podem ser melhor explorados no tópico específico de análises e resultados (ou resultados e discussões).
Como Lidar com a Rejeição de um Artigo Científico Introdução Quando você submete um artigo…
Quais Materiais Científicos Você Pode Colocar no Currículo? Olá, tudo bem? Hoje, vamos explorar quais…
Entendendo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)…
Ranking das Universidades: Entenda como Funciona Olá, tudo bem? Hoje, nós vamos falar sobre uma…
Materiais para Embasamento do TCC, Artigo, Dissertação ou Tese Olá, tudo bom? Hoje, nós vamos…
Como Começar a Ser Professor de Graduação Sem Experiência: 4 Dicas Fundamentais Uma dúvida bastante…