Como esta é uma dúvida bastante recorrente, iremos apresentar, hoje, algumas técnicas para que você possa desenvolver o seu artigo científico de forma mais tranquila. A pergunta norteadora é a seguinte: como posso preparar um bom artigo científico voltado para a linha de pesquisa do mestrado, levando em consideração que o prazo para isso é pequeno. Vamos lá. O processo de escrita é único para cada pessoa, de modo que as dicas que iremos apresentar podem apenas impulsionar este processo. Não há como garantir que você conseguirá escrever rápido. Como é uma questão que atravessa os mais diversos níveis, desde a graduação até a pós-graduação, optamos por empregar uma linguagem mais simples. Queremos que todas as pessoas tenham a oportunidade de entender como funciona a produção científica. É apenas por meio do conhecimento acessível que podemos reverter essa situação.
Embora tenhamos afirmado que esta é uma questão relativa, acreditamos que sim, é possível desenvolver um artigo científico em pouco tempo. Mesmo que essa não seja uma prática ideal, ela é comum para muitos pesquisadores. Assim, nessa conversa, iremos discutir sobre as possibilidades reais e sobre as ideais. Sabemos que, por necessidade, muitos pesquisadores têm uma vida para além da academia, pois precisam custear gastos diversos desses cursos. Muitos possuem, filhos, maridos ou esposas, um trabalho e preocupações diárias com formas de se sustentar a si e aos outros, nesses casos. Problemas interpessoais e de saúde também afetam nossa vida. Desse modo, não é sempre que conseguimos nos dedicar em tempo integral para a pesquisa. A maior parte dos pesquisadores precisam unificar todas essas funções. No mundo real, são poucos os que conseguem ser apenas acadêmicos/pesquisadores.
Há uma pequena parcela da população de pesquisadores que conseguem se dedicar em tempo integral às suas pesquisas. Alguns conseguem, inclusive, depender apenas de uma bolsa de pesquisa, em certos contextos geográficos. Conseguem ter uma maior dedicação, porém, a maior parte das pessoas não conseguem ter o privilégio de dedicarem-se apenas ao estudo, em razão dos motivos que apresentamos. Em virtude desse cenário, às vezes, as demandas postas pela academia, sobretudo pela pós-graduação, pedem que os artigos científicos sejam desenvolvidos em um período muito pequeno. Há casos em que pesquisadores escrevem artigos em dois dias ou mesmo em vinte e quatro horas. Acreditamos que existem mecanismos que podem lhe ajudar a desenvolver um bom artigo científico em pouco tempo. Não é o ideal, pois, quanto mais tempo você tiver, você conseguirá trabalhar com mais fatores.
A primeira coisa que você pode fazer para desenvolver um artigo científico em pouco tempo é criar um cronograma pessoal com metas e objetivos a serem atingidos. É necessário, portanto, que você trabalhe com uma estratégia para que esse material possa ser executado. Assim sendo, deve constar nesse cronograma alguns passos. O primeiro deles é o problema de pesquisa. É preciso que ele esteja bem definido, pois, ao contrário, o estudo não poderá ser executado. Leve em consideração a quantidade de dias que você tem para entregar esse artigo. Para que todas as metas do cronograma sejam atendidas, é preciso que os prazos sejam calculados com base nessas etapas. O problema de pesquisa deve estar passível a ser resolvido, bem como deve ser atual e relevante para o contexto atual no qual vivemos. Além disso, precisa considerar os objetivos, a justificativa e a metodologia.
A metodologia é crucial para que todas as outras etapas sejam desenvolvidas. Para atingir os objetivos do estudo, deve-se partir de um método. A metodologia varia a depender da finalidade do seu artigo. Por exemplo, se a sua proposta é desenvolver um artigo de revisão teórica, isto é, compartilhar reflexões e discussões a partir de autores, teorias e conceitos que você já conhece e vem trabalhando, você terá um prazo. Por outro lado, caso queira propor um artigo de revisão bibliométrica, a estratégia é outra. Essas duas abordagens podem ser desenvolvidas de forma muito mais rápida do que um estudo quantitativo, que leva muito tempo para coletar, tratar e analisar os dados. Estudos que propõem qualquer tipo de aplicação não são viáveis. Lembre-se, você está trabalhando com um tempo reduzido e é preciso otimizá-lo. Se você tiver em mãos esses dados, tudo bem adotar este método.
Se você apenas tem em mãos dados teóricos, considere uma metodologia exequível. Adote sempre estratégias que sejam sólidas e viáveis para os prazos que você possui neste momento da pesquisa. Acreditamos que trabalhar com a realidade das coisas é sempre a melhor estratégia. Há quem acredite que o fenômeno deve ser considerado antes da metodologia, porém, acreditamos que de nada adianta considerar um fenômeno se o pesquisador não dispõe de condições práticas e viáveis para que ele seja analisado. O estudo deve ser passível à execução. Considere o seguinte exemplo prático: a África, a muitos anos, tem um problema que ainda não foi solucionado: altos índices de crianças subnutridas. Este é um problema real e atual, um fenômeno social, mas não disponho das condições necessárias para ir até lá averiguar e avaliar este fenômeno. Condições que são, inclusive, financeiras.
Uma forma de testar a viabilidade de um estudo é conhecendo as variáveis com as quais você terá que lidar. Faça um autoquestionamento: você tem filhos? Você tem um marido ou uma esposa? Você participa de uma ou mais atividades que tomam muito do seu tempo? Está vivenciando algum problema de saúde ou algum membro da sua família encontra-se nessa situação? Há atividades na sua agenda que podem ser redimensionadas para outros dias, após concluir a elaboração do seu artigo científico? Por exemplo, no caso de a pessoa ter filhos, mas ter alguém que possa cuidar dele nesse período é algo que pode acelerar o processo de escrita do artigo. Calcule quantas horas por dia você terá para que possa se dedicar unicamente à produção desse material. É preciso que você chegue a horas reais que você pode investir o seu tempo. Sem esse programa, não há como escrever um material bom e em pouco tempo.
Suponhamos que você tenha optado pela realização de uma revisão bibliométrica. Pode ser que no primeiro dia você tenha cinco horas disponíveis para confeccionar este estudo. Nesse primeiro momento, você irá coletar os materiais em uma base de dados específica. A coleta pode durar até cinco horas e precisa acabar neste dia. Nessas cinco horas, você deverá pesquisar, coletar, ler e selecionar os materiais que realmente irão servir para este estudo específico. Suponhamos que no segundo dia você tenha apenas três horas. Nessas três horas você deverá fazer a leitura de uma quantidade x de artigos. Se a meta não for atingida, você precisará sacrificar algumas horas de sono para cumprir a meta. Cuidado: trabalhar a noite toda pode não ser uma boa estratégia para você. A ideia de recuperar no outro dia o que não foi atingido hoje também não é uma estratégia que costuma funcionar.
Assim sendo, é de suma importância que você leve em consideração a sua rotina real ao formular o seu cronograma. Para isso, é de suma importância que você trabalhe com inteligência emocional. São muitos os pontos que você deve levar em consideração nessa jornada: a sua metodologia, os seus prazos reais e outros aspectos. A inteligência emocional é primordial para que você não entre em desespero ao ver os dias chegando e indo embora. A aflição, a angústia e o medo podem lhe inibir. Não se desespere e sempre consulte o seu cronograma. O foco é o seu principal aliado. Caso você tenha interesse, recomendamos que procure por um parceiro que possa lhe ajudar nessa jornada. Invista na coautoria e procure por pessoas que tenham interesse nessa escrita coletiva. Assim fica muito mais fácil lidar com os prazos.
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