Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre o universo das revistas científicas. Iremos apresentar todo o universo sobre elas para que você possa escolher por uma que seja ideal para a sua área e linha de pesquisa. iremos trabalhar com a seguinte pergunta norteadora hoje: como saber quais são as revistas mais adequadas e que mais pontuam na área em que estou realizando o meu curso de doutorado. A primeira coisa que precisamos destacar é que compreender o universo da ou das revistas científicas é de suma importância antes de pensarmos em qualquer outra variável que envolva a produção científica. Esse aprendizado é necessário tanto para quem deseja ingressar nesse universo, bem como para quem já está na academia e deseja consolidar a sua carreira nesse meio. Para todos que desejam divulgar o conhecimento é fundamental compreender como as revistas funcionam.
A Scielo, desde a sua criação, defende que todos os materiais devem ser acessados por todos aqueles que precisam. Entretanto, todo o seu processo de criação se deu de forma tensa, pois muitos pesquisadores questionam a credibilidade das bases de dados online, sobretudo porque sempre fizeram as suas pesquisas em bibliotecas. Questionava-se o acesso aberto e gratuito e, na verdade, até hoje essa questão gera respostas e embates diversos. Para que essas informações possam ser divulgadas de forma ampla, há certos mecanismos em jogo. Mesmo com essas tensões, os idealistas do acesso aberto à informação fizeram com que a Scielo fosse criada. Embora seja nacional, é acessada por diversos países do mundo todo. Esses artigos podem ser acessados de forma gratuita por toda a comunidade. Deve ficar claro que a Scielo não é uma revista científica, mas uma base de dados que veicula esses materiais.
Nem sempre as informações puderam ser acessadas de forma rápida e fácil, sobretudo porque antes não existia internet e quando passou a existir, levou-se algum tempo para que a maioria das pessoas tivessem acesso a ela. A ideia era que essas revistas que já disponibilizam PDFs migrassem para essa base de dados recém criada, a Scielo. Esse processo foi feito para que os artigos científicos chegassem com uma maior facilidade até o usuário. A Scielo, enquanto base de dados, tem um escopo principal desde a sua gênese: a promoção e divulgação do conhecimento científico, objetivando que ele chegue tanto aos acadêmicos quanto à sociedade em geral. Para tanto, integra uma série de revistas, que, por sua vez, disponibilizam os artigos nelas publicados para que sejam divulgados por essas bases de dados que os indicaram. Para que a revista possa ser indexada, ela precisa passar por uma série de etapas.
Algumas pessoas conseguem acessar os materiais das bases de dados fechados sem que “estejam pagando”. Embora você não esteja pagando, a sua instituição está. Em diversos casos é o próprio governo que acaba fazendo esse pagamento, pois como se trata de uma base de dados fechada, é preciso pagar. Surgem, daí, as bases de dados abertas e fechadas. Por um lado temos as abertas, em que defende-se o conhecimento aberto, de modo que nenhum pesquisador precisa pagar para acessar ou publicar as suas produções. Assim sendo, é preciso que você saiba em que tipo de base de dados a revista que deseja publicar está indexada. Entretanto, há os casos de revistas que não estão vinculadas à bases de dados específicas. Essas bases de dados apenas reúnem os materiais, não publicam. É uma forma de localizar essas produções de forma mais rápida. Uma grande base de dados aberta é a Google.
Não podemos falar sobre bases de dados abertas sem que mencionemos o Google. É lá que realizamos as nossas primeiras pesquisas quando queremos descobrir mais sobre um certo assunto. Temos o Google tradicional e o Google Acadêmico, sendo que este último reúne artigos científicos. Ambas são bases de dados, porém, as finalidades, em termos de conteúdo, são diferentes, mas as duas apresentam materiais que fornecem subsídios a um assunto. Tratam esses dados e analisam metadados antes de disponibilizarem essas informações. Há revistas que optam pela indexação desses materiais em bases de dados, visto que o acesso a eles pode ser mais rápido e fluido e outras que não. Por exemplo, hoje você pode acessar diretamente a Scielo e não conseguir obter um dado material. Isso está ligado às próprias limitações de cada base de dados. A Google consegue chegar a esses materiais de forma mais fluida.
Existem alguns mecanismos que lhe permitem mensurar se o seu artigo está chegando ou não até as pessoas, sejam elas acadêmicas ou não. Quanto mais acessado o seu material for, maiores serão as chances de que o seu material seja citado, o que aumenta o seu impacto enquanto pesquisador. Essa é uma das métricas que utilizamos para saber se o seu material tem chegado ou não. Também devemos chamar a atenção para o fato de que artigos publicados em bases de dados fechadas podem não ter o mesmo impacto do que aqueles publicados em bases abertas, visto que vivemos em um país em que poucas pessoas conseguem pagar para lerem esses materiais. Quanto mais fácil e viável for esse acesso, maior será o impacto do seu material, sobretudo em território brasileiro. O impacto é o elemento chave que tem sido utilizado para atribuir qualidade às revistas científicas.
Cada base de dados mensura esse impacto de forma diferente, e, desse modo, criam mecanismos específicos para medir esse impacto. A fim de que a equivalência seja compreendida, é preciso que entendamos um pouco como essas métricas funcionam. As bases de dados fechadas mais conhecidas, como é o caso da Web of Science e a Elsever, medem esse impacto a partir de um mecanismo chamado fator de impacto ou índice JCR. Mensura-se o impacto. Avalia-se o quanto essa revista, a partir do seu material, tem impactado a comunidade. A Google, por exemplo, enquanto base de dados aberta, mensura esse impacto de forma diferente. O índice da Google é conhecido como índice H. Esse índice em específico mensura o quanto as pessoas têm acessado e citado o seu material em um intervalo de tempo. O que fundamenta essa métrica é a quantidade de pessoas que estão citando esse material.
Durante muito tempo, a qualis foi usada como um fator decisivo para mensurar uma revista científica. Embora essa questão seja polêmica, a qualis nunca foi sinônimo de qualidade. Trata-se de uma série de mecanismos empregados a fim de que a produção científica dos cursos de pós-graduação sejam mensuradas. Contudo, essa compreensão ficou muito confusa, gerando uma série de embates. Assim sendo, muitas pessoas entendem que a qualis está medindo a qualidade de uma revista científica. Surgem, daí, algumas exigências postas pelos acadêmicos, de modo que passasse a exigir a publicação em revistas qualis A, por exemplo. O impacto será muito mais decisivo no futuro do que o nome ou conceito A da revista.
Embora essa realidade esteja sendo modificada, muitas instituições ainda estão presas a esses conceitos. Acreditam que a publicação em uma revista qualis A será mais interessante e que apenas essa nota é um fator decisivo. Contudo, essa nota não influencia em nada da vida do aluno. O que é interessante para ele e para a sua carreira é que esse material tenha impacto, isto é, que ele chegue até as pessoas e possa ser contabilizado a partir de métricas que mensuram tal impacto. Acreditamos que o impacto acabará sendo uma métrica universal, como já é fora do país. Muitos materiais são publicados, de modo que é preciso saber se eles têm, de fato, chegado até as pessoas.
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