Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje continuaremos as nossas discussões sobre os aspectos que fazem com que um pesquisador seja reconhecido como bom. Ao longo desta série, temos chamado a sua atenção para alguns pontos que consideramos cruciais para que nos tornemos referências naquilo que fazemos. Dentre eles, temos a capacidade de acreditar em nosso potencial, agir de forma humilde e resiliente e sabermos como fazer boas perguntas. Todos esses aspectos integram um grande conjunto de práticas diárias que devemos depreender a fim de que cheguemos a esse sucesso. Diante desse cenário, iremos discutir sobre um outro ponto que está muito atrelado a todos esses aspectos sobre os quais já conversamos ao longo dessa série. Estamos nos referindo às estratégias que fazem com que um sujeito tenha a postura de um pesquisador científico. Assim sendo, hoje, iremos apresentar esses elementos.
As pessoas que não acreditam em seu potencial e aquelas que se acham detentoras de toda a verdade integram um polo muito oposto. Não podemos recair na ideia de que nós sabemos tudo e nem na ideia de que tudo o que sabemos é insuficiente e que não serve. Os dois extremos são perigosos. Isso é de suma importância e tem tudo a ver com algo essencial à maturidade acadêmica: a experiência com a pesquisa. É a experiência que faz com que alcancemos todos os objetivos que estamos pontuando que podem lhe conduzir ao sucesso. Por mais que sempre estejamos estudando, aprendendo e conhecendo, sempre haverá algo novo a ser descoberto. A partir do momento que alcançamos uma certa idade, evoluindo enquanto pessoa, acabamos percebendo que há muito o que ser aprendido ainda. Quanto mais sabemos, mais dispostos precisamos estar para que aprendamos novas coisas.
A fim de que cheguemos a essa tão necessária profundidade, é preciso que nos atentemos a alguns aspectos. A primeira coisa que você deve saber é que todo bom pesquisador faz uso da terceira pessoa para garantir que o seu texto é imparcial. Assim, é preciso que você olhe para o seu objeto por meio desse distanciamento, empregando a terceira pessoa. Não podemos incorporar as nossas percepções a partir de uma linguagem pessoal (primeira pessoa, por exemplo). Pensemos em um exemplo: suponhamos que você esteja em um embate (discussão). Se naquele momento você estiver muito nervoso e brigando sem fundamentos, você não conseguirá assegurar a veracidade dos fatos que está defendendo, e, desse modo, não terá credibilidade. Assim, você não conseguirá agir da melhor forma possível. Por outro lado, se você analisar outra pessoa nessa mesma situação, conseguirá argumentar de uma forma melhor.
Quando olhamos para um fenômeno como um terceiro, deixamos de ser a pessoa que sente para ser a pessoa que analisa a situação. É muito mais fácil de opinar quando a situação ocorre com o outro, uma vez que estamos menos inflamados. O mesmo ocorre com a pesquisa científica. Para o exercício ser executado de uma melhor forma, aplique primeiro em uma situação de sua vida e depois na pesquisa. Olhando para esse objeto a partir de uma terceira pessoa, você irá começar a traçar uma linha de raciocínio. A partir do momento que você começa a trabalhar dessa forma, você estará executando aquilo que chamamos de distanciamento. As ações a partir daqui serão muito mais efetivas, já que há esse deslocamento que permite a imparcialidade, atribuindo credibilidade a sua discussão, já que ela é menos emocional e mais racional, logo, científica. Com isso, produz-se resultados científicos.
Feito esse exercício do distanciamento, você irá, agora, escolher uma linha de pensamento com a qual irá trabalhar. Suponhamos que você tenha como objetivo discutir sobre a gestão de pessoas, especificamente sobre a avaliação. Em primeiro lugar, você precisará ter um tipo de avaliação com a qual irá trabalhar, saber quais são os autores atuais que têm discorrido sobre esta temática, qual a origem dessa avaliação e qual a ótica que tem sustentado a sua linha de raciocínio sobre a avaliação. Ela pode advir de áreas diversas, como da administração, da psicologia, da psicanálise e de muitas outras. Deve ficar muito claro o que você está pretendendo com essa avaliação e onde deseja chegar. Na pesquisa científica, a fim de que qualquer assunto possa ser investigado e explorado, é preciso partir de uma linha específica. Por esse motivo, é muito importante que você a detalhe.
Deixar clara a linha de pesquisa com a qual está trabalhando é uma forma de demonstrar respeito, também, consigo mesmo. É uma forma, portanto, de se preservar enquanto pesquisador. Esse cuidado é muito necessário porque um pesquisador, ao ter contato com o seu material, poderá refutá-lo a partir do seu próprio ponto de vista. Quando desenvolvemos um trabalho que leva em consideração todos esses pressupostos aqui apresentados, conseguimos nos defender de qualquer argumentação contrária aos nossos estudos. A partir do momento que você menciona a abordagem que está norteando o seu estudo, o leitor não poderá questionar a falta de autores que não integram essa linha de raciocínio adotada. As pessoas podem lhe propor outros tipos de análise, porém, se você mencionar de onde está partindo, conseguirá refutar essa argumentação contrária ao seu estudo.
Quando reiteramos que é importante que aprendamos a nos defender, não estamos incentivando brigas. Cada um pode ter o seu ponto de vista, mas há argumentos que cabem e que não cabem em uma contestação. Você irá demonstrar que a sua análise está partindo de um ponto de vista específico. Os pesquisadores podem adotar pontos de vista diversos para os seus estudos, mas é preciso que nos atenhamos a linha de raciocínio por eles escolhidas. A dica que damos é: escolha uma linha de pesquisa específica com a qual irá trabalhar, mencione e construa o seu texto a partir dessa perspectiva específica. O caminho escolhido deve ser seguido do início ao fim, por mais difícil que possa aparentar ser. Com isso, é preciso que entendamos um pouco mais sobre um texto científico em construção. À medida que construímos uma produção e seguimos uma linha de raciocínio, algumas implicações devem ser consideradas.
Ao desenvolvermos uma pesquisa científica é muito comum que as coisas mudem durante o processo de construção. As leituras que fazemos são as principais responsáveis por fazerem com que consideramos coisas que ao menos haviam sido cogitadas de início. É essa a mágica da pesquisa. Nesse percurso, cada hora poderemos ter que lidar com uma novidade diferente, seja ela positiva ou negativa. Assim sendo, você precisará ponderar o que é interessante para esse estudo e o que não cabe agora e pode ser utilizado em um momento mais oportuno. Com isso, passamos a traçar novos caminhos de pesquisa dentro de um caminho previamente delimitado.
Todavia, é preciso tomar muito cuidado com isso, porque adotar novos caminhos pode não ser nada efetivo e, além disso, pode comprometer a exequibilidade do seu estudo. Trace uma linha de pesquisa com a qual irá trabalhar e aprofunde-se nela e em seus autores, teorias e conceitos. Tome muito cuidado para que esses conceitos e teorias a serem explorados sejam detalhados da melhor forma e para que estejam, de fato, ligados à ótica que está guiando o seu estudo. As pessoas que terão contato com o seu texto devem estar cientes acerca da perspectiva teórica que está norteando e conduzindo o seu estudo. Argumente com profundidade para que o seu texto tenha credibilidade e sustância.
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