Trata-se de um problema que é inerente a todo ser humano: o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade investigativa. O ser humano foi feito para argumentar, e, dessa forma, há uma certa tendência em não demonstrar de onde retira as bases que sustentam a sua argumentação, o que compromete a sua defesa. No trabalho científico, esse tipo de problema não é admitido. Devemos mencionar e citar as bases que norteiam a nossa argumentação. Por esse motivo, é fundamental que você registre tudo. Dizer se se trata de uma amostra, como ela foi coletada, quais as técnicas e instrumentos relacionados, quando foi aplicada, o público relacionado e o seu contexto, as marcas das ferramentas utilizadas, dentre outras questões. No mundo acadêmico, todas as escolhas devem ser justificadas e referenciadas. É uma forma de se proteger frente às críticas não construtivas.
No caso de testes com lâminas, por exemplo, é preciso tomar muito cuidado para que essas lâminas não sejam perdidas, assim como as suas principais características. Tudo precisa ficar armazenado. Se você não sabe qual é a ou as marcas dos equipamentos utilizados, a banca pode questionar as suas escolhas e você não terá como contra-argumentar. Essas falhas podem fazer com que toda a pesquisa seja perdida. Anote tudo. É melhor perder pelo excesso do que pela falta de informações. É normal que uma parte dos dados não seja utilizada, porém, é essencial que eles fiquem armazenados e seguros. Em uma coleta de dados, anote a maior quantidade possível de informações. Até mesmo no capítulo de fundamentação teórica, é crucial que você parta de uma metodologia sistematizada. Se antes lidamos com a escassez de informações, hoje precisamos lidar com o excesso.
Antes, era muito comum que as discussões partissem de conceitos e teorias de livros de autores célebres nas mais diversas áreas do conhecimento. Eram poucas as pessoas que faziam uso de artigos científicos. Hoje, a situação se inverteu e os artigos são poderosos aliados dos pesquisadores. Vivemos, atualmente, em uma sociedade muito informatizada e dinâmica, e, desse modo, é fundamental que tenhamos e partamos de critérios que sejam capazes de nos fornecer um bom embasamento. Há critérios rígidos para a coleta e escolhas. Questões como onde os materiais foram coletados, por que foram escolhidos, quem são os responsáveis por esses materiais etc. são aspectos que devem ser esquematizados de forma sistematizada. Na coleta de dados, independentemente de ser uma pesquisa de campo, de laboratório, pesquisas etnográficas e outros tipos, é crucial que você anote todas as informações.
Caso o seu estudo seja aplicado, é de suma importância que você elabore antes de qualquer coisa o projeto a ser submetido ao Comitê de Ética. Antes de qualquer coisa, é necessário verificar se a aprovação é necessária para que a pesquisa possa ser executada. Após a análise, o Comitê envia um parecer e aponta quais são os cuidados que o pesquisador deverá tomar para que a pesquisa garanta a sua validade. Nunca aplique uma pesquisa sem antes verificar se ela é válida. A melhor forma de saber se é preciso acionar o Comitê é levar em consideração que toda pesquisa que intervém na vida física ou psicológica de pessoas, precisa ser aprovada. Não são contempladas apenas pessoas, mas todo e qualquer ser vivo. Após isso, há um outro cuidado ao qual você precisa se ater: como utilizar os nomes das empresas e/ou dos sujeitos entrevistados.
Como citamos a pesquisa que desenvolvemos como exemplo, iremos apresentar o Termo que foi utilizado por nós. Em primeiro lugar, é preciso que esse Termo deixe claro que a pessoa que está sendo entrevistada deve estar ciente de algumas informações cruciais. Assim, é preciso que ela saiba que as respostas por ela conferidas serão utilizadas como base para o desenvolvimento de uma pesquisa científica. Também deve ficar claro que as suas respostas serão somadas às de outros entrevistados. Mesmo que essa pessoa não seja identificada, deve ficar claro no Termo que o entrevistado deve saber onde as informações serão inseridas. Tudo deve ficar claro e coerente ao colaborador. É ideal que você se comprometa a enviar a esses colaboradores os resultados da pesquisa, seja ela um artigo científico, uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado e afins.
O Termo em questão pode ser facilmente obtido na internet. Você perceberá que há uma série de modelos disponíveis na web. No caso de nossa proposta, quando submetemos o nosso projeto à Plataforma Brasil, será necessário que um pesquisador se responsabilize por essa submissão. Sempre haverá um pesquisador responsável pelo cumprimento das exigências cunhadas pelos avaliadores do Comitê de Ética. Desse modo, explicamos para a pessoa os objetivos da pesquisa: aqui, trata-se do convite à participação e contribuição com uma pesquisa científica. Nós escolhemos o modelo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP), que possui, inclusive, papel timbrado. É fundamental que seja esclarecido ao colaborador para o que serve esta pesquisa e quais são os seus objetivos. Abaixo desse esclarecimento, é preciso mencionar o título da pesquisa e o que será realizado com esta pesquisa.
No caso de nosso estudo, deixamos claro que se trata de uma pesquisa que visa analisar o estado emocional dos indivíduos durante o período de quarentena relacionada à pandemia provocada pela COVID-19 e qual é a influência dos exercícios físicos na vida desses indivíduos. Na sequência, esclarece-se o que será feito com este estudo, com o grupo de controle. Será aplicado um questionário (anamnese) com perguntas sobre este indivíduo, a serem respondidas a próprio punho. Também pretendeu-se aplicar o Teste de Depressão, Ansiedade e Stress (DASS-21). Ao final de quatro semanas, o Teste foi aplicado novamente. Independentemente da pesquisa, as suas etapas devem ficar claras ao colaborador. No caso do grupo que fará os exercícios físicos, também foram esclarecidas as fases da pesquisa e como seriam executadas. O colaborador precisará consentir com o estudo assinando o documento em questão.
Para que o Termo tenha validade, é preciso que a data seja corretamente mencionada e que a assinatura seja feita no lugar devido. O entrevistado apenas poderá participar desta pesquisa caso assine o documento. Esta é uma questão ética incontestável. Por fim, precisamos discutir sobre um último aspecto: o tempo e os prazos. É preciso que cada etapa da pesquisa tenha uma data para acontecer e que haja um cronograma rígido, pois é apenas dessa forma que a pesquisa não sairá de controle. É preciso que haja datas para o início, meio e fim do estudo. Todo o processo de entrevista e coleta de dados precisam de datas que devem ser seguidas à risca. Estamos chamando a sua atenção para esta questão porque precisamos pensar de forma estratégica, o que implica tomarmos cuidado com as nossas ambições.
Este é um ponto importante a ser ressaltado porque são certos prazos que fazem com que a pesquisa não perca a sua validade. Assim, todas as fases têm o momento certo para que ocorram e caso esses prazos não sejam respeitados, a pesquisa poderá ser fortemente contestada pela banca avaliadora e não será aprovada. Outro ponto que você deve considerar é o estabelecimento de prazos reais. Lembre-se, sempre, que você precisará tratar esses dados, então deverá haver tempo suficiente para coletar, tratar e analisar esses dados, o que demanda tempo e recursos. Também é preciso levar em consideração a disponibilidade daqueles que irão contribuir com o seu estudo e como chegará até eles. Questões espácio-temporais devem sempre ser tratadas com muita cautela e profundidade.
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