Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos discutir sobre os aspectos práticos que perpassam o processo de busca sistematizado que encontra o seu amparo no estado da arte. Em nosso primeiro post dessa série discutimos sobre alguns dos aspectos teóricos e metodológicos que alicerçam esta ferramenta. Hoje, iniciamos as nossas discussões mais práticas. Iremos apresentar o passo a passo para que você chegue aos melhores materiais para este tema específico que está desenvolvendo. Estamos levando em consideração que a maior parte dos alunos que ingressam na academia, seja no nível da graduação ou da pós-graduação, enfrentam dificuldades para entenderem de princípio o universo acadêmico e todas as suas regras e ferramentas. Muitos desses não sabem o que é o estado da arte, como delimitar um tema ou como realizar uma pesquisa sistematizada. É preciso conhecer o nosso tema.
Antes de começarmos a discutir sobre os aspectos práticos do estado da arte, há alguns aspectos que precisamos levar em consideração desde esse momento inicial. O primeiro passo é criar em seu computador uma pasta (após, iremos inserir algumas subpastas). Nomeie essa primeira pasta de “estado da arte”. Essa pasta tem como intuito ajudar você a organizar todos os materiais que está coletando, mesmo os materiais que não farão parte da sua pesquisa. O segundo passo é criar um documento no Word apenas para o estado da arte, uma vez que você precisará anotar tudo sobre o seu processo de coleta de dados. O interessante é que você nomeie seu arquivo já com o tema. No nosso caso: TEMA – ANSIEDADE. Anote, a partir desse momento, todos os passos da pesquisa. Pode ser que alguns deles não sejam usados, mas guarde todas as observações nesse arquivo.
Nesse momento, temos apenas uma ideia inicial sobre o tema que iremos desenvolver. São ideias preliminares. Caso seja possível, desde o seu projeto de pesquisa, é muito interessante que você deixe claro como chegou a este tema de pesquisa e quais variáveis levou em consideração. Você já terá pelo menos uma parte da sua justificativa. Geralmente, este primeiro estado da arte é mais amplo, então, caso queira incluí-lo em sua dissertação ou tese, poderá ter que afunilar um pouco mais esses resultados. O tema “ansiedade” é amplo, logo, os resultados serão muito amplos. Caso delimitemos um aspecto deste tema, os resultados serão mais delimitados, assim como o estado da arte. Esses resultados dizem respeito à quantidade de materiais que você obterá. Após criar o seu arquivo no Word e a pasta de estado da arte, é preciso que você saiba onde essa pesquisa será feita.
As bases de dados, assim como as bibliotecas físicas, compilam informações. Diante disso, as bases de dados acadêmicas indexam e compilam o conhecimento que pode ser útil especialmente para a academia. Existem algumas bases de dados acadêmicas, como é o caso da EBSCO, que insere materiais no campo da administração que não necessariamente são acadêmicos, por esse motivo, frisamos que esse conhecimento pode ou não ser útil. A EBSCO reúne, também, reportagens e papers. Não é muito indicado que este tipo de material seja utilizado em nossos textos, mas eles existem. A missão básica das bases é a compilação desse conteúdo científico. Algumas bases reúnem informações apenas de artigos científicos, outras, por sua vez, podem reunir, também, dissertações e teses. Cada uma reúne certos tipos de materiais. Iremos apresentá-las, começando com as bases de dados abertas.
As bases de dados se dividem entre abertas e fechadas. Basicamente, as bases de dados abertas partem do princípio de que você não precisa pagar para ler ou publicar o seu material científico, isto é, defende-se que o conhecimento deve ser gratuito e universal a todos. Essas bases, além de serem gratuitas, possuem fácil acesso, de modo que você poderá ler esses materiais de qualquer dispositivo eletrônico, como smartphone, computador, tablet e afins. A leitura pode ser feita em qualquer lugar do mundo e em qualquer horário. Na América Latina e na Europa, tem-se defendido, com afinco, que todas as bases de dados devem ser abertas. Contudo, há outra vertente que prega o contrário. Temos uma série de empresas internacionais, especialmente americanas, que defendem a comercialização do conhecimento. Desse modo, as empresas mantêm bases de dados fechadas.
Além do ano e dos autores envolvidos com a produção do artigo, você perceberá que este tipo de material possui uma estrutura fácil de ser identificada. Logo após os autores, há o título, seguido por um resumo bastante esclarecedor. O resumo dos materiais é o seu mais poderoso aliado neste processo de coleta. Ele faz com que não precisemos ler um artigo até o final para que decidamos se ele tem a ver ou não com os objetivos delimitados para a nossa pesquisa, bem como com o nosso problema de pesquisa. Retornando ao Google, há uma série de sites, divididos entre científicos e não científicos, que apresentam materiais sobre a ansiedade. Volte ao seu arquivo e mencione que o arquivo que acabamos de salvar foi retirado do Google. Esclareça até que ponto do Google você explorou. Temos 15 milhões de resultados, então o mais prudente é verificar os materiais até a página dez da pesquisa.
Esclarecendo essas etapas da pesquisa, caso seja questionado, conseguirá demonstrar que a pesquisa foi feita no Google normal, onde você teve acesso a quinze milhões de resultados e que a análise dos materiais considerou aqueles presentes até a décima página da busca. Também é preciso deixar claro que tipo de material foi escolhido. No caso de nossa pesquisa, foram selecionados aqueles que, de alguma forma, discorreram sobre os transtornos de ansiedade. Com isso, temos um dos critérios que irá atestar como as suas decisões foram tomadas. Para termos acesso a mais materiais, sempre digitamos as palavras-chaves em português e inglês. O processo será basicamente o mesmo, apenas tome cuidado para mencionar a quantidade exata de materiais retornados pelo Google e até qual página do Google você levou em consideração para a análise. 295 milhões de resultados foram retornados.
Independentemente do idioma desse materiais, o processo de pesquisa no Google normal é o mesmo. O mais importante é que você mencione a quantidade de materiais obtidos, o dia, mês e ano e a palavra-chave utilizada. São muitos os sites, é um fato. O desafio é aprender a separar os materiais científicos daqueles que podem ser facilmente refutados. Artigos científicos são os mais bem aceitos pela comunidade científica. Cada material escolhido deve ser anotado em seu material. Há dados essenciais sobre eles que devem ser apresentados, como título, autores, ano da publicação, de onde foi retirado, dentre outros aspectos. Deixar claro a página exata em que a pesquisa começou e terminou é essencial. O processo de busca deve ser bem detalhado, pois deve ficar claro ao leitor.
Todos esses aspectos sobre os quais conversamos até agora dizem respeito a um processo de busca que não aconteceu de forma aleatória, com base em achismos, partimos de critérios sérios. Contudo, estamos nos referindo apenas ao Google convencional. Parte dessas dicas podem ser aplicadas a qualquer busca sistematizada nas bases de dados diversas, porém, elas possuem as suas especificidades. Como é um tema amplo, ao longo dessa série de textos iremos esclarecer quais são essas peculiaridades. Embora o Google Acadêmico pertença ao Google, o processo de busca será um pouco diferente. Iremos retornar em nosso próximo post com as especificidades do Google Acadêmico.
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