Olá, tudo bem? Em nossa conversa de hoje iremos discutir sobre uma das estratégias metodológicas que mais pode lhe auxiliar durante o desenvolvimento do seu trabalho científico, seja na graduação ou na pós-graduação. Estamos nos referindo ao estado da arte. Como todas as ferramentas que temos à nossa disposição, muitos pesquisadores conhecem e desconhecem as vantagens deste método, o que abre portas para algumas críticas. Retomamos as nossas discussões pois há um tempo atrás fizemos um post sobre o estado da arte, qual a sua contribuição para as pesquisas, por onde começar, como realizar a pesquisa, quais bases de dados consultar e sobre os exemplos práticos para mapear esses dados. Contudo, é um tema muito amplo e ainda há diversas discussões que podem ser feitas sobre esta ferramenta. Para atualizarmos o nosso post, iremos apresentar novas dicas para que você execute o processo.
Diferentemente do que muitos pensam, um estado da arte não é realizado apenas quando o tema é muito amplo. Mesmo que você já tenha um tema delimitado em sua mente, a fim de que ele seja aprovado, o seu orientador pode requerer o estado da arte para verificar como você chegou a este tema e a essa lacuna de pesquisa. Esta não é apenas uma exigência pessoal do seu professor. O MEC e a CAPES possuem políticas rigorosas quanto à pesquisa científica e a sua execução. Tais órgãos requerem a apresentação do estado da arte. Isso ocorre porque o estado da arte irá garantir que você enquanto aluno é, de fato, um pesquisador. Com esta pesquisa do estado da arte, você irá comprovar que está por dentro daquilo que tem sido investigado em sua linha de pesquisa. O mais comum é que seja requerido o estado da arte em nível nacional, mas nada lhe impedirá de fazer uma coleta internacional, caso seja o objetivo.
O estado da arte é crucial pois é uma forma a partir da qual você pode demonstrar algumas questões importantes. Dentre elas, temos a compilação de alguns elementos que irão apontar o cenário de investigação nesta área específica com a qual está trabalhando. Retomemos o nosso exemplo da ansiedade. O pesquisador teria que demonstrar quem são os autores, revistas, universidades e linhas de pesquisa que têm se debruçado nesta temática. As abordagens e perspectivas, as escolhas metodológicas e as métricas devem ser apresentadas. O interesse de pesquisa nesta área também precisa ficar claro. O tema pode ser alvo tanto da medicina, quanto da psicologia (ou de áreas associadas às humanidades e à saúde). Os tratamentos indicados e os novos protocolos também devem ser apresentados. É uma forma de demonstrar todo um terreno que perpassa por este campo de investigação.
Realizar um estado da arte no início da pesquisa é recomendado pois você irá garantir que a sua pesquisa é inédita, de forma que não poderá ser contestada, pois você parte de argumentos para comprovar tal ineditismo. Com isso, você encontrará uma justificativa para o seu estudo, um problema de pesquisa relevante, atual e que impacta a vida real das pessoas e terá mais conhecimento sobre o que tem sido tratado neste campo. As lacunas são essenciais neste processo, pois irão fornecer essas respostas. Outra contribuição bastante interessante é que o estado da arte oferece uma série de metodologias válidas que você pode replicar em seu trabalho, sob outra perspectiva. Suponhamos que você encontrou um artigo, dissertação ou tese que propõe um protocolo para o tratamento da ansiedade e que os membros fazem parte de uma equipe multidisciplinar. Você irá se deparar com uma série de opções.
No caso de nosso exemplo, ele suscita uma série de questões que podem ser aperfeiçoadas, visto que o trabalho de forma multidisciplinar fomenta esses vários olhares sob uma mesma questão. O seu estudo, portanto, ficaria encarregado de melhorar este protocolo que tem sido colocado em prática por esta pesquisa que deseja replicar. Nesse caso, o seu interesse temático seria suscitado por uma investigação anterior que necessita de uma nova abordagem para que o protocolo mantenha a sua eficiência. Ao invés de desenvolver um trabalho que fala mais do mesmo (que a ansiedade é o mal do século), com o estado da arte, você irá apresentar todo um ambiente que promove uma continuidade sobre os estudos, demonstrando o ineditismo da sua própria pesquisa. Assim, o MEC e a CAPES têm enfatizado a importância do estado da arte.
Antes de nos atermos às questões práticas que irão garantir que cheguemos aos melhores materiais para este trabalho em específico, é de suma importância que você entenda o que é o estado da arte e o porquê de sua existência. Sem esse entendimento mais teórico, você não conseguirá colocar em prática as fases desta ferramenta. Deve ficar claro, portanto, que o estado da arte é uma forma de demonstrar como os pesquisadores têm debatido ao longo dos anos o seu tema de pesquisa e as linhas que perpassam por este tema delimitado e escolhido. O primeiro intuito da ferramenta sempre será o auxílio ao pesquisador para que ele compreenda e demonstre como os pesquisadores relacionam-se com este tema delimitado. Como resultados, demonstrarmos o cenário atual deste tema e porquê se encontra desta forma atualmente. O estado da arte também está relacionado à evolução temática.
No caso de nosso exemplo, apontar quais foram as pesquisas que discutem a respeito da ansiedade (incluindo o ano), os dados que justificam o aumento ou diminuição dos casos de ansiedade ao longo dos anos, a sua predominância nos dias atuais e os motivos para tal predominância e ao que esses motivos estão associados. O pesquisador poderia ter acesso a uma série de variáveis, como, por exemplo, o fato de que com o avanço do capitalismo, as pessoas passaram a ser mais ansiosas do que em outros momentos históricos. Os aspectos culturais à nível global despertam este quadro. Por volta da década de 1990, o problema passou a ser mais frequente. Agora, momento em que vivemos uma pandemia mundial, o problema é mais intenso ainda, visto que estamos em isolamento social. Com isso, temos uma crescente. Para demonstrar este aumento, é interessante fazer o resgate histórico.
Fatores como a idade e região podem lhe auxiliar a chegar a uma lacuna de pesquisa, visto que um tema abrange inúmeras possibilidades. Se você tiver uma idade, público-alvo, região e outros aspectos específicos em mente, precisará procurar por materiais que atendam aos seus próprios critérios. O mesmo vale para aqueles pesquisadores que buscam por uma ferramenta específica para diagnosticar se a população definida está com algum transtorno de ansiedade. O diagnóstico apenas poderá ser feito por meio de ferramentas válidas. É preciso chegar às ferramentas certas. Você pode chegar a essas ferramentas de uma forma mais rápida e eficaz realizando o procedimento do estado da arte. Por fim, há algumas outras questões que devemos esclarecer. Há quem entenda que o estado da arte trata-se apenas de uma ferramenta de pesquisa.
Essa demonstração é de suma importância porque, hoje, temos milhares de bases de dados, sendo que cada uma delas reúne uma imensidão de materiais que a cada segundo são publicados em todo o mundo. Há bases de dados que trabalham com revistas específicas, outras defendem o conhecimento aberto e abrangem mais revistas/pesquisadores. Em outros casos, as instituições às quais esses alunos estão vinculados defendem uma lógica de pesquisa específica que afeta o processo de publicação. Falar de onde esses materiais foram retirados é uma forma de atestar de onde você está falando.
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