Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje continuaremos a discutir sobre um aspecto de suma importância no âmbito acadêmico: as diferenças de compreensões sobre algumas etapas essenciais que fazem parte da pesquisa científica. Estamos nos referindo ao estado da arte, referencial teórico e revisão bibliográfica. Ao longo desse post iremos apresentar algumas características e as suas principais diferenças, visto que não são a mesma coisa, como muitos pensam. Como tudo na academia, alguns processos de pesquisa acabam recebendo nomes diferentes. Um dos exemplos mais comuns e polêmicos é o próprio estado da arte. Muitos professores acabam rejeitando o estado da arte por acreditarem ser algo pouco efetivo, mas, na verdade, já recomendam aos seus alunos, mas a ferramenta é conhecida por outro nome. Diante desse cenário, pretendemos esclarecer esses pontos que são cruciais à pesquisa.
O estado da arte serve para que você conheça quais são as produções sobre o tema que está sendo investigado em um período específico por você escolhido, é uma forma de comprovar o que tem sido investigado e debatido em sua área de atuação. Nem sempre o estado da arte irá contribuir com a sua revisão teórica ou bibliométrica. Isso se dá em virtude do fato de que o estado da arte, em certos contextos, é solicitado para que você seja capaz de comprovar de onde esses materiais foram retirados e quais foram os critérios levados em consideração, ou seja, é uma forma de justificar as suas escolhas. O estado da arte sempre é associado à justificativa de um trabalho científico. Para fazer o estado da arte, execute os seguintes passos: escolha uma base de dados, acesse ela, digite uma palavra-chave por vez no buscador e leia ou baixe o material que estará em HTML ou PDF.
A academia é permeada por uma série de perspectivas e práticas de pesquisa que são bastante múltiplas. Por meio do estado da arte é possível ter essa visão global. Além disso, é possível conhecer os núcleos de pesquisa dos quais esses pesquisadores envolvidos com a produção fazem parte. Existem núcleos de pesquisa que se especializam em um determinado assunto e, dessa forma, os pesquisadores que fazem parte desse núcleo acabam sendo associados a eixos temáticos expressivos a esse contexto de produção. Essas informações podem ser visualizadas por meio do estado da arte. Trata-se, então, de um processo de busca sistematizada, sendo que o objetivo é fazer com que o pesquisador fique inteirado acerca do que está acontecendo em sua linha de pesquisa. Tendo os materiais em posse, você poderá dar início a produção de uma série de materiais científicos, curtos ou extensos.
Existe um tipo de artigo científico que permite que o estado da arte seja completamente utilizado e publicado, porém, os resultados dessa busca podem ser aproveitados em qualquer tipo de estudo. A revisão bibliométrica é uma forma de expor os artigos, dissertações e/ou teses que têm sido apresentados nos últimos anos. Nesse processo, apresenta-se, inclusive, os dados sobre os locais onde esses materiais estão sendo veiculados. Apenas para recapitular: o estado da arte é uma forma de começar a pesquisa. Coleta-se materiais a partir de critérios de inclusão e exclusão bem definidos. Após, você irá organizar esses materiais em pastas. O estado da arte pode ser inserido em sua justificativa e esses mecanismos podem lhe ajudar a desenvolver o conteúdo do seu material. A primeira coisa que gostaríamos de destacar sobre o referencial é que você não precisa realizar esse tipo de busca sistematizada.
O referencial teórico não tem como objetivo apontar como o processo de busca foi realizado. O interesse em saber o que está sendo realizado na área ligada ao tema de pesquisa é o papel do estado da arte. O mais comum é que os materiais selecionados sejam de três a cinco anos atrás, porém, tudo depende da dinâmica da área da qual o pesquisador faz parte. Esse recorte pode ser maior ou menor. Contudo, no referencial teórico não há o interesse em explicar como você chegou até esses materiais. No referencial teórico temos como objetivo principal demonstrar as teorias e conceitos que irão fornecer base para os nossos estudos. Para defender o seu ponto de vista, deve-se recorrer a esses conceitos/teorias previamente coletadas. Ao escolher essa teoria/conceito com o qual iremos trabalhar, é preciso que apontemos a ótica que está sendo seguida.
Suponhamos que, em seu estudo, você tenha o objetivo de trabalhar com a análise do discurso. Assim como qualquer linha de pesquisa, a análise do discurso possui vertentes distintas e é preciso escolher e seguir uma específica, visto que os pontos de vista defendidos são distintos. Após escolher a vertente de análise do discurso com a qual deseja trabalhar, é preciso escolher os autores que fazem parte dessa mesma linha de raciocínio. Após, escolhe-se as obras, sejam elas artigos, livros, dissertações ou teses. O referencial teórico, portanto, é o momento em que você irá embasar as suas reflexões recorrendo a conceitos e teorias. Esse processo é bastante parecido com o que costumamos fazer em uma revisão de caráter bibliográfico. Você pode fazer uma revisão bibliográfica a partir do estado da arte, porém, caso tenha interesse, pode fazer essa revisão a partir dos materiais que foram coletados de forma aleatória.
As duas abordagens são bastante parecidas. Essas diferenças tornam-se ainda mais evidentes quando recuperamos o conceito de embasamento teórico, contudo, deve ficar claro que pode ser que o entendimento do seu professor seja diferente. É sempre pertinente buscar compreender o que o seu professor está entendendo quando solicita um dado tipo de trabalho. Entretanto, com base no significado da palavra “referencial teórico”, podemos depreender que essa etapa da pesquisa irá apresentar referências sobre o tema que está sendo desenvolvido. Para isso, é preciso recorrer a uma teoria ou conceito para que essas reflexões não sejam meros achismos. Por esse motivo, é de suma importância compreender o que é o embasamento e quais são as variáveis que estão em jogo. A diferença, embora mínima, existe. Os termos referencial e revisão apontam para sentidos diferentes que devem ser compreendidos.
Quando há a necessidade de se referir a esse capítulo teórico ou de requerer aos alunos essa produção, há alguns termos que se tornam mais predominantes nos discursos desses professores-orientadores. Os mais comuns são: marco teórico, referencial teórico, fundamentação teórica, revisão bibliográfica e revisão de literatura. Todos esses processos apontam para uma mesma ideia: o desenvolvimento teórico do material científico em produção. Essas práticas têm uma mesma finalidade: fazer com que o pesquisador argumente de forma científica sobre o tema em questão. Para tanto, apresenta-se o contexto que perpassa pelo assunto em debate, irá encontrar as teorias e conceitos que irão permitir a análise de variáveis e irá se espelhar em materiais que foram desenvolvidos dentro dessa temática. Esses autores precisam fornecer base para que você seja capaz de argumentar com a sua própria pesquisa.
Se você se encaixa nesse tipo de situação, há alguns aspectos que você deve levar em consideração para que o seu texto possa vir a ser aprovado. Ao invés de fazer os apontamentos com base na ordem que julgar ideal para contrapor as ideias dos autores, você precisará fazer essa discussão de forma cronológica, de modo que as reflexões deverão obedecer o que foi debatido ano a ano para que a revisão seja, de fato, sistemática. As discussões dos textos mais antigos aparecem em primeiro lugar, de modo que as mais recentes aparecem ao final da revisão teórica. Busque compreender a forma como o seu texto deverá ser construído.
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