Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre o universo das citações. Como temos elencado ao longo de nossas conversas, todo material científico seguro e de qualidade pode e deve ser citado para que sua pesquisa tenha o que chamamos de embasamento. A fim de que as nossas afirmações não sejam meros achismos, podemos recorrer às citações para que atribuam credibilidade àquilo que falamos e defendemos. Hoje iremos falar sobre um tipo de material que você pode desenvolver ou citar. Estamos nos referindo às apostilas. O fato de esta ser um interesse comercial ou requerida para um dado fim também é uma questão primordial. A pauta de hoje surgiu de uma dúvida, em que o pesquisador deseja desenvolver uma apostila para compilar os resumos dos principais temas que caem em um certo concurso público, quer-se saber se ideias próprias podem ser inseridas.
A fim de que essa discussão fique mais fluida, separamos dois modelos de apostilas que você pode desenvolver. Um desses modelos possui uma inclinação mais prática e o outro é mais teórico (acadêmico). Quando precisamos desenvolver um trabalho final desse tipo, precisamos pensar na finalidade. Nem sempre as apostilas destinam-se aos acadêmicos apenas, mas sim às pessoas que estão se preparando para concursos públicos, por exemplo. A depender do contexto, nem sempre essas apostilas precisam fazer uso de citações. Contudo, todas as vezes que você cita autores em seu material, você atribui a ele mais credibilidade e seriedade. A depender do seu público, caso ele parta de dados embasados, este público conseguirá confiar mais naquilo que está defendendo. Isso decorre do fato de que você está utilizando fontes de professores e pesquisadores que se dedicam de forma integral aos aspectos desse tema.
Se a sua inclinação é comercial, em que você apresenta essa apostila para um cliente final, empresa e afins, o trabalho tende a ser mais prático, porém, ele não deixa de ser acadêmico, uma vez que não dispensasse o uso das citações. Assim, separamos um material que é mais prático e simples para o caso de esse ser o seu objetivo. Contudo, algo que gostaríamos de destacar, também, é que você pode trabalhar com esse mesmo material nos dois sentidos (prático e acadêmico). Por exemplo, se você pegar os relatórios da FGV e do próprio INEP, irá perceber que tentam passar uma sensação de confiança, e, em razão dessa necessidade, para que possam apresentar os seus argumentos e mesmo as análises, buscam na literatura correspondente o embasamento necessário para tal. Os dados são buscados em fontes consideradas como consagradas para que não restem dúvidas ao leitor.
O primeiro exemplo que separamos é uma apostila intitulada de “Matemática e as suas tecnologias”. Como ela destina-se aos estudantes do Ensino Médio, possui uma linguagem mais simples. É composta por duzentas e quarenta e quatro páginas, sendo que essa elaboração pode ter inúmeros fins e objetivos. A primeira informação apresentada é a capa. Logo de início, vislumbramos que foi elaborada pelo INEP, apontando-se, inclusive, a cidade e estado em que foi elaborada. Na sequência, podemos visualizar uma quantidade significativa de pessoas envolvidas com essa elaboração, seja com as ilustrações, com os aspectos editoriais, integrando a coordenadoria técnica e os próprios professores da área. Há, ainda, os envolvidos com a apresentação de uma leitura crítica acerca do material para avaliar se este poderia ser disponibilizado e estava de acordo com o público-alvo, dentre outros colaboradores.
Começamos com o sumário. A primeira coisa que gostaríamos de destacar é que cada capítulo foi desenvolvido por um professor. Você irá perceber que cada um deles apresenta um panorama conceitual acerca do que o aluno precisaria aprender em relação ao tema apresentado. Os objetivos da apostila, portanto, aparecem como capítulos nessa apostila. Tem-se, por exemplo, a matemática na construção da humanidade; a lógica e argumentação na prática da matemática; as grandezas no dia a dia etc. Enfim, deve ficar claro que cada professor ficou responsável pela elaboração de um capítulo dessa apostila. Logo na introdução você irá perceber que os objetivos com essa elaboração são apresentados, porém, por outro lado, não há preocupação com um problema de pesquisa ou com métodos. Trata-se de uma construção linguístico-textual bem simples e objetiva, voltada aos estudantes do Ensino Médio.
No capítulo um desta apostila em específico temos a matemática enquanto elemento balizador da construção da humanidade. O objetivo deste capítulo é apresentado logo abaixo do título: compreender a matemática enquanto construção humano, relacionando-a com seu desenvolvimento e com a transformação da sociedade. O nome da professora responsável por conduzir tais discussões é apresentado logo abaixo. Com isso, podemos discutir sobre a organização textual deste capítulo. Em razão do público-alvo, a professora explorou bastante as figuras, introduzindo-as a todo o momento para a discussão ficar mais clara e atrativa. O material não está nas normas da ABNT, visto que a professora faz uso de normas próprias. O trabalho é direcionado aos estudantes do Ensino Médio, e, devido a isso, houve uma preocupação notória em trazer uma maior ludicidade ao texto. Não segue as normas próprias da academia.
Uma vez que as apostilas não precisam passar por qualquer tipo de avaliação, isto é, por uma banca, acaba sendo menos rígido, já que não precisa desse aval para que possa ser disponibilizada. Estamos chamando a atenção para esse ponto porque essa é uma das grandes dúvidas e dificuldades daqueles que desejam desenvolver uma apostila ou, ainda, que, dada a finalidade do curso de mestrado ou doutorado profissional, precisam produzir essa apostila enquanto produto final. Algo que precisamos reiterar, também, é que essa apostila, assim como aquelas desenvolvidas nesses programas, voltam-se ao contexto educacional, direcionada a um perfil de alunos. Contudo, as apostilas em questão divergem em relação às suas preocupações. A linguagem dessa apostila é mais fácil, sem citações, com uso expressivo de recursos visuais. A própria exploração desses recursos visuais não é rígida, visto que as figuras nem são intituladas.
Um dos aspectos que mais distanciam as apostilas acadêmicas dessas mais simples é a despreocupação quanto ao uso de fontes. É notório que os professores envolvidos não se preocuparam em procurar por essas fontes e mencioná-las enquanto citações diretas e indiretas. Não há quaisquer menções acerca de onde estão retirando essas informações. As explicações costumam ser apresentadas de forma objetiva e breve, de modo que os alunos são estimulados a colocar tais explicações em prática por meio de exercícios. Embora, nesse caso, tenhamos a apostila feita por uma instituição governamental, não há qualquer tipo de preocupação com a linguagem e o embasamento. Além disso, gostaríamos de apresentar um outro exemplo de apostila mais simples. Como produto final de um programa de pós-graduação, nós e nossos parceiros desenvolvemos um produto resultado de nosso grupo de pesquisa.
Livros também são produtos finais que podem promover um assunto de uma forma mais simples e didática. O tema é voltado à educação física e à educação profissional tecnológica. É um livro que originou de um produto final desenvolvido em um programa de pós-graduação, porém, foi adaptado a uma nova linguagem. Ele volta-se, aqui, aos profissionais que atuam na pós-graduação ou na educação profissional tecnológica. No primeiro exemplo tínhamos uma apostila que não se vinculava a nenhum programa de pós-graduação e aqui, nesse outro, uma que adveio desse meio. Assim sendo, nossa apostila volta-se aos professores que se enquadram nesses dois contextos acadêmicos. Foram as discussões feitas no grupo de pesquisa envolvido que deram origem a essa apostila. A estrutura é bastante semelhante a do primeiro exemplo, porém, há algumas especificidades que devem ser levadas em consideração.
Embora a linguagem seja notoriamente mais acessível, o texto é composto a partir de citações diretas e indiretas, sendo esse mecanismo empregado para atribuir mais credibilidade às informações ali colocadas. A diferença entre os dois modelos de apostila é que no primeiro exemplo, em virtude de o público-alvo ser estudantes do Ensino Médio, as explicações eram mais práticas e breves, acompanhadas de exercícios para fixar esses conteúdos aprendidos. No segundo exemplo ocorre o contrário, de modo que a ludicidade não é tão evidente, visto que apresenta-se discussões com uma inclinação mais teórica acerca do assunto que está sendo investigado. A ideia, aqui, é a apresentação de algumas alusões relacionadas ao contexto da Educação Física nos cursos profissionalizantes, de modo que todo o contexto da área em questão é apresentado de forma profunda e detalhada.
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