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O Computador como Ferramenta no Ensino e Aprendizagem de Biologia e Química: Conceitos e Perspectivas de Professores e Estudantes de uma Escola Pública de Sinop-MT

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O Computador como Ferramenta no Ensino e Aprendizagem de Biologia e Química: Conceitos e Perspectivas de Professores e Estudantes de uma Escola Pública de Sinop-MT
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BATISTELLA, Jefferson [1]

BATISTELLA, Jefferson. O Computador como Ferramenta no Ensino e Aprendizagem de Biologia e Química: Conceitos e Perspectivas de Professores e Estudantes de uma Escola Pública de Sinop-MT. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 04, pp. 52-67, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Este artigo é resultado de uma pesquisa desenvolvida na Escola Estadual “Professora Edeli Mantovani”. Nesta pesquisa, a proposta era conhecer os conceitos e perspectivas dos professores da área de Biologia e Química e estudantes de segundo e terceiro anos do ensino médio sobre a utilização do Computador como Ferramenta no Processo de Ensino e Aprendizagem de Biologia e Química. Utilizamos os pressupostos da pesquisa qualitativa, com a aplicação de questionários para os estudantes e professores de Biologia e Química do ensino médio na Escola Estadual “Professora Edeli Mantovani”. Com base nos dados coletados, verificamos que os professores e estudantes admitem a importância da utilização do computador como recurso didático. Os estudantes pesquisados expressaram o desejo de que os professores de Biologia e Química utilizem o computador com mais freqüência em suas práticas educativas, pois é prático interessante e divertido, eles acreditam que facilita o aprendizado dos conteúdos, por isso sugerimos que as instituições formadoras invistam mais na formação continuada de professores, principalmente na área de Biologia e Química, para inserção das novas tecnologias em suas experiências educacionais.

Palavras-chave: Computador, Ferramenta Pedagógica, Práticas Educativas, Ensino e Aprendizagem de Biologia e Química.

1. Introdução

Século XXI, a era da globalização, onde a informação é obtida através de alguns cliques do mouse explorando o universo chamado internet, e o conhecimento repassado de várias formas, em vários lugares ao mesmo tempo, onde o computador é a forma mais ágil e global que existe atualmente, em fim quando usado de uma forma inteligente se torna uma verdadeira ferramenta de transmissão de conhecimento e informação. O sistema educacional Brasileiro não poderia deixar de se adaptar as novas tendências mundiais.

Através da metodologia qualitativa percebemos que os professores encontram dificuldades para utilizar o computador como ferramenta pedagógica nas suas aulas e que os estudantes demonstram desejo da utilização de computadores pelos os professores de Biologia e Química como ferramenta pedagógica em suas aulas.

O uso do computador como uma ferramenta no ensino e aprendizagem não é a solução “brilhante” para formação de um estudante, mas é um grande avanço.

A escola e os professores devem oferecer a seus educandos os recursos disponíveis nos seus meios. Recusar esta possibilidade significa omissão e não cumprimento da missão principal do educador; preparar cidadãos proativos para um mundo cada vez mais competitivo e, infelizmente, com grandes disparidades sociais (TAJRA, 2001 p.10).

Tendo como referencial teórico TAJRA (2001), VALENTE (1997 e 1999) e NEVES (2003) que demonstram, a partir de argumentações fundamentadas, a eficácia da utilização de computadores no processo de ensino-aprendizagem, este trabalho revela a importância do tema.

Percebemos, também, com este trabalho, a possibilidade de contribuir no processo de superação e desmistificação sobre a utilização do computador no processo de ensino e aprendizagem, a partir do acesso a discussões e reflexões sobre o uso dos computadores na escola.

Este artigo além da seção introdutória possui a Seção 2, demostrando os Objetivos deste artigo. Na seção 3, são os Materiais e métodos optados, A seção 4 Resultados e Discussões apontadas pela pesquisa realizada, na seção 5, são feitas as conclusões, conceitos e perspectivas para realização de trabalhos futuros e na seção 6, o embasamento teórico da pesquisa.

2. Objetivo

Apresentar quais os conceitos e perspectivas que os professores e alunos possuem sobre a utilização do computador como ferramenta de apoio no processo de ensino e aprendizagem referente à disciplina de Biologia e Química.

Realizar uma reflexão crítica sobre a utilização dos computadores como uma ferramenta pedagógica no ensino e aprendizagem de Biologia e química.

Contribuir no processo de superação e desmistificação sobre a utilização do computador no processo de ensino e aprendizagem, a partir do acesso a discussões e reflexões sobre a informática na escola.

3. Material e métodos

A pesquisa ocorreu no ano de 2010 e a metodologia utilizada para desenvolvimento da pesquisa foi qualitativa, estruturada em diferentes fases. A primeira fase constituiu-se em explorar a literatura que trata da temática desta pesquisa para a realização das análises e reflexões. Para a efetivação da pesquisa de campo foram feitas observações em salas de aulas priorizando, assim, os pressupostos da pesquisa qualitativa, visto que esta acontece no ambiente natural dos sujeitos pesquisados.

Segundo Chizzotti (1991) a primeira fase consiste em determinação da pesquisa, é a delimitação da pesquisa, identificando os problemas e objetivos.

A segunda fase da pesquisa iniciou com a coleta de dados, realizada em um contexto de relações onde todos os sujeitos foram observados.

A terceira fase consistiu na estratégia de ação, onde foram analisados os dados e os resultados desta análise, submetidos a reflexões.

A pesquisa qualitativa costuma ser direcionada ao longo de seu desenvolvimento, além disso, não busca enumerar ou medir eventos e, geralmente, não entrega instrumental estatístico para análise dos dados; seu foco de interesse é amplo e parte de uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador como a situação objeto de estudo (NEVES, 1996).

Na abordagem qualitativa existe uma relação entre o sujeito e o objeto de pesquisa. “O sujeito é parte do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos, atribuindo-lhes um significado” (CHIZZOTTI, 1991, p.75).

Para o processo de coletas dos dados, foram utilizados questionários semiestruturados aplicados a 180 estudantes e entrevistas semiestruturadas junto ao grupo de 2 professores da área de Biologia e 2 professores da área de Química na Escola Estadual “Professor Edeli Mantovani”, com a finalidade de identificar os conceitos e perspectivas dos professores e estudantes sobre a utilização do computador nas aulas da respectiva área.

Como estratégia para a pesquisa de campo optou-se por três etapas, como forma de garantir a leitura da realidade estudada a saber:

Na primeira etapa utilizou-se do mecanismo de observação de aulas, independente da disciplina, pois nesta fase o objetivo era o de conhecer os estudantes, a realidade da escola, a vivência pedagógica dos professores e suas relações.

Na segunda etapa ocorreu a coleta de dados, utilizando os questionários para os estudantes e professores de Biologia e Química de ensino médio (2º e 3º anos) do período noturno da Escola Estadual “Professor Edeli Mantovani”.

4. Resultados e discussão

Política de introdução dos computadores no contexto educacional

Segundo Valente (1999) a ideia de utilizar o computador no contexto educacional veio junto com sua comercialização em 1958 quando foi utilizado pela primeira vez, como experiência no auxílio da aprendizagem no Centro de Pesquisa de Watson da IBM e na Universidade de Illinois-coordinated Science Laboratory.

A introdução dos computadores na educação do Brasil conforme Valente (1999) teve influência dos Estados Unidos que utilizava os computadores principalmente como máquina de ensinar, ou melhor, para instruir o estudante sobre o manuseio e técnicas de digitação.

Com a implantação do projeto piloto em Universidades, com caráter experimental, cujo alvo era subsidiar a futura Política Nacional de Informatização da Educação, como explica Valente (1997):

No caso da Informática na Educação as decisões e as propostas nunca foram totalmente centralizadas no MEC. Eram fruto de discussões e propostas feitas pela comunidade de técnicos e pesquisadores da área. A função do MEC era a de acompanhar, viabilizar e implementar essas decisões. Portanto, a primeira grande diferença do programa brasileiro em relação aos outros países, como França e Estados Unidos, é a questão da descentralização das políticas. No Brasil as políticas de implantação e desenvolvimento não são produto somente de decisões governamentais, como na França, nem consequência direta do mercado como nos Estados Unidos.

Com o surgimento do projeto COMputadores na EDUcação (Educom) lançado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pela Secretaria Especial de Informática em 1983. Foi possível criar centros pilotos em Universidades brasileiras.

As primeiras experiências da informática na Educação Brasileira aconteceram na década de setenta. “Em 1971, discute-se o uso de computadores no ensino de física em seminários promovido em colaboração com Universidade de Dartmouh/ USA” (MORAES, 1997). 

Com as transformações que estavam ocorrendo nesse período, o Brasil começa a buscar meios para a informatização, acreditando “[…] que a tecnologia não se compra, mas é criada e construída por pessoas” (MORAES, 1997).

Conceitos e perspectivas dos professores sobre o uso do computador no processo de ensino e aprendizagem de biologia e química

Existem várias discussões sobre como utilizar recursos computacionais na educação. “O grande aspecto a considerar é que muitos pesquisadores defendem que a utilização de computadores no processo de aprendizagem pode mudar os paradigmas educacionais atuais” (MEDEIROS FILHO e CINTRA, 2001).

Ao utilizar as novas tecnologias para mediar o processo de ensino e aprendizagem da Biologia e da Química, o professor necessita estar em constante estudo e aberto às mudanças, é a saída da zona de conforto.

Analisando a resposta dos professores.  Observamos que três professores não tiveram participação em projeto de pesquisa ou formação direcionada para o uso do computador na educação. Para que o professor possa utilizar do computador que é uma ferramenta pedagógica multidimensional, para facilitar o aprendizado do estudante o mesmo deve possuir uma formação sem isso dificilmente cumprirá com o seu papel de professor e educador que é também facilitar o aprendizado do aluno.

Sobre este pensamento, Valente (1999, p.84) comenta que:

O professor necessita ser formado para assumir o papel de facilitador dessa construção de conhecimento e deixar de ser o “entregador” da informação para o aprendiz. Isso significa ser formado tanto no aspecto computacional, de domínio do computador e dos diferentes softwares, quanto no aspecto da integração do computador nas diferentes atividades curriculares. O professor deve ter muito claro quando e como usar o computador como ferramenta para estimular a aprendizagem. Esse conhecimento também deve ser construído pelo professor, e acontece à medida que ele usa o computador como seus estudantes e tem suporte de uma equipe que fornece os conhecimentos necessários para o professor ser mais efetivo nesse papel. Por meio desse suporte, o professor poderá aprimora suas habilidades de facilitador e, gradativamente, deixará de ser o fornecedor da informação, o instrutor, par ser o facilitado do processo de aprendizagem do estudante o agente de aprendizagem […].

Compreendemos que todos os professores devem assumir o papel de facilitador na construção do conhecimento e a utilização do computador como ferramenta no processo de ensino e aprendizagem é cumprir com o seu papel.

Acreditamos pelas respostas dos professores que sem dúvida o computador é uma ferramenta muito importante e útil no processo de ensino e aprendizagem principalmente na disciplina de Biologia e Química.

Concepção dos estudantes do ensino médio sobre o computador como uma ferramenta de apoio nas aulas de biologia

Para saber se estes estudantes tinham acesso ao computador, perguntamos se possuíam computador em casa (figura 4).

Dos 180 estudantes participantes da pesquisa sessenta e dois dele, ou seja, 34,4% tinham computadores em seus lares e cento e dezessete (65%) a maioria não possuíam e um (0,6 %) não responderão a este questionamento.

Observamos que a escola “Professora Edeli Montovani” tem um número bastante auto de estudantes que não possuem computadores, então a escola como democratizadora do ensino e incentivadora de pesquisas deve criar meios que proporcione os estudantes a utilizarem os computadores durante as aulas, para a maioria dos estudantes, a pouca oportunidade para o manuseio e acesso dos computadores.

Dezesseis estudantes responderam que jamais utilizaram o computador em outros lugares, conforme demonstra a figura 2.

Figura 2: Utilização de computadores por estudantes que não possuem essa tecnologia em seus domicílios.
Figura 2: Utilização de computadores por estudantes que não possuem essa tecnologia em seus domicílios.

Perguntado sobre a satisfação quando utilizavam o computador observamos que a maioria demonstrou uma relação prazerosa com esta tecnologia, como podemos perceber na figura 3 e nas declarações abaixo:

Figura 3: Satisfação quanto à utilização de computador.
Figura 3: Satisfação quanto à utilização de computador.

Sobre os estudantes possuírem algum curso de computação, a maioria 100 estudante possui algum curso sobre como utilizar o computador, 77 não possui nenhum curso relacionado com a computação e 3 não responderam. Observe a figura 4.

Figura 4: Possuem curso de computação.
Figura 4: Possuem curso de computação.

A maioria possui curso básico de computação, ou seja, operador de computado.

Quando perguntamos se o estudante gosta de estudar Biologia, 145 responderam que gostam, 33 disseram não gostar e 2 estudantes não responderam

Figura 5: Satisfação em estudar Biologia.
Figura 5: Satisfação em estudar Biologia.

Quando perguntamos se o estudante gosta de estudar Química, 102 responderam que gostam, 72 disseram não gostar e 6 estudantes não responderam  como podemos perceber nas declarações abaixo e na figura 6:

Figura 6: Satisfação em estudar Química.
Figura 6: Satisfação em estudar Química.

Quando perguntados se já tinham usado o computador para facilitar o aprendizado dos conteúdos de Biologia 51 estudantes responderam que sim, 123 não e 6 não responderam,  quanto a disciplina de Química 49 responderam que sim e 128 não e 3 em branco. Observamos a figura abaixo:

Figura 7: Utilização do computador na Biologia
Figura 7: Utilização do computador na Biologia
Figura 8: Utilização do computador na Química.
Figura 8: Utilização do computador na Química.

Foi questionado aos estudantes que responderam sim na questão anterior quais os conteúdos de Biologia e Química recordavam terem utilizado o computador. Observamos algumas dos conteúdos descritos:

Descrições dos conteúdos de Biologia que ocorreu a utilização do computador:

Sobre os animais.
Sobre vírus, fungos e diversos outros.
Ser Humano

Descrições dos conteúdos de Química que ocorreu a utilização do computador:

Átomos.
O petróleo e gases Carbônicos.
Pré- Sal.
Para pesquisar, quem inventou a química.
Sobre o Petróleo, gás natural, carvão etc…
Formação, composição e utilização do petróleo.

Sobre a utilização de softwares nas aulas de Biologia e Química, 13 estudantes que afirmaram ter utilizado, 162 responderam que não e 5 não responderam. Os programas citados são: Word, PowerPoint, Excel, a maioria deixou em branco a justificativo do sim. Acreditamos que a grande quantidade dos estudantes não sabe o que é um software ou programa, por isso da obtenção desde dados.

Quando os estudantes foram questionados se o computador facilita a aprendizagem dos conteúdos na disciplina de Biologia e Química, 146 foram favoráveis optaram pelo sim, 24 foram contrários optaram pelo não e 10 deixaram a questão em branco, observamos as descrições abaixo e a figura 9:

Figura 9: O computador enquanto facilitador da aprendizagem dos conteúdos de Biologia e Química.
Figura 9: O computador enquanto facilitador da aprendizagem dos conteúdos de Biologia e Química.

 

Observando as respostas dos estudantes e a figura 9, verificamos que estes (a maioria) acreditam que o uso do computador facilita a aprendizagem dos conteúdos ensinados na disciplina de Biologia.

Finalizando perguntamos aos estudantes se os mesmos possuíam o desejo que os professores trabalhassem mais os conteúdos de Biologia e Química, utilizando o computador, a maioria 161 afirmaram que gostariam 17 disseram que não gostariam e 2 deixaram em branco, observe os comentários dos estudantes e a figura 10:

Figura 10: Desejo que os professores trabalham mais os conteúdos de Biologia e Química utilizando o computador.
Figura 10: Desejo que os professores trabalham mais os conteúdos de Biologia e Química utilizando o computador.

Mesmo que muitos professores de Biologia e Química se negão a utilizar o computador em suas aulas porque segundo Kenski (1996 p. 135) apresenta “a maioria dos professores não sabe utiliza-los, nunca aprendem”, fato este que repercute negativamente na utilização do computador na escola, o desejo que isso aconteça por parte dos estudantes é intenso, e acreditamos que os professores se sensibilizaram para a utilização desta ferramenta pedagógica multidimensional no ensino e aprendizagem de Biologia e Química.

Análise a partir das respostas dos professores e estudantes

A utilização do computador enquanto ferramenta de apoio no processo de ensino e aprendizagem de Biologia e Química é um fato percebido, pelos envolvidos na pesquisa, enquanto uma possibilidade de melhorar o processo de compreensão dos seus conteúdos inerentes às áreas. Neste sentido, podemos nos perguntar por que os Professores de biologia e Química ainda não optaram por uma prática pedagógica que faça dessa tecnologia uma ferramenta auxiliar, mesmo tendo disponível em suas unidades escolares laboratório de informática?

Notamos um grande percentual dos estudantes que não possui uma instrução (Cursos) para manipulação do computador, os professores quanto à participação em projeto de pesquisa ou formação direcionada para o uso do computador na Educação três nunca participaram, um afirma ter participado e aponta que é importante para sua formação profissional. Observando estas informações podemos apontar uma das possibilidades por que os professores não optaram por uma prática pedagógica que faça do computador uma ferramenta auxiliar, não se sente apto e seguro para ministra as aulas de Biologia e Química usando o computador como ferramenta pedagógica, mas o que obtemos na resposta é que todos os professores se sentem aptos e seguros, como o docente que não tem preparo direcionado para o uso do computador na Educação, ou descreveu nos questionário que nunca utilizou o computador em suas aulas pode se sentir apto e seguro? Conforme analisa Silveira (2001, p.33):

Não basta levar computadores para a escola. É preciso discutir seu uso didático-pedagógico e buscar incorpora-los ao processo de ensino e de aprendizagem. Também é necessário formar adequadamente professores capazes de ensinar informática para evitar a subutilização dos laboratórios.

Observamos durante o processo investigativo a partir de conversas junto aos professores, coordenação e direção, além da leitura dos planejamentos e projetos desenvolvidos na Escola Estadual Professora Edeli Mantovani, que a maioria dos mesmos percebem no computador a possibilidade de se desencadear ações para implementar uma educação tecnológica, tão necessário nos dias atuais.

Tivemos clareza que a maioria dos estudantes gostam de aprender Biologia e Química, os que não gostam, reclamam que não entendem os conteúdos destas disciplinas, pois são complicadas. Poderiam os professores da Escola Estadual Professora Edeli Mantovani utilizar o computador para facilitar o aprendizado dos conteúdos para que os mesmos sentissem atraídos e conseqüentemente gosta-se das disciplinas citadas e aumentar ainda mais o interesse e o prazer dos estudantes que já Gostam de aprender Biologia e Química.

O ProInfo se propôs a introduzir os computadores em todas as escolas públicas, porém esta meta não se concretizou. Entendemos que as escolas contempladas pelo programa, necessitam estimular o desenvolvimento de ações voltadas para o uso desta tecnologia. Entretanto, para que ocorra esta ação faz-se necessário que os professores tenham o acesso aos softwares educativos específicos de suas áreas de conhecimento e tempo disponível, para adequar esses softwares aos conteúdos a serem ministrados.

As instituições formadoras de professores, o Núcleo de Tecnologia Educacional e o próprio coordenador do laboratório de informática das escolas, são instâncias que deveriam auxiliar estes professores a explorarem as possibilidades da informática para planejarem suas aulas com o apoio dos computadores e softwares educativos, já que os próprios estudantes pesquisados ressaltaram que com o uso do computador “facilitaria a aprendizagem”, e “as aulas ficam mais divertida e mais interessante”.

O uso do computador como ferramenta pedagógica na aprendizagem da Biologia e Química permite “[…] otimizar o processo de ensino e aprendizagem; […] porque o ensino não pode esquecer de alguns meios que têm uma grande importância no processo de socialização das novas gerações de estudantes” (FERRES 1998 p. 132).

Os professores e estudantes, em sua maioria, são favoráveis de que ocorra o uso do computador na educação biológica e química, pois contribui para o aprendizado alem de tornar as aulas mais interessantes, divertidas, é uma aula de excelência em recursos áudio-visual.

Diante da diversidade de pensamentos e conceitos percebidos junto aos professores e estudantes durante a execução desse trabalho, podemos inferir, a partir de algumas reflexões, que a utilização do computador enquanto ferramenta de apoio no processo de ensino e aprendizagem é necessário, já que precisamos acompanhar os avanços científicos e tecnológicos, sem esquecer que as nossas ações poderão impulsionar a construção de um ensino significativo e contextualizado, fatores preponderantes para alcançar a educação cientifica na perspectiva da formação da consciência crítica.

Certamente o computador é uma ferramenta muito útil no processo de ensino e aprendizagem da Biologia e da Química, os professores e estudantes nos passam essa leitura durante a pesquisa, para poder fazer tal afirmação.

Podemos ampliar tal inferência não apenas para á área de conhecimento da biologia e da Química, mas para a educação como um todo e, por abrangência para o ser humano; basta saber onde e como utilizar essa ferramenta tão poderosa que é o computador.

Conclusão

Na pesquisa realizada, verificamos que a maioria dos estudantes não possui computador em seu domicílio. Devido esta ocorrência, observamos a necessidade de repensar uma política pública eficiente, para atenuar a exclusão digital e, por conseguinte, contribuir para a efetivação de justiça social.

Este processo poderá ser desencadeado a partir do momento em que ocorrer a instalação de laboratórios de informática em todas as escolas e bibliotecas públicas, com acesso a internet, viabilizando a utilização pública em horário oposto à aula.

Com base nas respostas dos professores de Biologia e Química da Escola Estadual “Professora Edeli Mantovani”, observamos que três deles já utilizam o computador em alguma atividade docente apenas um nunca utilizou o computador em suas aulas, os mesmos argumentam que possuem pouco tempo no preparo das aulas, pois falta incentivo financeiro por parte do governo, causando uma excessiva jornada de trabalho, um dos docente descreve que falta interesse também por parte deles Professores para utilizar o computado em suas aulas.

O simples fato de implantar o computador na escola em si, não garante melhorias das condições de ensino, é preciso que haja o envolvimento de todos os protagonistas da comunidade escolar percebendo essa ferramenta enquanto apoio e, percebendo também a necessidade de adequar as estruturas curriculares nesta perspectiva.

Somos sabedores, que utilizar o computador no ensino aprendizado de Biologia e Química é um desafio para os professores, envolve quebra de paradigmas e a construção de novas concepções e perceptivas de como ensinar e aprender.

Utilizar o computador como ferramenta pedagógica não é uma tarefa fácil, devido á falta de softwares gratuitos no Brasil, adequados aos conteúdos de Biologia e Química ensinados nas escolas.

Observamos na Escola Estadual “Professora Edeli Mantovani” necessidade de informação e explanação sobre metodologias do uso do computador como ferramenta no ensino e aprendizagem, abrangendo todas as áreas do conhecimento.

Através dessa pesquisa podemos afirmar que a utilização do computador como ferramenta de apoio no processo de ensino e aprendizagem de Biologia e Química é muito importante, já que com esta ferramenta não estamos apenas tentando formar jovens capazes de “passar” no vestibular, mais sim formar seres capazes intelectual e socialmente para enfrentar um mercado de trabalho tão competitivo e excludente e para isso o estudante tem que ter acesso ao máximo de tecnologia e informação, sem estes requisitos fica difícil formar um cidadão produtivo dentro da nossa sociedade.

O Desejo por parte dos estudantes que o computador esteja também inserido no seu cotidiano escolar primordialmente no tratante nas aulas de Biologia e Química é intenso, podemos acreditar que este sentimento dos estudantes não é apenas em Sinop na Escola Estadual “Professora  Edeli Montovani”, mas no Estado de Mato Grosso e em todo o Brasil e mesmo que muitos docentes da área de Biologia e Química não queiram utilizar o computador como uma ferramenta pedagógica nas práticas educativas vão ter que se adequar ao novo contexto histórico, político e social que estamos vivendo, “a era da tecnologia”.

Referências bibliográficas

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CHIZOTTI, Antônio. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. 16 ed. Cortez, São Paulo, 1991.

FERRÉS, Joan. Pedagogia dos meios audiovisuais e pedagogia com os meios audiovisuais. In: SANCHO, Joana M. (org). Para uma tecnologia educacional. Porto alegre; ArtMed, 1998 Cap.5, p 127 – 155.

KENSKI, Vani Moreira. O Ensino e os Recursos Didáticos em uma sociedade cheia de tecnologia. Ilma Passos Alencastro Veiga (Org.), Didática. O Ensino e suas Relações. São Paulo: Papirus, 1996.

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MORAES, Maria Cândida. Informática Educativa no Brasil: Uma História vivida algumas lições aprendidas. Abril 1997. Disponível em: <http://br-ie.org/pub/index.php/rbie/article/viewFile/2320/2082>. Acesso em 29 de agosto de 2017.

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[1] Especialista em Metodologia do Ensino de Biologia e Química

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