{"id":732,"date":"2023-01-05T09:08:09","date_gmt":"2023-01-05T12:08:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/?p=732"},"modified":"2023-01-12T20:16:27","modified_gmt":"2023-01-12T23:16:27","slug":"interface-entre-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/reflexoes\/interface-entre-pesquisa","title":{"rendered":"1.8 A interface entre pesquisa cient\u00edfica e a problematiza\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Elisandra Villela Gasparetto S\u00e9<sup> <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">DOI:\u00a010.32749\/nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/732<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste cap\u00edtulo \u00e9 realizado uma explana\u00e7\u00e3o de forma cr\u00edtica sobre o emprego das metodologias ativas para o processo de ensino-aprendizagem na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, na pesquisa cient\u00edfica nos cursos de profissionais de sa\u00fade, em espec\u00edfico o curso de medicina, abrindo possibilidades de estudos e aprofundamentos em literatura pertinentes \u00e0s hip\u00f3teses e temas postos em debates na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade na atualidade. S\u00e3o discutidos sobre o uso da pesquisa com as metodologias de ensino-aprendizagem, a forma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, a relev\u00e2ncia das teorias do processo de ensino aprendizagem, a experi\u00eancia acad\u00eamica de diferentes autores, as cr\u00edticas \u00e0s pr\u00e1ticas tradicionais de avalia\u00e7\u00e3o dos estudantes, a rela\u00e7\u00e3o docente-aluno, m\u00e9dico-paciente e as complexas rela\u00e7\u00f5es entre os pares envolvidos &#8211; Institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior, Sistema de Sa\u00fade, Gestores e Preceptores.<\/p>\n<p>Percebe-se que a Educa\u00e7\u00e3o necessita ser vista com grandes desafios, especialmente, quando o assunto destaca metodologias inovadoras, pois incentiva a forma\u00e7\u00e3o de profissionais cr\u00edticos e reflexivos voltados a novas realidades, suscitando mudan\u00e7as no interagir de uns com os outros ao participar ativamente no processo de ensino aprendizagem.<\/p>\n<p>Conforme afirma Feuerwerker (2005), esse movimento para a mudan\u00e7a e moderniza\u00e7\u00e3o do ensino superior, no curr\u00edculo e no processo pedag\u00f3gico (processo de ensino-aprendizagem) especificamente nos cursos da \u00e1rea da sa\u00fade no Brasil, tem surgido nos debates ocorridos na VIII Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, em 1996, e com a elabora\u00e7\u00e3o da Lei Org\u00e2nica de Sa\u00fade e a XIX Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade instituiu o Programa Nacional de Apoio \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos Especialistas em \u00c1reas Estrat\u00e9gicas. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, DF, 24 de outubro de 2009 (BRASIL, 2009).<\/p>\n<p>A nova vis\u00e3o a respeito do curr\u00edculo em um novo projeto educacional tem tamb\u00e9m como caracter\u00edstica a \u00eanfase na pr\u00e1tica, o curr\u00edculo por compet\u00eancias. O objetivo principal do curr\u00edculo deixou de ser a de determinar o programa a ser seguido na tarefa de transmiss\u00e3o dos conte\u00fados. Para Belei et.al. (2008) esta abordagem parte do princ\u00edpio de que curr\u00edculo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social-cultural numa perspectiva sociocognitiva, pragm\u00e1tica e interacionista, como proposto nas obras e concep\u00e7\u00f5es de Vygotsky; Paulo Freire e John Dewey, (REGO, 1995; FREIRE,1979; DEWEY, 1980 apud SOUZA, 2010; MATOS, 2011).<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 que o docente, neste contexto chamado de facilitador, n\u00e3o \u00e9 necessariamente o provedor central dos conhecimentos, e sim um intermedi\u00e1rio entre o conte\u00fado e o estudante, por meio de suas habilidades e ferramentas, transmite, facilita e constr\u00f3i o conhecimento junto com o estudante, respeitando sua diversidade, seus universos e movimentos, com m\u00faltiplas experi\u00eancias e culturas que precisam ser levadas em considera\u00e7\u00e3o; rompendo o paradigma da educa\u00e7\u00e3o, que entendia o estudante desprovido de qualquer conhecimento ou experi\u00eancia.<\/p>\n<p>As Metodologias Ativas (MA) proporcionam o trabalho em grupo que passa por v\u00e1rias fases e, em cada uma delas, os integrantes atuam de forma diferente duplamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 etapa de vida do grupo e em rela\u00e7\u00e3o ao demais integrantes, e que sempre \u00e9 poss\u00edvel recome\u00e7ar e que o melhor facilitador \u00e9 aquele que menos fala, que sempre est\u00e1 investindo na sua atualiza\u00e7\u00e3o para melhorar seu desempenho a fim de garantir aprendizagem e efici\u00eancia operacional entre todos os participantes. Desta forma, o facilitador \u00e9 a pessoa capaz de contribuir para a mudan\u00e7a e melhoria dos comportamentos dos estudantes. O processo de intera\u00e7\u00e3o humana exige de cada pessoa a intersubjetividade, a alteridade, o respeito aos conhecimentos pr\u00e9vios do outro que n\u00e3o podem ser ignorados.<\/p>\n<h2><strong>A interface da pesquisa com a forma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade<\/strong><\/h2>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, as tecnologias, a pol\u00edtica cultural e sua rela\u00e7\u00e3o com os discursos da reforma educacional e social colocaram os educadores em um terreno de transforma\u00e7\u00e3o, voltado para o compromisso de propiciar uma forma\u00e7\u00e3o que pudesse dar respostas \u00e0s exig\u00eancias de um mundo profundamente modificado pelos avan\u00e7os da tecnologia e das ci\u00eancias. At\u00e9 1998 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura (MEC) ainda estabelecia no Brasil uma estrutura r\u00edgida para os curr\u00edculos tradicionais, obrigando o seguimento do conte\u00fado exigido no curr\u00edculo m\u00ednimo. Baseado neste tipo de curr\u00edculo, o processo de ensino brasileiro se estruturou a partir de uma rela\u00e7\u00e3o entre professor e aluno, de car\u00e1ter distante, no qual o estudante \u00e9 apenas um espectador (BELEI <em>et.al.,<\/em> 2008).<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da sa\u00fade, a \u00eanfase na tecnologia e a fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento passaram a incorporar os curr\u00edculos da gradua\u00e7\u00e3o das \u00e1reas da sa\u00fade e infelizmente fortaleceu o curr\u00edculo organizado por grades de disciplinas. O desenvolvimento tecnol\u00f3gico da medicina e o modelo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade baseado nas especialidades passaram por um crescimento exponencial nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O modelo centrado na doen\u00e7a e nas especialidades gerou a fragmenta\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, da assist\u00eancia, focando mais a doen\u00e7a e n\u00e3o o paciente.<\/p>\n<p>Em virtude desta situa\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade criou no final da d\u00e9cada de 1990 o Programa Nacional de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Hospitalar (PNHAH) (BRASIL, 2001), com o objetivo de valorizar a forma\u00e7\u00e3o educacional dos profissionais de sa\u00fade a qualidade em sa\u00fade deve levar em considera\u00e7\u00e3o a compet\u00eancia t\u00e9cnica e de intera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se restringindo apenas nos aspectos t\u00e9cnicos ou organizacionais, que diminui o v\u00ednculo dos profissionais de sa\u00fade com os usu\u00e1rios, ornando a pr\u00e1tica m\u00e9dica impessoal.<\/p>\n<p>Por isso, o programa PNHAH destaca a import\u00e2ncia da combina\u00e7\u00e3o \u201ctecnologia\u201d e \u201cfator humano e de relacionamento\u201d. Assim, a humaniza\u00e7\u00e3o tornou-se uma preocupa\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, funcion\u00e1rios e gestores, representando um fator a ser considerada para se ter excel\u00eancia na qualidade do atendimento em sa\u00fade (LIMA <em>et al.,<\/em> 2014).<\/p>\n<p>S\u00e3o com bases nesses princ\u00edpios que deve ser alicer\u00e7ada a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade com a elabora\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo \u00e9tico-pol\u00edtico, numa perspectiva sociocultural, de interdisciplinaridade, de integralidade do conhecimento e de humaniza\u00e7\u00e3o para responder \u00e0s demandas e desafios da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade (DESLANDES, 2005).\u00a0 Este processo, por\u00e9m, exige um maior entendimento e reflex\u00e3o nos tempos atuais para modificar as metodologias de ensino nos cursos superiores.<\/p>\n<p>Dentro desta perspectiva das mudan\u00e7as dos curr\u00edculos por compet\u00eancias e quebras as resist\u00eancias por parte de docentes formados em Metodologias tradicionais, as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior ter\u00e3o que dispor de um \u00e1rduo compromisso para a mudan\u00e7a nos projetos pol\u00edticos pedag\u00f3gicos dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos em todas as \u00e1reas, caracterizado por um programa educacional inovador, que desenvolva o conhecimento contextualizado, integrado, que valorize as experi\u00eancias acumuladas, o conhecimento pr\u00e9vio, as compet\u00eancias especificas, a aprendizagem significativa, participativa e criativa, iniciando pelas modifica\u00e7\u00f5es nos projetos pol\u00edtico-pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>Freire (2007) destaca que ensinar exige respeito aos saberes do educando e reconhecimento e assun\u00e7\u00e3o da identidade cultural, a qual faz parte da dimens\u00e3o individual e da classe dos educandos e \u00e9 fundamental na pr\u00e1tica educativa, para que n\u00e3o se tenha uma vis\u00e3o pragm\u00e1tica do processo.<\/p>\n<p>As IES estimulam e apoiam novas abordagens, participa de discuss\u00f5es sobre o ensino m\u00e9dico e de enfermagem, direciona e consolida seus projetos educacionais com os curr\u00edculos centrados no estudante, orientados \u00e0 comunidade. O PBL \u00e9 um m\u00e9todo que tem sido reconhecido no mundo todo capaz de proporcionar a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos e ao mesmo tempo uma abordagem que auxilia o estudante a desenvolver habilidades e compet\u00eancias atitudinais. Inspirados nos postulados de Dewey e Brune (BARROWS e TAMBLYN, 1980), foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o curricular baseada em problemas formalizada no final da d\u00e9cada de 1960, implantada no curso de medicina pela Universidade McMaster do Canad\u00e1.<\/p>\n<p>A abordagem do PBL consiste em disparar um problema para mobilizar no estudante a aprendizagem de novos conceitos. Nessa abordagem, o aluno utiliza diferentes processos mentais, como capacidade de problematizar, pesquisar, levantar hip\u00f3teses, comparar, analisar criticamente, interpretar, avaliar, sintetizar, utilizando seus saberes pr\u00e9vios buscando e agregando novas informa\u00e7\u00f5es, desenvolvendo a habilidade de assumir responsabilidade pelo seu aprendizado (VIGNOCHI, 2009).<\/p>\n<p>De acordo com Perim e Stella (2009) um dos objetivos do m\u00e9todo PBL \u00e9 o de fazer com que os alunos sejam integrados, interativos, motivados e alegres com o processo de aprendizagem. O processo de ensino-aprendizagem permite o desafio de avan\u00e7ar no conhecimento.<\/p>\n<p>Ausubel (1980) e Coll (2000), destaca a aprendizagem significativa, que ocorre quando o processo de aprender \u00e9 desencadeado por um problema do cotidiano e os estudantes utilizam seus conhecimentos pr\u00e9vios para decifrar o problema e para formular hip\u00f3teses e perguntas que permitam buscar novos sentidos e significados para interpretar os fen\u00f4menos encontrados. O significado \u00e9 constru\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o de sua motiva\u00e7\u00e3o resolver o problema, identificar respostas e do valor que os novos conhecimentos agregam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o na vida pessoal e profissional. O processo que favorece a aprendizagem significativa requer uma postura ativa e cr\u00edtica por parte daqueles envolvidos na aprendizagem. Tais ferramentas proporcionam uma aprendizagem significativa bem diferente do modelo tradicional.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo tradicional, adotado nos cursos e institui\u00e7\u00f5es do Brasil, baseou-se em disciplinas isoladas e estanques, justapostos arbitrariamente, fragmentando e isolando o conhecimento. Ainda presenciamos a valoriza\u00e7\u00e3o do modelo de ensino norte-americano, chamado no Brasil de modelo flexneriano, implantado desde 1940. Este modelo de ensino, segundo Feuerwerker (2014), se caracterizava pela pr\u00e1tica fundamentada no hospital-escola, curr\u00edculo com fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento em fun\u00e7\u00e3o do processo de especializa\u00e7\u00e3o, metodologias de ensino tradicionais e centradas no professor. Muitos professores ainda est\u00e3o em fase de apropria\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o das novas metodologias para a compreens\u00e3o do todo das mudan\u00e7as curriculares e do processo de aprender a aprender.<\/p>\n<p>De acordo com Feuerwerker (2014), nos curr\u00edculos dos cursos da \u00e1rea da sa\u00fade, em espec\u00edfico dos cursos de Medicina, a influ\u00eancia do modelo de sa\u00fade baseado num paradigma biol\u00f3gico, mecanicista para a interpreta\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos vitais, gerou o culto \u00e0 doen\u00e7a e n\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, e a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia, com a esperan\u00e7a de que esta poderia ser muito mais importante para a atividade cient\u00edfica e para a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. Os paradigmas originados a partir do modelo flexneriano direcionaram os modelos de organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e dos curr\u00edculos de forma\u00e7\u00e3o das \u00e1reas da sa\u00fade, difundindo a concep\u00e7\u00e3o biologicista e hospitaloc\u00eantrica de sa\u00fade junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de ensino-aprendizagem que seja baseado em princ\u00edpios n\u00e3o mais passivos, mas ativos, o qual, o estudante \u00e9 um agente de seu pr\u00f3prio aprendizado, desenvolvendo compet\u00eancias e habilidades cognitivas (capacidade de s\u00edntese, de an\u00e1lise de pesquisa, de cr\u00edtica e reflex\u00e3o, de resolu\u00e7\u00f5es de problemas), sociais (capacidades de troca e compartilhar de conhecimentos, de trabalho em grupo, de empatia, de altru\u00edsmo, de compaix\u00e3o, de humildade, de compreens\u00e3o de sentimentos) e psicomotoras (dom\u00ednios de movimentos delicados, coordena\u00e7\u00e3o visuo-motora e visuo-espacial, preens\u00e3o de pin\u00e7a adequada), tendo contato direto com a realidade do pa\u00eds, sendo participativo, cr\u00edtico-reflexivo, com uma forma\u00e7\u00e3o ampla, interdisciplinar, apto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do conhecimento a realidade, confrontando hip\u00f3teses e propondo solu\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo unindo responsabilidade, afetividade, democracia, equidade, respeito, \u00e9tica e humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o TBL \u2013 que significa a Aprendizagem Baseada em Equipe ou Team Based Learning consiste no m\u00e9todo estrat\u00e9gico, tamb\u00e9m ativo direcionado para o desenvolvimento do dom\u00ednio cognitivo, realizado por grupos de estudantes, os times, focalizado tamb\u00e9m na resolu\u00e7\u00e3o de problemas, e para a aprendizagem colaborativa entre estudantes lebando em cona a diversidade de conhecimentos e experi\u00eancias. Inicialmente concebida como uma alternativa \u00e0s exposi\u00e7\u00f5es para grandes grupos, o TBL foi aplicado no ensino em ambiente hospitalar. \u00c9 um m\u00e9todo que trata do desencadeadar a uma problem\u00e1tica de uma situa\u00e7\u00e3o de estudo de caso ou disparador que cada participante analisa individualmente. Em seguida, os particpantes respondem a um conjunto de testes de alternativas que abordam a tomada de decis\u00e3o frente \u00e1 situa\u00e7\u00e3o analisada, e cada participante registra suas respostas. Ap\u00f3s finalizar suas respostas individuais, cada equipe discute as alternativas e busca um consenso\/pacto no grupo\/time. Em seguida \u00e9 feita uma nova vota\u00e7\u00e3o por equipe e debatidos os resutados junto com um especialista. No TBL as atividades s\u00e3o articuladas a um conjunto de desafios de aplica\u00e7\u00e3o dos conhecimentos em novas situa\u00e7\u00f5es simuladas, no formato de jogos ou dramatiza\u00e7\u00f5es; socializa\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es dos estudantes que compartilham suas novas s\u00ednteses. Por fim, essa atividade resulta numa nova s\u00edntese ampliada, a partir do debate com os especialistas.<\/p>\n<p>No TBL professor assume o papel de facilitador, orientador, moderador e observador, enquanto o estudante o de protagonista da sua aprendizagem e a sala de aula passa a ser o palco dos debates, onde se d\u00e1 o o aprofundamento dos conte\u00fados sob a orienta\u00e7\u00e3o deste facilitador. Neste momento o professor\/facilitador realiza a medi\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o da aprendizagem, esclarecendo os pontos conflitantes sobre a compreens\u00e3o e a absor\u00e7\u00e3o do conte\u00fado.<\/p>\n<p>Uma das atividades do TBL que mobiliza bastante o facilitador \u00e9 a abordagem do conte\u00fado sobre a Avalia\u00e7\u00e3o da aprendizagem. As quest\u00f5es epistemol\u00f3gicas que s\u00e3o levantadas e a Taxionomia de Bloom (1971), pode fazer com que o facilitador perceba que o professor atua em dois pap\u00e9is, atnto de avaliador quanto de gestor da atividade.<\/p>\n<p>Na Taxionomia de Bloom nos apoia no trabalho com grupos para avaliar o grau de racioc\u00ednio do estudante e o alcance da metacogni\u00e7\u00e3o por meio dos dom\u00ednios cognitivos: Conhecimento, Compreens\u00e3o, Aplica\u00e7\u00e3o, An\u00e1lise, S\u00edntese e Avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A metacogni\u00e7\u00e3o \u00e9 uma habilidade que refere-se ao pensar sobre o pensar. Refere-se \u00e0 habilidades que normalmente s\u00e3o um conjunto integrado de compet\u00eancias para aprender e pensar, incluem habilidadespara uma aprendizagem ativa, o pensamento cr\u00edtico, o racioc\u00ednio reflexivo, a resolu\u00e7\u00e3o de problemas e a tomada de decis\u00e3o. Pessoas com essas habilidades metacognitivas bem desenvolvidas s\u00e3o melhores solucionadores de problemas, com habilidades para tomadas de decis\u00e3o e de racioc\u00ednio cr\u00edtico-reflexivo e s\u00e3o tamb\u00e9m geralmente mais motivados para aprender, s\u00e3o mais persistentes numa tarefam mais capazes de regular as suas emo\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es desafiadoras e em lidar com atividades complexas e conflitos.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do processo de ensino-aprendizagem tem sido desde muito tempo, dominada pelos paradigmas te\u00f3ricos ocidentais derivados de uma tradi\u00e7\u00e3o positivista e reducionista, desenvolvida e praticada por principalmente no Reino Unido e Estados Unidos. Esta pr\u00e1tica de avalia\u00e7\u00e3o foi denominada de formas de avalia\u00e7\u00e3o \u201cest\u00e1tica\u201d baseada em m\u00e9dia de notas quantitativas.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o tradicional dos m\u00e9todos de ensino predomina o curr\u00edculo fragmentado que deve ser seguido ao longo do curso, baseado na transmiss\u00e3o de conhecimentos e no repasse de valores socialmente aceitos, sendo necess\u00e1rio apenas a organiza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados em disciplinas. A avalia\u00e7\u00e3o do aluno nos cursos superiores no Brasil nos m\u00e9todos tradicionais se estruturou seguindo um modelo de certo\/errado, de ado\u00e7\u00e3o de livros b\u00e1sicos e admiss\u00e3o de uma \u00fanica resposta correta, quando da utiliza\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha como m\u00e9todo avaliativo, baseada em conhecimentos, escolha de \u00e1reas de interesse e estrutura\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo previamente determinado e inflex\u00edvel.<\/p>\n<p>Na literatura \u00e9 poss\u00edvel encontrar autores que fazem importantes observa\u00e7\u00f5es acerca da condu\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o educacional na vis\u00e3o tradicional, entre eles Esteban, <em>et al,.<\/em> (1999); Daniels (1994); Gomes (2010) e Hoffmam (s.d).<\/p>\n<p>VasconcelloS (2005) questiona o modo de avalia\u00e7\u00e3o nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o ressaltando aimport\u00e2ncia e necessidade de se analisar o papel pol\u00edtico da avalia\u00e7\u00e3o, o autor chama aten\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias de avalia\u00e7\u00e3o. Para o autor a avalia\u00e7\u00e3o precisa ser desafiadora, o procedimento inovador \u00e9 aquele que supera a sua formula\u00e7\u00e3o alienada de \u2013 <em>\u201cser o melhor\u201d, \u201cconseguir nota\u201d, \u201cpassar de ano\u201d <\/em>\u2013 e prop\u00f5e novas tarefas numa perspectiva de uma pr\u00e1xis transformadora para os estudantes aprender mais e melhor; para avan\u00e7ar todos juntos, para que o estudante reflita e possa desfrutar o prazer de conhecer; descobrir novas possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o do real; ser capaz de intervir, abrir novos horizontes dentro e fora dos cursos.\u00a0 O autor defende que a avalia\u00e7\u00e3o deve ser considerada um compromisso com a aprendizagem de todos e com a mudan\u00e7a institucional.<\/p>\n<p>O movimento de avalia\u00e7\u00e3o educacional teve seu in\u00edcio neste s\u00e9culo e recentemente foi dominado pela tradi\u00e7\u00e3o psicom\u00e9trica, assim como os testes de intelig\u00eancia. Sabe-se que a pr\u00e1tica da avalia\u00e7\u00e3o sempre foram at\u00e9 o momento na \u00e1rea educacional procedimentos est\u00e1ticos e padronizados com o objetivo de medir o desempenho individual de um indiv\u00edduo pela refer\u00eancia a uma norma ou m\u00e9dia com base em desempenho em uma s\u00e9rie de tarefas e quest\u00f5es realizadas de forma padronizada. Este procedimento propiciou questionamentos sobre sua utilidade e validade com rela\u00e7\u00e3o aos objetivos.<\/p>\n<p>De acordo com Daniels (1994) as avalia\u00e7\u00f5es tradicionais lidam apenas com os produtos finais da aprendizagem, desconsiderando seus processos e n\u00e3o fornecem informa\u00e7\u00f5es a respeito das t\u00e9cnicas de interven\u00e7\u00e3o potencialmente eficazes, isto \u00e9, da resposta do indiv\u00edduo ao ensino. A \u00eanfase est\u00e1 maior no resultado final do que no processo, do que nas estrat\u00e9gias cognitivas e metacognitivas.<\/p>\n<p>Para Gatti (2003) \u00e9 dada pouca orienta\u00e7\u00e3o nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o sobre a avalia\u00e7\u00e3o. A autora sugere que as institui\u00e7\u00f5es e o meio acad\u00eamico repense o processo de avalia\u00e7\u00e3o em sala de aula como sendo uma atividade cont\u00ednua e integrada \u00e0s atividades do curso. Continuando as discuss\u00f5es de outros textos, Villas Boas (1993) aponta ainda que as dificuldades dos professores relacionadas \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o est\u00e3o em &#8220;avaliar o estudante \u00a0sem puni-lo, exclu\u00ed-lo&#8221;; &#8220;interligar a avalia\u00e7\u00e3o qualitativa com a quantitativa&#8221;; &#8220;desvincular a avalia\u00e7\u00e3o da prova\u201d. Por\u00e9m, por mais que se fale em avalia\u00e7\u00e3o formativa, os professores, alunos e pais est\u00e3o presos \u00e0 prova, \u00e0 um modelo de avalia\u00e7\u00e3o classificat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Daniels (1994) em seu livro sobre os pressupostos te\u00f3ricos de Vygotsky, no cap\u00edtulo sobre a pr\u00e1tica da avalia\u00e7\u00e3o, o autor salienta os interesses de Vygotsky pelo processo de avalia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que estas quest\u00f5es levantadas sobre a pr\u00e1tica da avalia\u00e7\u00e3o que lhe propiciaram a explorar a rela\u00e7\u00e3o entre aprendizagem ou instru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Para ele foi a pr\u00e1tica da avalia\u00e7\u00e3o, a de explorar o processo de aprendizagem, que capacitaram-no a elaborar uma teoria do desenvolvimento que abarcava a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre o indiv\u00edduo e o mundo social. Para Vygotsky compreender \u00e9 um processo social, consiste numa atividade que est\u00e1 sempre situada em um contexto hist\u00f3rico e cultural. Compreender \u00e9 interpretar a experi\u00eancia, apreendendo e negociando significados de maneira congruentes com as exig\u00eancias da cultura.<\/p>\n<p>J\u00e1 que o movimento da reforma dos curr\u00edculos nas IES dos cursos da \u00e1rea da sa\u00fade s\u00e3o propostos e delineados, com base no processo de aprendizagem que permita aos estudantes a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos te\u00f3ricos, na observa\u00e7\u00e3o da realidade e na reflex\u00e3o cr\u00edtica de forma que os conte\u00fados te\u00f3ricos sejam apreendidos em conex\u00e3o com a pr\u00e1tica \u00e9 de suma import\u00e2ncia a inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos procedimentos de avalia\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m necessita ser uma perspectiva sociocultural, sistematizada, cont\u00ednua e constituinte do processo ensino-aprendizagem.<\/p>\n<p>De acordo com as novas orienta\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas para o processo de ensino-aprendizagem na forma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, cuja \u00eanfase est\u00e1 no aprender e n\u00e3o no ensinar, em que a reflex\u00e3o se faz presente durante todo o curso pautado por um curr\u00edculo integrado \u00e9 de consenso de v\u00e1rios autores que o procedimento de avalia\u00e7\u00e3o seja transformadora, multidimensional e permanente.<\/p>\n<p>A abordagem da avalia\u00e7\u00e3o numa perspectiva das metodologias ativas, baseada numa aprendizagem cr\u00edtico-reflexiva para o desenvolvimento dos estudantes, dos professores e dos cursos t\u00eam caracter\u00edsticas formativas e somativas. Na avalia\u00e7\u00e3o formativa, diferente da avalia\u00e7\u00e3o tradicional, os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Por isso, o professor diversifica os grupos de estudantes, procurando identificar necessidades e n\u00e3o problemas e erros nos estudantes. Conforme afirma Jussara Hoffmann &#8220;a avalia\u00e7\u00e3o educacional, hoje, s\u00f3 faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para a melhor aprendizagem&#8221;. Por isso, a avalia\u00e7\u00e3o formativa \u00e9 muito mais adequada ao dia-a-dia da sala de aula.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o formativa \u00e9 orientada \u00e0 aprendizagem pessoal e da institui\u00e7\u00e3o, sendo realizada em um processo e visando o reconhecimento de fortalezas e a melhoria das \u00e1reas que requerem mais aten\u00e7\u00e3o. Consiste numa avalia\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, mediadora, cont\u00ednua e sistematizada tem como objetivo investigar constantemente no decorrer do curso as estrat\u00e9gias cognitivas e comportamentais da rela\u00e7\u00e3o em grupo dos estudantes.<\/p>\n<p>A avali\u00e7\u00e3o formativa \u00e9 uma abordagem orientada por compet\u00eancias que visa oferecer experi\u00eancias educacionais aos estudantes para o desenvolvimento das capacidades de modo articulado, de modo que elas possam ser mobilizadas constantemente durante o curso (PELLEGRINI, 2008).<\/p>\n<p>O procedimento de avalia\u00e7\u00e3o baseada nos princ\u00edpios da aprendizagem cr\u00edtico-reflexiva vem se apresentando como uma necessidade para o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es educacionais com abordagem construtivista e sociointeracioista. Ao professor, n\u00e3o se restringe mais a tarefa de s\u00f3 ensinar conte\u00fados. A ele, cabe propor desafios, e, ao mesmo tempo, dar os instrumentos ao aluno para lidar com eles, enfatizando o desenvolvimento de suas habilidades ou estrat\u00e9gias, tanto diretas quanto indiretas. O processo de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado permanente e cr\u00edtico-reflexiva, tanto para o planejamento e desenvolvimento de projeto de curso como para o acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem em a\u00e7\u00f5es educacionais.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o somativa \u00e9 realizada por meio de instrumentos formais de verifica\u00e7\u00e3o da aprendizagem e representam as avalia\u00e7\u00f5es que indicam o progresso do estudante no curso. Na avalia\u00e7\u00e3o somativa busca-se avaliar os conhecimentos relacionados ao desenvolvimento de compet\u00eancia profissional e ao alcance dos objetivos gerais do curso.<\/p>\n<p>A proposta de avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e sistematizada dos estudantes por meio da avalia\u00e7\u00e3o formativa e somativa tem como foco de an\u00e1lise o desenvolvimento do curso \u2013 processo ensino-aprendizagem, encontros e desempenho dos estudantes e docentes. O processo de avalia\u00e7\u00e3o deve ser estimulado e compartilhado com todos os envolvidos e realizada nas perspectivas quantitativa e qualitativa ao longo do curso. Ela est\u00e1 baseada nos princ\u00edpios de crit\u00e9rio-referenciado; cont\u00ednua, dial\u00f3gica, \u00e9tica, democr\u00e1tica e correspons\u00e1vel.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio-referenciada quando os objetivos e o perfil de compet\u00eancia desejados s\u00e3o utilizados como crit\u00e9rios ou refer\u00eancias para a avalia\u00e7\u00e3o de produtos e resultados. Em rela\u00e7\u00e3o ao perfil do estudante os desempenhos observados s\u00e3o comparados aos crit\u00e9rios de excel\u00eancia estabelecidos no perfil, sendo consideradas as \u00e1reas de compet\u00eancia profissional: cognitivas e atitudinais.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es de desempenho t\u00eam car\u00e1ter formativo quando objetivam a melhoria do processo e das aprendizagens dos estudantes, sendo atribu\u00eddos os conceitos: \u201csatisfat\u00f3rio\u201d, \u201cinsatisfat\u00f3rio\u201d e \u201cprecisa melhorar\u201d. O car\u00e1ter somativo dessas avalia\u00e7\u00f5es cumpre o sentido de tornar vis\u00edveis as aprendizagens realizadas e o desenvolvimento de compet\u00eancias, indicando a aprova\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o do estudante no curso.<\/p>\n<p>Trata-se assim de um novo paradigma com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do aprendizado, Romero (2007) em seu texto \u201cAvaliando numa perspectiva sociocultural\u201d aborda quais s\u00e3o as expectativas que o facilitador deve ter <em>\u201c&#8230;queremos estudantes que saibam se expressar, colocar e defender seus pontos de vista, cuidadosamente argumentados, levando em considera\u00e7\u00e3o posi\u00e7\u00f5es divergentes em um mundo de m\u00faltiplas verdades coexistentes que, de repente, expandiu-se e est\u00e1, em tempo real, em nossa casa, ao\u00a0 alcance de uma tecla&#8230;. <\/em>Precisamos de sujeitos cr\u00edticos, conscientes do mundo em que vivem e alertas, para n\u00e3o se deixarem modelar passivamente diante de um discurso em que prevalecem interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 inevit\u00e1vel que ocorra mudan\u00e7a de postura do docente\/facilitador que conduz a discuss\u00e3o de casos, supervis\u00f5es e proporciona ao estudante os rumos da aprendizagem significativa, a constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos, as habilidades e atitudes ter\u00e1 que se modificar, n\u00e3o podemos\u00a0 unir metodologias ativas inovadoras com posturas tradicionais.<\/p>\n<p>No artigo que aborda as concep\u00e7\u00f5es de Humberto Maturana (C.f.1928) sobre a forma\u00e7\u00e3o de professores, os autores Schlichting e Barcelos ressaltam que as reflex\u00f5es de Maturana envolvem tudo aquilo que diz respeito ao humano e relatam que como qualquer outra atividade nossa, como seres humanos, a atividade docente acontece, consciente ou inconscientemente, inscrita em um universo cultural. Assim, nessa perspectiva o pensamento de Humberto Maturana se oferece como uma animadora oportunidade de construirmos um novo modo de agir e refletir. Apresenta-nos um convite a uma transforma\u00e7\u00e3o no modo de fazer as perguntas sobre o ser, o real, o existir, o observar, e o conhecer.<\/p>\n<p>Para CASTANHO (2017) o docente facilitador \u00e9 aquele que transforma e articula os saberes dos estudantes com os saberes produzidos social e culturalmente pela humanidade, para que eles se desenvolvam no mundo do trabalho, enfrentando as m\u00faltiplas demandas e transforma\u00e7\u00f5es sociais. O trabalho do facilitador \u00e9 fundamental enquanto mediador do processo de ensino e do processo de aprendizagem de seus estudantes.<\/p>\n<p>Para que esta transforma\u00e7\u00e3o ocorra, torna-se fundamental a educa\u00e7\u00e3o permanente com o docente e com os preceptores. Para Freire (1979), a perman\u00eancia \u00e9 inerente \u00e0 ess\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o. O car\u00e1ter permanente da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 visto como a\u00e7\u00e3o estritamente humana. A vida toda do homem \u2013 esse ser inacabado e em constante busca \u2013 se constitui num processo educativo, que se d\u00e1 durante todo o tempo e em todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana. A educa\u00e7\u00e3o permanente coexiste com a vida, constituindo-se no pr\u00f3prio desenvolvimento do ser humano. \u00c9, portanto, uma educa\u00e7\u00e3o sem limites temporais nem espaciais.<\/p>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/h2>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o ensino e pesquisa faz parte dos novos paradigmas cient\u00edficos que fundamentam a rela\u00e7\u00e3o ensino-aprendizagem. O tema tem implica\u00e7\u00f5es em todos os n\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o brasileira, mas na \u00e1rea m\u00e9dica ganha uma import\u00e2ncia maior na abordagem do processo sa\u00fade-doen\u00e7a, j\u00e1 que nos \u00faltimos anos muitos estudiosos v\u00eam empreendendo esfor\u00e7os com publica\u00e7\u00f5es variadas para a compreens\u00e3o de como o processo biol\u00f3gico assume formas hist\u00f3ricas definidas. Vari\u00e1veis sociais e econ\u00f4micas antes tomadas como isoladas vieram a integrar o corpo te\u00f3rico da sa\u00fade p\u00fablica e hoje podemos observar uma riqueza de corpo te\u00f3rico de determinadas pesquisas que podem ser melhor apreciadas quando se v\u00ea a diversidade de temas e subtemas no interior da categoria mais ampla do processo sa\u00fade-doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Procurar refletir sobre as metodologias e processos emp\u00edricos derivados de investiga\u00e7\u00e3o realizada por estudantes na gradua\u00e7\u00e3o de medicina tem um impacto no aprimoramento da sua forma\u00e7\u00e3o, os quais enquanto futuros m\u00e9dicos estar\u00e3o capacitados a prestar uma aten\u00e7\u00e3o integral de qualidade aos pacientes, uma vez que estudam e investigam de maneira ampla fatores sociais determinantes da morbimortalidade por meio de evid\u00eancias cient\u00edficas atualizadas e ao mesmo tempo produzem conhecimentos novos.<\/p>\n<p>Considerando a amplia\u00e7\u00e3o de escala na gradua\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade, especialmente m\u00e9dicos, e a import\u00e2ncia da inser\u00e7\u00e3o de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o nos cen\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) visando uma maior aproxima\u00e7\u00e3o entre os mundos do ensino e do trabalho, tornou-se prioridade a interface entre a pesquisa cient\u00edfica e o processo de aprendizagem. Assim, um Laborat\u00f3rio de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica favorece ao estudante investigar uma determinada situa\u00e7\u00e3o-problema vivenciada no servi\u00e7o de sa\u00fade, buscando trazer aportes para a qualifica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, \u00e9 poss\u00edvel perceber que os usu\u00e1rios e equipes de sa\u00fade compartilham suas problem\u00e1ticas com os estudantes e estes participam ativamente do processo de contribuir com seus conhecimentos a partir das buscas baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas. Esta viv\u00eancia aliada \u00e0 evid\u00eancia cient\u00edfica lan\u00e7a um grande desafio aos estudantes no sentido de fazer escolhas de saberes e de pr\u00e1ticas na gest\u00e3o da sa\u00fade e da cl\u00ednica.<\/p>\n<p>O trabalho de grupo para a realiza\u00e7\u00e3o conjunta de levantamento de problemas e necessidades \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante na atividade que produz resultados positivos. Na atividade em grupo os estudantes se inter-relacionam mutuamente para formular hip\u00f3teses de pesquisa e por meio deste m\u00e9todo, verificam os fatos conhecidos ou que podem ser verificados. Sabemos que em toda pesquisa, o papel da hip\u00f3tese cient\u00edfica \u00e9 sugerir explica\u00e7\u00f5es para determinados fatos e orientar a pesquisa a ser desenvolvida. Um pesquisador, n\u00e3o pode dar um passo adiante em qualquer pesquisa, se n\u00e3o come\u00e7ar com uma explica\u00e7\u00e3o ou solu\u00e7\u00e3o sugerida para o problema que identificou.<\/p>\n<p>A metodologia da problematiza\u00e7\u00e3o e categoriza\u00e7\u00e3o por meio das tarjetas movimentam os estudantes em dire\u00e7\u00e3o aos objetivos da atividade de pesquisa. Outra caracter\u00edstica marcante na atividade em grupo com as metodologias ativas \u00e9 o equil\u00edbrio que os pr\u00f3prios estudantes criam em torno das tarefas, o grupo se defronta com as necessidades de leituras, os hor\u00e1rios de se encontrar para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de um projeto de pesquisa, as discuss\u00f5es sobre as viv\u00eancias das visitas domiciliares com seus pacientes e trocam essas experi\u00eancias de forma saud\u00e1vel e aut\u00f4noma, tornando a aprendizagem significativa e gerando resultados satisfat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, o di\u00e1logo entre as ci\u00eancias, a rela\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f4menos, os entendimentos das rela\u00e7\u00f5es de vari\u00e1veis envolvidas em dada situa\u00e7\u00e3o problema proporciona ao estudante um processo de aprendizado que considera o processo sa\u00fade-doen\u00e7a de forma ampla (MATURANA E VARELA, 1990)<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os estudantes apresentam uma reflexividade maior sobre a representa\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica ampliada, sobre o conhecimento do consumo de sa\u00fade por parte do usu\u00e1rio, da import\u00e2ncia do projeto terap\u00eautico singular, do trabalho das equipes de refer\u00eancias, da produ\u00e7\u00e3o de subjetividades na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade com as fam\u00edlias, cresce a compreens\u00e3o da pesquisa\u2013a\u00e7\u00e3o. O facilitador estimula o debate sobre suas impress\u00f5es tendo como pano de fundo os seus objetos de estudo e as problem\u00e1ticas levantadas, o que somente o pensar sobre a pr\u00e1tica pode revelar. Assim, a pesquisa vai ganhando cada vez maior import\u00e2ncia fazendo sentido para todos, uma vez que n\u00e3o se tem uma teoria isolada a ser estudada, um m\u00e9todo a ser seguido e um sujeito fruto de um dado. Tudo se resume numa boa teoria pesquisa a princ\u00edpio a partir da viv\u00eancia de problemas, uma objetividade neutralizada na pesquisa participante no decorrer do processo e uma rigorosa articula\u00e7\u00e3o de ambas as coisas com os dados a serem pesquisados com as fam\u00edlias (CAMPOS E FURTADO, 2011).<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social como momentos de aprendizado mostram com maior clareza os determinantes da realidade vivida pelos estudantes nos servi\u00e7os de sa\u00fade, isto \u00e9, no est\u00e1gio da pr\u00e1tica m\u00e9dica do SUS e como consequ\u00eancia a incorpora\u00e7\u00e3o mental dos atores de um processo de conhecimento, onde os problemas se definem em fun\u00e7\u00e3o de uma realidade concreta e compartilhada, cabendo aos grupos decidir a programa\u00e7\u00e3o dos seus estudos e delineamentos de pesquisa.<\/p>\n<p>Esse percurso investigativo dos estudantes de car\u00e1ter interventivo em que buscam descrever e refletir sobre diferentes formas de processo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade por meio da pesquisa mobiliza discuss\u00f5es e a busca de qualificar as a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade em benef\u00edcio do paciente.<\/p>\n<p>Portanto, mergulhar no uso das metodologias ativas para guiar estudantes no mundo da pesquisa e na constru\u00e7\u00e3o de projetos e direcion\u00e1-los no campo investigativo de um fen\u00f4meno e suas var\u00e1veis \u00e9 inovador na medida que pode-se observar a invers\u00e3o da l\u00f3gica de uma ci\u00eancia positivista, que n\u00e3o se faz t\u00e3o presente em outros contextos na formula\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es em sa\u00fade, percebendo que esta ci\u00eancia se constr\u00f3i no interior dos servi\u00e7os e tamb\u00e9m emergem em atividades de grupos, nos encontros entre os estudantes, orienta\u00e7\u00f5es de docentes, a partir de lugares que cada um desses atores ocupa no processo de delinear uma pesquisa com o estudante.<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>AUSUBEL D, NOVAK JD, HANESIAN H. <strong>Psicologia educacional.<\/strong> Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.<\/p>\n<p>BARROWS, H.S., TAMBLYN, R.M. <strong>Problem-based learning.<\/strong> New York: Springer Press, 1980.<\/p>\n<p>BELEI, R.A.; GIMENIZ-PASCHOAL, S.R; NASCIMENTO, E.N. 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Especialista em Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica com \u00eanfase em Metodologias Ativas pela UniMAX (2019-2020).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste cap\u00edtulo \u00e9 realizado uma explana\u00e7\u00e3o de forma cr\u00edtica sobre o emprego das metodologias ativas para o processo de ensino-aprendizagem<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[162,83,160,148],"class_list":["post-732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes","tag-ensino-aprendizagem","tag-pesquisa-cientifica","tag-profissionais-da-saude","tag-saude"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A interface entre pesquisa cient\u00edfica e a problematiza\u00e7\u00e3o<\/title>\n<meta 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