{"id":4444,"date":"2024-08-30T16:26:16","date_gmt":"2024-08-30T19:26:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/?p=4444"},"modified":"2024-09-09T16:18:50","modified_gmt":"2024-09-09T19:18:50","slug":"celulas-tronco-em-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/c-cv-1-q-2024\/celulas-tronco-em-animais","title":{"rendered":"APLICA\u00c7\u00c3O TERAP\u00caUTICA DAS C\u00c9LULAS-TRONCO EM ANIMAIS ACOMETIDOS PELA DOEN\u00c7A RENAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Enrico Jardim Clemente Santos\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Angela Mazzeo\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/sup><\/p>\n<div class=\"acf-input-prepend\" style=\"text-align: right;\">10.32749\/nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/4444<\/div>\n<h2>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos o aumento da expectativa de vida dos animais vem ocasionando uma maior incid\u00eancia de doen\u00e7as at\u00e9 o momento n\u00e3o existentes ou de baixa frequ\u00eancia. Estudos cient\u00edficos b\u00e1sicos, pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos v\u00eam sendo desenvolvidos tendo por meta a implementa\u00e7\u00e3o de tratamentos inovadores para enfermidades nas quais, as terapias convencionais t\u00eam se mostrado insuficientes ou ineficazes. Dentre estas, a terapia com c\u00e9lulas-tronco tem se apresentado como uma das mais promissoras inova\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Atualmente, diversas doen\u00e7as t\u00eam sido tratadas por meio do transplante de c\u00e9lulas-tronco dentre as quais a doen\u00e7a renal merece destaque. Neste cap\u00edtulo abordaremos o potencial terap\u00eautico das c\u00e9lulas-tronco no \u00e2mbito da medicina veterin\u00e1ria.<\/p>\n<h2>DESENVOLVIMENTO<\/h2>\n<p>O presente estudo teve como base pesquisa bibliogr\u00e1fica de cunho explorat\u00f3rio e descritivo junto a bases cient\u00edficas de dados indexadas nas bases Google Acad\u00eamico, Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino-Americana do Caribe em Ci\u00eancia da Sa\u00fade (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE). Para a busca, foi realizado o recorte temporal de publica\u00e7\u00f5es entre os anos de 2000 e 2024, utilizando as seguintes palavras-chaves: c\u00e9lulas-tronco, medicina veterin\u00e1ria, terapia celular, cachorro, gato e doen\u00e7a renal.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a renal (DR) \u00e9 um importante fardo global que acomete a medicina veterin\u00e1ria, contribuindo significativamente para o aumento da morbidade e mortalidade dos pacientes afetados.\u00a0A DR \u00e9 um problema comum, observado ao longo da vida dos animais de estima\u00e7\u00e3o, que aumenta em frequ\u00eancia \u00e0 medida que os animais envelhecem.\u00a0A padroniza\u00e7\u00e3o dos quadros da DR levou a International Renal Interest Society (IRIS, 2017) a propor um sistema de classifica\u00e7\u00e3o composto por quatro est\u00e1gios, os quais s\u00e3o amplamente utilizados pela comunidade m\u00e9dica veterin\u00e1ria (Figura 1). Estas diretrizes t\u00eam otimizado as pr\u00e1ticas de manejo padronizado visando a melhoria na qualidade de vida dos pacientes. No diagn\u00f3stico de DR, os veterin\u00e1rios devem investigar as condi\u00e7\u00f5es subjacentes e as complica\u00e7\u00f5es que podem ser tratadas. O estadiamento da DR permite o manejo personalizado do paciente para o melhor desfecho poss\u00edvel. A preval\u00eancia geral da DR em gatos \u00e9 de aproximadamente 2% a 4% aumentando para 30% a 40% em gatos com &gt;10 anos de idade. Dados obtidos a partir de estudos realizado em c\u00e3es tamb\u00e9m apoiam que a preval\u00eancia da DR aumenta com a idade (O&#8217;Neill, 2014; Marino, 2014; Hall, 2018).<\/p>\n<p><strong>Figura 1.<\/strong> Est\u00e1gios da doen\u00e7a renal segundo a International Renal Interest Society<\/p>\n<figure id=\"attachment_4446\" aria-describedby=\"caption-attachment-4446\" style=\"width: 1159px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4446 size-full\" src=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Estagios-da-doenca-renal-segundo-a-International-Renal-Interest-Society.png\" alt=\"\" width=\"1159\" height=\"590\" srcset=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Estagios-da-doenca-renal-segundo-a-International-Renal-Interest-Society.png 1159w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Estagios-da-doenca-renal-segundo-a-International-Renal-Interest-Society-300x153.png 300w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Estagios-da-doenca-renal-segundo-a-International-Renal-Interest-Society-1024x521.png 1024w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Estagios-da-doenca-renal-segundo-a-International-Renal-Interest-Society-768x391.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1159px) 100vw, 1159px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4446\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Laborat\u00f3rio CELLTROVET<\/figcaption><\/figure>\n<p>A s\u00edndrome da DR tem por caracter\u00edstica o comprometimento do metabolismo renal culminando na perda das fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas dos rins. Estes s\u00e3o respons\u00e1veis por filtrar o sangue, a fim de excretar res\u00edduos metab\u00f3licos e liberar horm\u00f4nios que t\u00eam papel vital no controle da press\u00e3o arterial sist\u00eamica e na produ\u00e7\u00e3o de gl\u00f3bulos vermelhos. O processo de degenera\u00e7\u00e3o do quadro renal tende a ocorrer de forma din\u00e2mica e progressiva, por per\u00edodos que podem variar de meses a anos (PRESSLER, 2013).<\/p>\n<p>As terapias convencionais que visam o tratamento da DR incluem orienta\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica, fluidoterapia e hemodi\u00e1lise. Estas abordagens terap\u00eauticas t\u00eam por objetivo promover uma melhoria na qualidade de vida do paciente (Fischer, 2004; Larsen, 2016; Langston, 2017; Geraldes, 2020; Valerie, 2021). Embora as terapias conservativas resultem em uma melhor qualidade de vida do paciente, a inj\u00faria estrutural tende a evoluir, favorecendo a redu\u00e7\u00e3o da massa renal e consequentemente a fal\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o. O transplante renal tem sido levado em considera\u00e7\u00e3o, embora seja um procedimento bastante incomum na medicina veterin\u00e1ria. Atualmente, o transplante renal \u00e9 o \u00fanico m\u00e9todo que resulta em uma melhora total do paciente (Mathews, 2000; Katayama, 2002).<\/p>\n<p>Apesar da comunidade m\u00e9dico veterin\u00e1ria enfatizar a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce, s\u00e3o baixos os \u00edndices do mesmo na fase inicial da doen\u00e7a renal, pois a manifesta\u00e7\u00e3o dos sinais cl\u00ednicos tende a ocorrer em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados da doen\u00e7a (BARBER, 2003). Tendo em vista os aspectos restritivos da DR, o progn\u00f3stico a longo prazo tem se mostrado desfavor\u00e1vel (BARBER, 2003). Na medicina veterin\u00e1ria, a busca de um tratamento que possa ser mais efetivo do que as terapias convencionais, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia quando se tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida e sobrevida dos pacientes.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a renal pode ser classificada em aguda ou cr\u00f4nica. A insufici\u00eancia renal aguda (IRA) \u00e9 caracterizada pela r\u00e1pida perda funcional dos n\u00e9frons, resultando em um quadro de azotemia e altera\u00e7\u00f5es de fluidos e eletr\u00f3litos. A diminui\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o renal \u00e9 multifatorial incluindo a redu\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo intra-renal e les\u00f5es celulares (ETTINGER; FELDMAN, 2004). J\u00e1 a insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica (IRC) se caracteriza por apresentar les\u00f5es renais irrevers\u00edveis e progressivas tornando os rins incapazes de realizar as suas fun\u00e7\u00f5es. O ritmo de progress\u00e3o depende da causa original e agravantes como nefrite, diabetes, hipertens\u00e3o, infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, dentre outras (MCGROTTY, 2008).<\/p>\n<p>Tendo em vista a limita\u00e7\u00e3o da medicina veterin\u00e1ria tradicinoal, no que tange ao tratamento de in\u00fameras doen\u00e7as, tem se feito necess\u00e1ria o desenvolvimento de novas terapias. Diferentes abordagens terap\u00eauticas como a acumputura, ozonioterapia, fitoterapia, homoeopatia, laserterapia, ozonioterapia e cromoterapia, v\u00eam sendo aplicadas com sucesso. Dentre estas abordagens terap\u00eauticas inovadoras est\u00e1 a terapia com c\u00e9lulas-tronco a qual v\u00eam se apresentando como uma das mais promissoras terapias tanto no \u00e2mbito da medicina veterin\u00e1ria como na medicina humana.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas-tronco tem sido definidas pela comunidade cient\u00edfica como c\u00e9lulas indiferenciadas e que apresentam o potencial de se auto-renovarem al\u00e9m de se diferenciarem morfologica e funcionalmente em diferentes tipos celulares, mediante est\u00edmulos espec\u00edficos. Na literatura as c\u00e9lulas-tronco v\u00eam sendo classificadas em tr\u00eas tipos distintos: c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias (CTEs) que s\u00e3o obtidas a partir da massa celular interna do blastocisto, c\u00e9lulas-tronco adultas (CTAs) isoladas a partir de tecidos adulatos e as c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (CTPIs) que s\u00e3o c\u00e9lulas adultas modificadas gen\u00e9ticamente de forma adquirirem as caracter\u00edsticas das CTEs. Tendo em vista o potencial das CTEs e CTPIs darem origem a terotocarcinomas, apenas as CTAs t\u00eam sido utilizadas terapeuticamente na medicina veterin\u00e1ria<\/p>\n<p>As CTAs podem ser divididas em dois grupos: c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas (CTHs) respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o das linhagens sangu\u00edneas e as c\u00e9lulas-tronco mesenquimais (CTMs) que d\u00e3o suporte ao processo de hematopoiese, al\u00e9m de dar origem a diferentes tipos celulares. As CTMs podem ser obtidas a partir de diferentes fontes teciduais, incluindo medula \u00f3ssea, tecido adiposo, m\u00fasculo e polpa dent\u00e1ria. As CTMs possuem a capacidade de secretar diversas citocinas e fatores de crescimento os quais regulam a atividade imune e aumentam o potencial de expans\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas hospedeiras, promovendo assim a repara\u00e7\u00e3o dos tecidos lesionados (Choi, 2015). As CTMs tamb\u00e9m desempenham pap\u00e9is cr\u00edticos nos processos de modula\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo renal, permeabilidade capilar, sobreviv\u00eancia das c\u00e9lulas endoteliais e respostas imunol\u00f3gicas (Kramann, 2014). Portanto as CTMs, que possuem propriedades angiog\u00eanicas e imunomoduladoras, se apresentam como uma fonte promissora, quando se visa a recupera\u00e7\u00e3o de s\u00edtios lesados e o tratamento de diversas condi\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas, como les\u00e3o renal e insufici\u00eancia renal. Desta forma, as CTMs se apresentam como uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica para\u00a0a terapia renal regenerativa (Jia, 2016; Casiraghi, 2016).<\/p>\n<p>Embora os mecanismos envolvidos na diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco, <em>in vivo<\/em>, ainda n\u00e3o tenham sido plenamente compreendidos, sabe-se que estas atuam modificando o microambiente atrav\u00e9s da secre\u00e7\u00e3o de fatores par\u00e1crinos que potencializam a repara\u00e7\u00e3o tecidual. Portanto, podemos atribuir os efeitos terap\u00eauticos das CTMs as suas caracter\u00edsticas que incluem multipot\u00eancia, autorrenovar\u00e3o, processos de sinaliza\u00e7\u00e3o celular, produ\u00e7\u00e3o de biomol\u00e9culas, fatores de crescimento e moduladores da resposta imune, imunomodula\u00e7\u00e3o e <em>homing<\/em> (Fu, 2019).<\/p>\n<h2>TERAPIA COM C\u00c9LULAS-TRONCO EM MODELOS ANIMAIS ACOMETIDOS PELA DOEN\u00c7A RENAL<\/h2>\n<p>Modelos animais t\u00eam sido amplamente utilizados para esclarecer a patog\u00eanese e os mecanismos subjacentes da doen\u00e7a renal. Dentre esses modelos, camundongos e ratos s\u00e3o os mais comumente utilizados para estudar eventos de nefropatia, embora esses modelos n\u00e3o sejam completamente consistentes com a DR felina ou canina (Lawson, 2018; Ismail, 2021). \u00a0Em modelos murinos, a doen\u00e7a renal pode ser induzida por cirurgia ou administra\u00e7\u00e3o de drogas ou toxinas. Al\u00e9m disso, camundongos geneticamente modificados e linhagens endog\u00e2micas fornecem uma nova plataforma para investigar nefropatia (Bao, 2018).<\/p>\n<p>A pergunta continuamente feita \u00e9: As CTMs podem regenerar o tecido renal? A resposta adv\u00e9m do fato de que os n\u00e9frons t\u00eam origem mesenquimal, o que sugere que as CTMs podem reparar a les\u00e3o no tecido renal e diferenciar-se em ductos coletores e n\u00e9frons (Anglani, 2004).<\/p>\n<p>A maioria dos estudos em modelos murinos demonstraram efeitos ben\u00e9ficos das CTMs contra a DR como redu\u00e7\u00e3o da taxa de apoptose das c\u00e9lulas renais,\u00a0aumento da regenera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas renais,\u00a0diminui\u00e7\u00e3o da fibrose renal,\u00a0maior tempo de sobreviv\u00eancia,\u00a0aumento da express\u00e3o de citocinas anti-inflamat\u00f3rias,\u00a0e melhora das vari\u00e1veis de fun\u00e7\u00e3o renal\u00a0(Lin, 2005; Bi, 2007; Morigi, 2008; Hagiwara, 2008).<\/p>\n<p>Estudos envolvendo o modelo experimental de doen\u00e7a renal aguda (DRA), em ratos, demonstram resultados significativamente favor\u00e1veis utilizando-se tratamento com CTMs (Semedo et al., 2007; Wang et al., 2009). No modelo a les\u00e3o \u00e9 obtida por meio de isquemia e reperfus\u00e3o atrav\u00e9s do clampeamento dos ped\u00edculos renais por 60 minutos, acarretando o desenvolvimento da fibrose tecidual e consequente comprometimento da fun\u00e7\u00e3o renal. Wang e colaboradores, utilizaram CTMs marcadas com diacetato de carboxifluoresce\u00edna succinimidil \u00e9ster (CFSE), de forma a comprovar a incorpora\u00e7\u00e3o delas aos tecidos funcionais dos rins. Os resultados obtidos demonstraram a regress\u00e3o das les\u00f5es teciduais renais com menor presen\u00e7a de necrose tubular aguda, extravasamento sangu\u00edneo tubular e hem\u00e1cias nos glom\u00e9rulos renais, al\u00e9m de uma menor express\u00e3o de fatores pr\u00f3-inflamat\u00f3rios como IL-1 beta e maior express\u00e3o do fator anti-inflamat\u00f3rio IL-4 (Wang et. al., 2009). No mesmo ano e utilizando o mesmo modelo experimental, o grupo da pesquisadora Semedo, obteve uma melhora da fun\u00e7\u00e3o renal mensurada pelas dosagens s\u00e9ricas de creatinina e ureia e a diminui\u00e7\u00e3o do processo inflamat\u00f3rio, decorrente da les\u00e3o renal institu\u00edda e tratada por meio da terapia celular. Embora tenham sido comprovadas as propriedades regenerativas das CTMs, em modelos murinos de DRA, a a\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia destas c\u00e9lulas no estudo da doen\u00e7a renal cr\u00f4nica (DRC) ainda n\u00e3o tinham sido exploradas. Samedo e colaboradores, propuseram um estudo acerca da capacidade de se retardar ou amenizar a fibrose do par\u00eanquima renal de ratos nesta condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica. O artigo comprova, atrav\u00e9s de an\u00e1lises morfol\u00f3gicas, a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de fibrose nos animais tratados com CTMs, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de todas as citocinas s\u00e9ricas e redu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o de RNAm para prote\u00ednas estruturais de tecido fibr\u00f3tico como vimentinas, col\u00e1geno tipo I dentre outros. No trabalho os autores sugerem que a terapia com CTMs, neste modelo, pode efetivamente modular a resposta inflamat\u00f3ria que se segue \u00e0 fase inicial da DRC, atribuindo \u00e0 atividade imunosupressora e as propriedades de remodela\u00e7\u00e3o das CTMs empregadas no tratamento, como efetivas na redu\u00e7\u00e3o da fibrose renal (Semedo; 2009).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do modelo de DRC em ratos, caracterizado pela redu\u00e7\u00e3o de 80% da fun\u00e7\u00e3o renal obtida pela nefrectomia parcial, tamb\u00e9m foi utilizada para se avaliar o potencial regenerativo do tratamento com CTMs. Dois grupos distintos de animais foram tratados, instituindo-se uma \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas-tronco 15 dias ap\u00f3s a cirurgia em um grupo e no outro, 3 aplica\u00e7\u00f5es com 15, 30 e 45 dias ap\u00f3s a nefrectomia, sendo que os animais de ambos os grupos apresentaram recupera\u00e7\u00e3o muito similar de 50% da fun\u00e7\u00e3o renal (Alexandre, 2009). Com tudo, Yoshitaka e colaboradores demonstraram que a regenera\u00e7\u00e3o tecidual \u00e9 favorecida com um maior n\u00famero de transplantes de c\u00e9lulas-tronco (Yoshitaka, 2007).<\/p>\n<h2>TERAPIA COM C\u00c9LULAS-TRONCO NA MEDICINA VETERIN\u00c1RIA<\/h2>\n<p>As CTMs v\u00eam sendo utilizadas terapeucamente na medicina veterin\u00e1ria com resultados significativos no que tange a recupera\u00e7\u00e3o da qualidade de vida dos animais. Dentre as doen\u00e7as tratadas temos sequela neurol\u00f3gica de cinomose (SANTOS, 2019a), gengivite estomatite felina (ASSIS, 2017), les\u00f5es inflamat\u00f3rias intestinais (P\u00c9REZ-MERINO, 2015), les\u00f5es oculares (VILLATORO, 2015), les\u00f5es dermatol\u00f3gicas (VILLATORO, 2018), les\u00f5es tend\u00edneas (SMITH, 2005), laminite (MENDES, 2021), osteoartrites (BLACK, 2007), trauma medular (MUKHAMEDSHINA, 2019), hipoplasia (GATTI, 2014), aplasia medular (BRAGA, 2020; SANTOS, 2023), asma felina (SANTOS, 2024a), bronquite canina (SANTOS, 2024b) e f\u00edstula perianal (SANTOS, 2024c)(Figura 2). Atualmente a terapia com c\u00e9lulas-tronco j\u00e1 \u00e9 uma realidade na veterin\u00e1ria com in\u00fameras empresas disponibilizando esta nova abordagem terap\u00eautica. Dentre estas temos VetStem e Gallant Therapeutics (Estados Unidos da Am\u00e9rica), Stem Cell Vet (Inglaterra), Vetherapy (Portugal), Magellan Veterinary Stem Cell (Austr\u00e1lia) e CELLTROVET (Brasil). Portanto, est\u00e1 nova abordagem terap\u00eautica j\u00e1 \u00e9 uma realidade no mercado veterin\u00e1rio mundial.<\/p>\n<p><strong>Figura 2.<\/strong> Doen\u00e7as tratadas por meio da terapia com c\u00e9lulas-tronco<\/p>\n<figure id=\"attachment_4447\" aria-describedby=\"caption-attachment-4447\" style=\"width: 887px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4447 size-full\" src=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Doencas-tratadas-por-meio-da-terapia-com-celulas-tronco.png\" alt=\"\" width=\"887\" height=\"619\" srcset=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Doencas-tratadas-por-meio-da-terapia-com-celulas-tronco.png 887w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Doencas-tratadas-por-meio-da-terapia-com-celulas-tronco-300x209.png 300w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Doencas-tratadas-por-meio-da-terapia-com-celulas-tronco-768x536.png 768w\" sizes=\"(max-width: 887px) 100vw, 887px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4447\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Laborat\u00f3rio CELLTROVET<\/figcaption><\/figure>\n<p>No transcorrer dos \u00faltimos anos gatos e c\u00e3es, acometidos por um quadro de DR, v\u00eam sendo submetidos ao transplante com CTMs com resultados extremamente satisfat\u00f3rios (SANTOS, 2018a; El Miniawy, 2022). Comparadas a outros tipos de c\u00e9lulas-tronco, as CTMs t\u00eam se mostro mais eficazes no processo de retardo do desenvolvimento e progress\u00e3o da DR, estando sua atividade renoprotetora relacionada \u00e0 secre\u00e7\u00e3o de citocinas, as quais impedem a inflama\u00e7\u00e3o e a fibrose, al\u00e9m de desencadear processos de reparo end\u00f3geno, como a angiog\u00eanese (PAPAZOVA, 2015).<\/p>\n<h2>TERAPIA COM C\u00c9LULAS-TRONCO EM GATOS COM DOEN\u00c7A RENAL<\/h2>\n<p>Estudos realizados, visando analisar a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes vias no transplante de CTMs, demonstraram que as vias intravenosa, intrarenal e intra-arteiral s\u00e3o seguras e eficazes para o tratamento de animais acometidos por um quadro de DR (Quimby, 2011; Vidane, 2017; Thomson, 2019). Entretanto, devemos considerar que a melhor via sempre ser\u00e1 a menos invasiva, de f\u00e1cil e r\u00e1pido acesso, pouco traum\u00e1tica, de f\u00e1cil difus\u00e3o pelo organismo e que proporcione a possibilidade de m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es, com o m\u00ednimo de efeitos colaterais (SANTOS, 2019b).<\/p>\n<p>Vidane e colaborares desenvolveram estudo com vinte sete gatos acometidos por um quadro de DRC, com o objetivo de analisar a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia do transplante de CTMs pela via intravenosa. Os dados demonstraram uma melhora significativa da fun\u00e7\u00e3o renal e retardo da progress\u00e3o da DRC, sem qualquer altera\u00e7\u00e3o na arquitetura e morfologia dos rins (Vidane, 2017).<\/p>\n<p>Santos e colaboradores demonstraram que o transplante subsequente de CTMs alog\u00eanicas criopreservada pela via endovenosa resultou em uma melhora significativa da fun\u00e7\u00e3o renal de sete gatos acometidos pela DRC em est\u00e1gio 2. Os pacientes apresentaram uma melhora cl\u00ednica, ganho de apetite e aumento da disposi\u00e7\u00e3o. No estudo foram realizados tr\u00eas transplantes com intervalos de 30 dias, sem que tenha sido observado efeitos adversos (Santos, 2018a).<\/p>\n<p>Estudo realizado por Zacharias e colaboradores em dezoito gatos nefrectomizados unilateralmente e submetidos ao transplante de CTMs pela via intravenosa, resultou em uma melhora significativa da fun\u00e7\u00e3o renal demonstrada pelo aumento de 20% na\u00a0taxa de filtra\u00e7\u00e3o glomerular\u00a0(TFG) e\/ou uma redu\u00e7\u00e3o de 20% na creatinina plasm\u00e1tica em mais de 50% dos gatos. Os dados cl\u00ednicos demonstraram que o tratamento foi bem tolerado tendo sido observado uma melhora significativa no consumo alimentar e de \u00e1gua (Zacharias, 2021).<\/p>\n<h2>TERAPIA COM C\u00c9LULAS-TRONCO EM C\u00c3ES COM DOEN\u00c7A RENAL<\/h2>\n<p>Estudo realizado em seis f\u00eameas Beagles, acometidas por um quadro de DRA, demonstrou que o transplante de CTMs,\u00a0realizado por meio da veia cef\u00e1lica, pode ser uma op\u00e7\u00e3o \u00fatil para preven\u00e7\u00e3o de fibrose renal e estimula\u00e7\u00e3o da regenera\u00e7\u00e3o renal, sem efeito negativo sobre a fun\u00e7\u00e3o renal em c\u00e3es. O efeito positivo das CTMs parece ser gerado pela redu\u00e7\u00e3o da infiltra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias, menor taxa de fibrose renal, maior express\u00e3o de VEGF, aumento da prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas epiteliais tubulares renais e menor express\u00e3o de TNF-\u03b1 e TGF-\u03b2. Esses efeitos podem acelerar a regenera\u00e7\u00e3o renal e prevenir a les\u00e3o renal cont\u00ednua, diminuindo assim o risco de progress\u00e3o para doen\u00e7a renal terminal (Lim, 2016).<\/p>\n<p>Seung-Jun Lee e colaboradores demonstraram que o transplante de CTMs realizado em quatorze machos Beagles, acometidos por um quadro de DRA, resultou em uma melhora da fun\u00e7\u00e3o renal tendo as CTMs sido detectadas no rim por meio da marca\u00e7\u00e3o com prote\u00edna fluorescente verde (GFP), usando um sistema de transfec\u00e7\u00e3o baseado em lentiv\u00edrus. A detec\u00e7\u00e3o pode ter sido resultado da via utilizada (injetadas diretamente na jun\u00e7\u00e3o corticomedular renal) uma vez que j\u00e1 foi demonstrado que as CTMs administradas sistemicamente se movem atrav\u00e9s da circula\u00e7\u00e3o sendo eventualmente retidas no pulm\u00e3o (Meyerrose, 2007). Os dados demonstraram uma melhora da fun\u00e7\u00e3o excretora renal, o que foi verificado pelos n\u00edveis s\u00e9ricos de ureia e creatinina que diminu\u00edram progressivamente ao longo de todo o experimento (Lee, 2017).<\/p>\n<p>Em estudo realizado por Santos e colaboradores, doze c\u00e3es sem ra\u00e7a definida, acometidos pelo est\u00e1gio dois da DRC, forma submetidos a tr\u00eas transplantes de CTMs, por meio da veia cef\u00e1lica, com intervalos de trinta dias. Os dados obtidos demonstraram que todos os pacientes apresentaram uma melhora significativa da fun\u00e7\u00e3o renal, verificada por meio da redu\u00e7\u00e3o progressiva dos n\u00edveis s\u00e9ricos de ureia e creatinina, assim como melhora cl\u00ednica, ganho de apetite e aumento da disposi\u00e7\u00e3o (Santos, 2019c).<\/p>\n<p>Hala M. F. El Miniawy e colaboradores demonstraram que o transplante de CTMs em c\u00e3es acometidos pelo est\u00e1gio tr\u00eas da DRC pode resultar na melhora da fun\u00e7\u00e3o renal com a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis s\u00e9ricos de ureia e creatinina, regenera\u00e7\u00e3o dos t\u00fabulos renais danificados, redu\u00e7\u00e3o da fibrose e manuten\u00e7\u00e3o da integridade dos corp\u00fasculos renais. O estudo foi realizado tendo como modelo animal seis c\u00e3es sem ra\u00e7a definida que tiveram a DRC induzida por meio da nefrectomia 5\/6. As CTMs foram injetadas diretamente no c\u00f3rtex renal, tendo sido realizados dois transplantes com intervalos de duas semanas. Foi detectado um aumento na express\u00e3o de VEGF \u00e0 medida que ocorreu o remodelamento dos vasos sangu\u00edneos devido a capacidade das CTMs se diferenciaram em c\u00e9lulas musculares lisas e c\u00e9lulas endoteliais (El Miniawy, 2022).<\/p>\n<h2>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/h2>\n<p>O transplante com c\u00e9lulas-tronco tem grande potencial para se tornar um dos aspectos mais importantes da medicina. Al\u00e9m de desempenharem um grande papel no desenvolvimento da medicina regenerativa, seu estudo revela muitas informa\u00e7\u00f5es sobre os eventos complexos que acontecem durante o processo de desenvolvimento. Na medicina veterin\u00e1ria a terapia com c\u00e9lulas-tronco vem ganhando destaque no tratamento de diversas doen\u00e7as at\u00e9 ent\u00e3o sem cura. No \u00e2mbito da DR a a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica das CTMs tem resultado em uma melhoria significativa na qualidade de vida dos animais reduzindo assim sua taxa de morbidade e mortalidade.<\/p>\n<h2>REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n<p>ALEXANDRE, Cristianne Silva et al. Lineage-negative bone marrow cells protect against chronic renal failure. <strong>Stem Cells<\/strong>, v. 27, n. 3, p.682-692, 2009.<\/p>\n<p>ANGLANI, F et al. \u201cIn search of adult renal stem cells.\u201d\u00a0<strong>Journal of cellular and molecular medicine<\/strong>\u00a0vol. 8,4 : 474-87, 2004.<\/p>\n<p>ASSIS, Tatiana Lembo de Silva et. al. 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Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/3625817369504094.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a><\/sup> Doutoranda em Engenharia El\u00e9trica; Mestrado em Ci\u00eancias da Sa\u00fade; Gradua\u00e7\u00e3o em Farm\u00e1cia. ORCID: http:\/\/orcid.org\/0000-0001-8483-5002. 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