{"id":4423,"date":"2024-08-30T16:15:05","date_gmt":"2024-08-30T19:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/?p=4423"},"modified":"2024-09-09T14:45:23","modified_gmt":"2024-09-09T17:45:23","slug":"ciencias-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/c-cv-1-q-2024\/ciencias-de-animais","title":{"rendered":"CI\u00caNCIAS DE ANIMAIS DE LABORAT\u00d3RIO NO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>An\u00edsio Francisco Soares\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jo\u00e3o Matheus Ribeiro Moura\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Maria Eduarda Lima de Souza\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Mariza Brand\u00e3o Palma\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jos\u00e9 de Castro Souza Neto J\u00fanior\u00a0<\/em><sup><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/sup><\/p>\n<div class=\"acf-input-prepend\" style=\"text-align: right;\">10.32749\/nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/4423<\/div>\n<h2>1. HIST\u00d3RIA DO BIOTERISMO<\/h2>\n<p>H\u00e1 muitos s\u00e9culos os animais s\u00e3o utilizados pelo homem, seja na alimenta\u00e7\u00e3o, para a ajuda em trabalhos de for\u00e7a f\u00edsica e tamb\u00e9m no \u00e2mbito da ci\u00eancia em conjunto com a \u00e1rea da sa\u00fade (Politi; 2008). Devido a constante evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento humano, principalmente o do estudo biol\u00f3gico, estudo da medicina humana e veterin\u00e1ria, isso reverbera consequentemente no desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o de animais e dessa forma, estimulou o processo de atualiza\u00e7\u00e3o de suas t\u00e9cnicas e de seus procedimentos. (ANDRADE, et al; 2002)<\/p>\n<p>Por muito tempo, os animais de laborat\u00f3rio v\u00eam sendo usados em pesquisas de cunho experimental em muitos centros de pesquisas, como universidades, recorrem \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o com o intuito de descobrir curas e tratamentos para determinadas doen\u00e7as e se elas podem acometer os seres humanos. Esses estudos variam nas \u00e1reas de anatomia, testes imunol\u00f3gicos e estudos no \u00e2mbito de virologia, dessa forma, permitindo o avan\u00e7o no desenvolvimento do campo cient\u00edfico e na cria\u00e7\u00e3o de novos f\u00e1rmacos e seus poss\u00edveis efeitos colaterais. No passado, os animais de laborat\u00f3rio eram definidos e utilizados apenas como uma \u201cferramenta de trabalho\u201d que auxiliava na investiga\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico sem levar em conta sua gen\u00e9tica e sua qualidade sanit\u00e1ria (ANDRADE et al., 2002).<\/p>\n<p>De certa forma, os institutos de investiga\u00e7\u00e3o eram respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de animais de laborat\u00f3rios, entretanto, tais institutos n\u00e3o possu\u00edam estruturas adequadas e nem m\u00e3o de obra habilitada para essas determinadas atividades, al\u00e9m da falta de cuidados com a alimenta\u00e7\u00e3o. Dessa forma, foi implementada no Brasil em 2008 a conhecida Lei Arouca, lei essa, que normatiza as experimenta\u00e7\u00f5es para o uso cient\u00edfico, tratando com exclusividade o tema no Brasil (Guimar\u00e3es, 2016).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de animais em laborat\u00f3rios na experimenta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica se deu inicialmente em estreita rela\u00e7\u00e3o com a \u201cpatologia comparada\u201d. Em uma \u00e9poca em que as aut\u00f3psias em humanos eram proibidas, a utiliza\u00e7\u00e3o de animais na busca da origem e das caracter\u00edsticas das patologias que afetam a esp\u00e9cie humana com a utiliza\u00e7\u00e3o de necropsias dessa forma, atrav\u00e9s do m\u00e9todo de compara\u00e7\u00e3o das patologias para encontrar semelhan\u00e7as nas patologias. Cientistas pioneiros nesses estudos como Hip\u00f3crates (em 460-377 a. C), Arist\u00f3teles (384-322) e Galeno posteriormente em Roma (130-200 d. C), se basearam nas semelhan\u00e7as e particularidades entre \u00f3rg\u00e3os dos animais e humanos. \u00c0 medida em que suas pesquisas avan\u00e7avam, descobriram o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os, a funcionalidade da corrente sangu\u00ednea, a respira\u00e7\u00e3o e a nutri\u00e7\u00e3o dos corpos, com o intuito de obter informa\u00e7\u00f5es \u00fateis dos sistemas org\u00e2nicos (Guimar\u00e3es, 2016).<\/p>\n<p>Com as experimenta\u00e7\u00f5es, Arist\u00f3teles defendia um conceito de superioridade de humanos sob os animais firmando uma hierarquia natural em que seres com uma baixa capacidade de racioc\u00ednio deveriam beneficiar e suprir seres que s\u00e3o considerados mais racionais. Posteriormente, em Roma o m\u00e9dico Galeno realizou os primeiros procedimentos de vivissec\u00e7\u00e3o em animais com o objetivo experimental de indu\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas em animais e posteriormente avaliando as experi\u00eancias (Guimar\u00e3es, 2016). No s\u00e9culo XVI, na Inglaterra, Francis Bacon fez uma reflex\u00e3o sobre a experimenta\u00e7\u00e3o animal, onde afirma que o avan\u00e7o da ci\u00eancia se faz atrav\u00e9s de suas observa\u00e7\u00f5es, na sua obra intitulada \u201c<em>Proficience and Advancement of Learning Divine and Human\u201d<\/em>, publicada em 1605 (Politi, 2008).<\/p>\n<p>Com os estudos decorridos, Galeno descobriu importantes caracter\u00edsticas nos vasos sangu\u00edneos e a descoberta de que as art\u00e9rias n\u00e3o transportavam ar devido a adventos da \u00e9poca em que a religi\u00e3o e a ci\u00eancia definitivamente n\u00e3o andavam em mesmos passos. S\u00e9culos \u00e0 frente, o m\u00e9dico brit\u00e2nico William Harvey (1638) prop\u00f4s a primeira observa\u00e7\u00e3o de animais dissecados com finalidade de estudos cient\u00edficos, em consequ\u00eancia desses estudos, diversas publica\u00e7\u00f5es desses resultados obtidos atrav\u00e9s desses experimentos foram poss\u00edveis adquirir estudos da fisiologia de circula\u00e7\u00e3o em mais de 80 esp\u00e9cies. Sendo o m\u00e9dico respons\u00e1vel por descrever corretamente o sistema circulat\u00f3rio sangu\u00edneo (Guimar\u00e3es, 2016).<\/p>\n<p>No per\u00edodo do Renascimento, o antropocentrismo colocou o ser humano no foco das aten\u00e7\u00f5es onde reafirmava a ideia de que todas as coisas deveriam servir ao homem. Essa linha de racioc\u00ednio continuou vigente nos s\u00e9culos seguintes, onde a experimenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica teve seu auge, em paralelo com o tema, o fil\u00f3sofo Ren\u00e9 Descartes considerava que os animais eram desprovidos de esp\u00edrito e consequentemente de dor tornando-a diferente da esp\u00e9cie humana. Essa teoria recebeu o nome de \u201cmecanicista\u201d fazendo uma alus\u00e3o que os animais n\u00e3o seriam nada mais que m\u00e1quinas. Futuramente, contrapondo-se \u00e0 teoria de Descartes em 1789 o fil\u00f3sofo pensador e jurista Jeremy Bentham inaugurou a base dos princ\u00edpios morais e \u00e9ticos dos animais nos procedimentos de experimenta\u00e7\u00e3o e em seus tratados, estimulou o pensamento da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas com os animais e discutir incapacidade de sentir dor e n\u00e3o a incapacidade de raciocinar e que isso deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o na forma de tratamento desses seres. (Guimar\u00e3es, 2016).<\/p>\n<p>Posteriormente, a partir da publica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o das ideias contidas no livro \u201cA Origem das Esp\u00e9cies\u201d de Charles Darwin em 1859, apareceram pressupostos de uma Com isto, come\u00e7aram a serem encorajadas as extrapola\u00e7\u00f5es dos dados obtidos em pesquisas com modelos animais para seres humanos (Paiva et al., 2005)<strong>. <\/strong>Diferentes muitos outros estudiosos no meio m\u00e9dico e biol\u00f3gico utilizaram a experimenta\u00e7\u00e3o com animais para fazer descobertas anat\u00f4micas como descobertas cient\u00edficas desse modo, avan\u00e7ando e auxiliando a medicina da \u00e9poca e conquistando e formando aos poucos a medicina que hoje em dia se utiliza (ANDRADE et al., 2002).<\/p>\n<h2>2. TIPOS DE BIOT\u00c9RIO<\/h2>\n<p>Os biot\u00e9rios s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que det\u00e9m a capacidade de reproduzir e manter animais como um reagente de car\u00e1ter biol\u00f3gico (Santos, 2023). Outro ponto a ser analisado levando em conta a sua instala\u00e7\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas como: a facilidade de garagem ou estacionamento, local para carregamento de descarregamento de produtos (seja suprimentos ou animais)(Cardoso et al, 2001). Essas instala\u00e7\u00f5es podem ser classificadas em 3 tipos diferentes e cada um com sua finalidade e particularidade, essa classifica\u00e7\u00e3o pode ser conferida a partir de:<\/p>\n<ul>\n<li>Finalidade a que se destina<\/li>\n<li>Exist\u00eancia ou n\u00e3o de uma rotina de controle de condi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria<\/li>\n<li>Rotinas existentes referentes ao m\u00e9todo de acasalamento\/condi\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de animais em \u00e1reas isoladas de centros urbanos<\/li>\n<li>\u00c1reas onde\u00a0\u00a0\u00a0 existe\u00a0\u00a0 o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 baixo\u00a0\u00a0 risco\u00a0\u00a0\u00a0 de\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 fatores externos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 atrapalhem\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a cria\u00e7\u00e3o\/experimenta\u00e7\u00e3o (Santos, 2023).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Existem 4 tipos de biot\u00e9rios, eles s\u00e3o divididos em:<\/p>\n<ul>\n<li>Biot\u00e9rio de Cria\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Biot\u00e9rio de Reprodu\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Biot\u00e9rio de Manuten\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Biot\u00e9rio de Experimenta\u00e7\u00e3o (Cardoso et al., 2001).<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 em um biot\u00e9rio que det\u00e9m o espa\u00e7o onde se encontram as matrizes reprodutoras das esp\u00e9cies que originam a produ\u00e7\u00e3o com o objetivo que visa controlar e definir antes do estudo aplicado, \u00e0s caracter\u00edsticas: (ANDRADE et al., 2002).<\/p>\n<ul>\n<li>Estado de sa\u00fade;<\/li>\n<li>Carga gen\u00e9tica;<\/li>\n<li>Manuseio de modo que o animal se torne d\u00f3cil;<\/li>\n<li>Alimenta\u00e7\u00e3o empregada;<\/li>\n<li>Ambiente adequado;<\/li>\n<li>Fatores que possam ocasionar estresses, fatores que podem influenciar, mesmo que indiretamente na resposta de um experimento (ANDRADE et al., 2002; Cardoso, et al., 2001; Santos, 2023).<\/li>\n<\/ul>\n<h2>2.1.1 BIOT\u00c9RIO DE CRIA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>S\u00e3o instala\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por animais que ser\u00e3o submetidos a experimentos com intens\u00e3o de encontrar respostas com o agregamento em pesquisas, de modo que os resultados sejam coparados com a teoria advinda da pesquisa (Barosa, 2017).<\/p>\n<p>Desse modo, o biot\u00e9rio de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele onde \u00e9 encontrado animais com o prop\u00f3sito de reprodu\u00e7\u00e3o de diversas esp\u00e9cies que originam toda a produ\u00e7\u00e3o para um experimento. (ANDRADE et al., 2002)<em>.<\/em><\/p>\n<h2>2.1.2 BIOT\u00c9RIO DE REPRODU\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>Os biot\u00e9rios de reprodu\u00e7\u00e3o t\u00eam a funcionalidade de criar grandes quantidades de animais advindos dos biot\u00e9rios de cria\u00e7\u00e3o, para atender pesquisas e suas experimenta\u00e7\u00f5es (BARBOSA, 2017)<strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os animais devem passar por um per\u00edodo de habitua\u00e7\u00e3o para estar apto \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o, esse tempo \u00e9 necess\u00e1rio para adaptar o animal para o ambiente do biot\u00e9rio e suas viv\u00eancias como: a alimenta\u00e7\u00e3o controlada, ao manuseio utilizado para as experimenta\u00e7\u00f5es e ao controle de poss\u00edveis doen\u00e7as e assim sendo necess\u00e1rio colocar em um per\u00edodo de quarentena (Santos; 2023).<\/p>\n<h2>2.1.3 BIOT\u00c9RIO DE MANUTEN\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>O biot\u00e9rio de manuten\u00e7\u00e3o tem a finalidade de acomoda\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de sangue, fornecimento de \u00f3rg\u00e3os e a adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui matrizes e nem podem ser utilizados para procedimentos experimentais (MENEZES, 2022). A finalidade de um biot\u00e9rio de manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 de importante valor de meios de cultura, fixa\u00e7\u00e3o de complemento, desenvolvimento de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas em transplantes e outras experimenta\u00e7\u00f5es. Diferente do biot\u00e9rio de cria\u00e7\u00e3o, o biot\u00e9rio de manuten\u00e7\u00e3o tem um custo menor na aquisi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de animais sendo recomendado especialmente onde haja a necessidade de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. Este tipo de biot\u00e9rio pode estar ligado a um biot\u00e9rio de experimenta\u00e7\u00e3o (ANDRADE et al., 2002)<em>.<\/em><\/p>\n<h2>2.1.4 BIOT\u00c9RIO DE EXPERIMENTA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>O biot\u00e9rio de experimenta\u00e7\u00e3o recebe animais para o seu uso em pesquisas. Nos biot\u00e9rios de experimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma padroniza\u00e7\u00e3o tanto em ambiente tanto para a alimenta\u00e7\u00e3o para garantir que o estudo realizado com o animal tenha o sucesso esperado (Santos; 2023), devido a necessidade de controlar ao m\u00e1ximo, os fatores que possam interferir, direta ou indiretamente no experimento, e s\u00f3 atingir ou modificar a vari\u00e1vel visada.(ANDRADE, et al; 2002)<em>.<\/em><\/p>\n<p>Quando se tratar de doen\u00e7as potencialmente transmiss\u00edveis estudadas no \u00e2mbito do biot\u00e9rio de experimenta\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o necess\u00e1rias uma estrutura apropriada e uma rotina de trabalho que ofere\u00e7a barreiras contra a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as e, qualquer animal que entrar em um biot\u00e9rio dever\u00e1 passar por uma quarentena (BARBOSA; 2017)<strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<h2>3. MODELO ANIMAL<\/h2>\n<p>Antes da era moderna, n\u00e3o era levado em considera\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e gen\u00e9tica dos animais que seriam utilizados em pesquisas. Com o advento da era Moderna e avan\u00e7o da ci\u00eancia, tornou-se necess\u00e1rio que os animais tivessem essas condi\u00e7\u00f5es ideais bem classificadas e que o ambiente fosse controlado, visto que esses s\u00e3o reagentes biol\u00f3gicos e que quanto maior a uniformidade desses animais, mais seguro seriam os resultados dos experimentos. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio que os animais de laborat\u00f3rio sejam classificados em status sanit\u00e1rio e gen\u00e9tico (FERREIRA, 2005).<\/p>\n<h2>3.1.1. STATUS SANIT\u00c1RIO<\/h2>\n<ul>\n<li>Animais Gnotobi\u00f3ticos: animais que possuem microbiota associada definida, devendo ser criados em ambientes dotados de barreiras sanit\u00e1rias absolutas.<\/li>\n<li>Germfree (GF) ou Ax\u00eanicos: s\u00e3o animais livres de microrganismos, criados com barreiras sanit\u00e1rias desde feto para n\u00e3o ter contato com micr\u00f3bios.<\/li>\n<li>Flora Definida (FD): \u00e9 utilizado um animal germfree que ser\u00e1 contaminado com um ou mais microrganismo, ou seja, possuem flora microbiana definida.<\/li>\n<li>Animais Livres de Germes Patog\u00eanicos Espec\u00edficos (SPF): s\u00e3o animais isentos de microrganismos espec\u00edficos, mas isso n\u00e3o impede eles de serem contaminados com microrganismos que n\u00e3o sejam espec\u00edficos (ALVES et al, 2002).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa variedade de modelos animais \u00e9 importante por permitir o estudo da a\u00e7\u00e3o de um agente sem interfer\u00eancia de outros microrganismos e da fun\u00e7\u00e3o da microflora (WOSTMANN, 1996).<\/p>\n<ul>\n<li>Animais Convencionais: animais que n\u00e3o possuem microbiota bem definida devido ao fato de viverem sem barreiras sanit\u00e1rias rigorosas (COUTO, 2002).<\/li>\n<\/ul>\n<h2>3.1.2. STATUS GEN\u00c9TICO<\/h2>\n<p>Segundo Magalh\u00e3es (2012), em 1953 os pesquisadores Watson e Crick descobriram a estrutura molecular do DNA o que possibilitou o desenvolvimento de tecnologias gen\u00e9ticas a favor do homem e da ci\u00eancia.<\/p>\n<ul>\n<li>Animais isog\u00eanicos<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa linhagem \u00e9 caracterizada quando a homozigose se expressa acima de 98,2% no genoma do animal, isso ocorre ap\u00f3s ocorrer o cruzamento entre irm\u00e3os por mais de 20 gera\u00e7\u00f5es. Animais isog\u00eanicos apresentam maior preserva\u00e7\u00e3o da pureza gen\u00e9tica, ocasionando numa maior semelhan\u00e7a de fen\u00f3tipo e gen\u00f3tipo entre os indiv\u00edduos parentais (BRAGA, 2017).<\/p>\n<ul>\n<li>Animais n\u00e3o consangu\u00edneos<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa linhagem permite a diversidade gen\u00e9tica e fenot\u00edpica por possuir heterozigose acima de 99% (SANTOS, 2002). Para gerar animais outbred ou n\u00e3o consangu\u00edneos \u00e9 necess\u00e1rio um grande n\u00famero de casais cruzando para permitir maior troca de material gen\u00e9tico (CHORILLI et al., 2007).<\/p>\n<ul>\n<li>Animais h\u00edbridos<\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o animais derivados de duas linhagens puras (isog\u00eanicas) possuidores de alelos diferentes com a finalidade de gerar indiv\u00edduos heterozigotos (SANTOS, 2002). Essa linhagem costuma apresentar uma m\u00e9dia superior em rela\u00e7\u00e3o aos pais<\/p>\n<p>(PEREIRA,2008).<\/p>\n<ul>\n<li>Animais transg\u00eanicos<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 inserido ou silenciando um gene de interesse permitindo a express\u00e3o ou inexpress\u00e3o no animal (PAULA et al, 2017). Assim, ocorre uma altera\u00e7\u00e3o no genoma ocasionando uma muta\u00e7\u00e3o permitindo o estudo de um tumor, por exemplo (CHORILLI et al, 2007).<\/p>\n<ul>\n<li>Animais mutantes<\/li>\n<\/ul>\n<p>Podem ser divididas em muta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas quando ocorre de forma natural, ao acaso, ou muta\u00e7\u00e3o induzida quando \u00e9 provocada propositalmente em laborat\u00f3rio (FERREIRA et al, 2005).<\/p>\n<h2>4. COMISS\u00c3O DE \u00c9TICA<\/h2>\n<p>A Lei Arouca, Lei Federal n\u00ba 11.794\/08, sancionada no dia 8 de outubro de 2008, uma das principais leis pioneiras no \u00e2mbito de pesquisa de animais, \u00e9 uma lei que regula e estabelece os procedimentos que utilizam animais para uso cient\u00edfico (DALBEN, 2013). A defini\u00e7\u00e3o de experimenta\u00e7\u00e3o animal \u00e9 toda e qualquer execu\u00e7\u00e3o para prop\u00f3sitos did\u00e1ticos ou para pesquisa, excluindo o animal humano. No s\u00e9culo XVII, Ren\u00e9 Descartes acreditava em um grande distanciamento entre animal e ser humano, Descartes declarava que os animais por n\u00e3o terem alma eles n\u00e3o tinham a capacidade de sentir a dor. O uso animal para pesquisa teve seu prim\u00f3rdio moral no ano de 1959 por e William Russell e Rex Burch, autores do livro The Principles of Humane Experimental Tecnique, onde as diretrizes internacionais, conhecidas como 3R: replace, reduce e refine, sobre as experimenta\u00e7\u00f5es foram publicadas (DALBEN, 2013).<\/p>\n<p>As diretrizes s\u00e3o indispens\u00e1veis em qualquer utiliza\u00e7\u00e3o da ferramenta \u00e9tica e jur\u00eddica que seja com o princ\u00edpio destinado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o animal em experimentos, podendo observar que a substitui\u00e7\u00e3o (replace) demonstra procurar substituir a utiliza\u00e7\u00e3o de animais vertebrados por seres n\u00e3o sencientes, redu\u00e7\u00e3o (reduce) aconselha \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de animais em pr\u00e1ticas experimentais, por fim, o refinamento (refine) que defende a necessidade da diminui\u00e7\u00e3o do desconforto provocado ao animal no decorrer de determinado experimento <strong>(<\/strong>(DALBEN, 2013). Onde \u00e9 poss\u00edvel identificar os 3R\u00b4s no artigo VI do COBEA: <em>\u201cOs animais selecionados para um experimento devem ser de esp\u00e9cie e qualidade apropriadas e apresentar boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, utilizando-se o n\u00famero m\u00ednimo necess\u00e1rio para se obter resultados v\u00e1lidos. Ter em mente a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos tais como modelos matem\u00e1ticos, simula\u00e7\u00e3o por computador e sistemas biol\u00f3gicos in vitro\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Com a determina\u00e7\u00e3o para garantir a legalidades dos procedimentos a Lei Arouca, criou o Conselho nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal, o CONCEA, com suas responsabilidades dispostas como no artigo 5\u00b0 e seus adendos de forma b\u00e1sica \u201c<em>formular e zelar pelo cumprimento das normas relativas \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de animais com finalidade de ensino e a pesquisa cient\u00edfica<\/em>\u201d (Oliveira, 2013). Ou seja, isso se deve pela necessidade de fiscalizar os cumprimentos das normas da utiliza\u00e7\u00e3o de animais, sendo v\u00e1lido tamb\u00e9m credenciar as institui\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o ou para a utiliza\u00e7\u00e3o de animais na \u00e1rea de ensino e pesquisa cient\u00edfica, com o intuito de solidificar as normas t\u00e9cnicas para a instala\u00e7\u00e3o e funcionamento dessas institui\u00e7\u00f5es (Oliveira, 2013).<\/p>\n<p>Em termos de dificuldade a serem vencidas pelo CONCEA \u00e9 a fiscaliza\u00e7\u00e3o de forma mais eficiente e para isso, utiliza-se o Comit\u00ea de \u00c9tica no Uso Animais, CEUA\u00b4s que \u00e9 citado no Artigo 8\u00b0 da Lei n\u00ba 11.794\/08 <em>\u201c\u00c9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o credenciamento das institui\u00e7\u00f5es com atividades de ensino ou pesquisa com animais a constitui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de Comiss\u00f5es de \u00c9tica no Uso de Animais, CEUAs\u201d <\/em>(Bonella, 2009).<\/p>\n<h2>5. ESTRESSE ENTRE OS ANIMAIS DE LABORAT\u00d3RIO<\/h2>\n<p>A Lei Arouca bane a crueldade contra os animais de laborat\u00f3rio, visto que esses s\u00e3o sujeitos de pesquisa e n\u00e3o apenas uma cobaia, sendo necess\u00e1rio assegurar o bem-estar desses indiv\u00edduos (BONELLA, 2009). Assim, \u00e9 importante assegurar as necessidades b\u00e1sicas desses animais, como boa nutri\u00e7\u00e3o, recursos h\u00eddricos de qualidade, diminui\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos, ilumina\u00e7\u00e3o que respeito o ciclo circadiano do animal, temperatura do biot\u00e9rio em 21\u00baC (RIVERA, 2002), ventila\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o do ar para evitar ac\u00famulo de gases t\u00f3xicos (REIS, 2012). Al\u00e9m disso, outra maneira de garantir o bem-estar do animal \u00e9 evitar o transporte desses animais, bem como realizar procedimentos invasivos perto de outros animais (ESTURI\u00c3O, 2021).<\/p>\n<p>A altera\u00e7\u00e3o desses fatores ambientais pode acarretar um desequil\u00edbrio homeost\u00e1tico no indiv\u00edduo e sendo, portanto, um agente estressante, violando o bem-estar e ocasionando consequ\u00eancias para o animal (ACCO, 1999).<\/p>\n<p>O endocrinologista Hans Selye desenvolveu o conceito de estresse quando analisou que esp\u00e9cies diferentes apresentavam uma repeti\u00e7\u00e3o na resposta fisiol\u00f3gica para est\u00edmulos negativos. Essas experi\u00eancias que rompem a homeostase e se tornam nocivas para o organismo do indiv\u00edduo, s\u00e3o consideradas \u201cestressoras\u201d (BAUER, 2002). De acordo com Bonella (2009), os animais de laborat\u00f3rio sentem dor, medo, rela\u00e7\u00f5es sociais e no\u00e7\u00e3o de mundo, sendo necess\u00e1rio n\u00e3o apenas assegurar um ambiente adequado, mas respeitar suas intera\u00e7\u00f5es com outros membros.<\/p>\n<p>A perturba\u00e7\u00e3o na rotina desse animal ir\u00e1 causar um estresse que, por sua vez, vai agir ativando o eixo hipot\u00e1lamo hipofis\u00e1rio adrenal aumentando o cortisol na corrente sangu\u00ednea (BAUER, 2002). Dentre os preju\u00edzos causados aos animais pelas doses de cortisol, est\u00e3o: diminui\u00e7\u00e3o no tamanho do feto e maior taxa de mortalidade entre os filhotes devido ao porte pequeno e a pouca capacidade de termorregula\u00e7\u00e3o (ENCARNA\u00c7\u00c3O; 1986); imunossupress\u00e3o ocasionada pelo horm\u00f4nio cortisol se ligar a receptores dos linf\u00f3citos (BAUER, 2002); alto desgaste f\u00edsico e envelhecimento precoce; afec\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas, como urtic\u00e1ria; e diabetes devido \u00e0 quebra de glicog\u00eanio gerada pelo cortisol (BOLLER, 2003). J\u00e1 os preju\u00edzos ocasionados aos pesquisadores s\u00e3o: perdas de animais por canibalismo e altera\u00e7\u00e3o nos resultados obtidos devido a desequil\u00edbrios fisiol\u00f3gicos (SCHANAIDER, 2004)<\/p>\n<p>Contudo, alguns animais apresentam maiores sinais de estresse que outros e s\u00e3o importantes por servirem de indicadores que o manejo n\u00e3o est\u00e1 sendo feito de forma adequada (FARIA, 1998).<\/p>\n<p>Portanto, para alcan\u00e7ar o m\u00e1ximo potencial de pesquisa e garantir o bem-estar animal, \u00e9 importante oferecer condi\u00e7\u00f5es ideais e respeito para as esp\u00e9cies de animais de biot\u00e9rio.<\/p>\n<h2>6. ALTERNATIVAS AO USO DE ANIMAIS DE LABORAT\u00d3RIO<\/h2>\n<p>Por muito tempo acreditou-se no pensamento de Ren\u00e9 Descartes, fil\u00f3sofo da Idade Moderna, que os animais n\u00e3o eram sens\u00edveis \u00e0 dor por n\u00e3o possu\u00edrem alma (MAGALH\u00c3ES E ORT\u00caNCIO, 2006) e eles foram usados em diversos experimentos sem prote\u00e7\u00e3o. Contudo, atrav\u00e9s de estudos cient\u00edficos foi provado que os animais s\u00e3o seres sencientes (DINIZ et al., 2006).<\/p>\n<p>Desenvolvida pela UNESCO, a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos dos Animais foi respons\u00e1vel por incentivar manifesta\u00e7\u00f5es em defesa aos animais de laborat\u00f3rio ao igual\u00e1-los aos seres humanos (KLETTENBERG E MENDON\u00c7A, 2023). Atrav\u00e9s desses movimentos, Russel e Burch desenvolveram o Princ\u00edpio dos 3 Rs que se trata do refinamento das t\u00e9cnicas utilizadas que visam diminuir a dor do animal, da redu\u00e7\u00e3o da quantidade de cobaias e a da substitui\u00e7\u00e3o (replace) dos animais por m\u00e9todos alternativos (PEDRO, 2021).<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos alternativos, que s\u00e3o capazes de substituir a utiliza\u00e7\u00e3o de cobaias em experimentos, buscam diminuir os desconfortos causados a esses animais (FURLAN E FISCHER, 2020). Al\u00e9m disso, as metodologias capazes de substituir a quantidade de animais usados pela ci\u00eancia, deve ser aceito em \u00e2mbito internacional e garantir resultados similares (PEDRO, 2023).<\/p>\n<p>Essas metodologias alternativas possuem um potencial ben\u00e9fico elevado devido a variedade de modelos de substitui\u00e7\u00e3o para o uso animal, como o uso de modelos matem\u00e1ticos, sistemas in vitro, animais n\u00e3o protegidos &#8211; como as larvas dos camar\u00f5es- e t\u00e9cnicas f\u00edsico-qu\u00edmicas (PRESGRAVE, 2002). Somado a isso, possuem as vantagens de obter uma maior rapidez nas respostas da pesquisa, menor custos, maior precis\u00e3o dos resultados e menor problema com quest\u00f5es \u00e9ticas (ABREU et al, 2008).<\/p>\n<h2>REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n<p>ABREU, C. L. C; PRESGRAVE, O. A. F; DELGADO, I. 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(2013). <strong>A Lei Arouca e o uso de animais em ensino e pesquisa na vis\u00e3o de um grupo de<\/strong><strong>docentes. <\/strong>Revista do Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo, 7(2), 139-149.<\/p>\n<p>PAIVA FP, MAFFILI VV, SANTOS ACS, orgs. <strong>Curso de manipula\u00e7\u00e3o de animais de laborat\u00f3rio. Rio de Janeiro: Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), <\/strong>Centro de Pesquisas Gon\u00e7alo Moniz; 2005.<\/p>\n<p>POLITI, F.A.S.<strong> &#8220;Caracteriza\u00e7\u00e3o de biot\u00e9rios, legisla\u00e7\u00e3o e padr\u00f5es de biosseguran\u00e7a.&#8221;<\/strong> Revista de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas B\u00e1sica e Aplicada, vol. 29, n.1, p. 17-28, 2008.<\/p>\n<p>PEDRO, D. A. . (2021). <strong>M\u00c9TODOS ALTERNATIVOS AO USO DE ANIMAIS EM ENSINO E PESQUISA: EVOLU\u00c7\u00c3O E PANORAMA ATUAL DO BRASIL. <\/strong><em>ENCICLOPEDIA BIOSFERA<\/em>, <em>18<\/em>(37).<\/p>\n<p>PEDRO, D. A., &amp; BENTO, T. F. M. 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S. (1996). <strong>Germfree and gnotobiotic animal models : background and applications.<\/strong><\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><\/sup> PhD em Bioqu\u00edmica e Fisiologia; Mestrado em Fisiologia; Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0000-0002-7538-4518. Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/9044747136928972.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a><\/sup> Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0005-0324-438X. Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/4964207173576203.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><\/sup> Graduanda em Medicina Veterin\u00e1ria. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0009-0002-4649-3974. Curr\u00edculo Lattes: https:\/\/lattes.cnpq.br\/3903077737577937.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><\/sup> PhD em Bioci\u00eancia Animal; Mestrado em Anatomia; Gradua\u00e7\u00e3o em Odontologia. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0000-0002-6809-8396. Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/5056572269695104.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><\/sup> P\u00f3s-Doutorado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas; PhD em Bioci\u00eancia Animal; Mestrado em Ci\u00eancia Veterin\u00e1ria. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0000-0002-6457-6098. 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