{"id":1764,"date":"2023-03-17T09:32:31","date_gmt":"2023-03-17T12:32:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/?p=1764"},"modified":"2023-05-04T12:45:53","modified_gmt":"2023-05-04T15:45:53","slug":"transtornos-gastricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/ciencias-da-saude\/transtornos-gastricos","title":{"rendered":"9. Uso do Anis Estrelado como analg\u00e9sico e nos transtornos g\u00e1stricos em adultos e crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Mar\u00edlice Winckler de Oliveira <sup><sup><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Larissa Alves de Oliveira <sup><sup><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/sup><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jo\u00e3o Italo Fortaleza de Melo <sup><sup><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/sup><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">DOI:\u00a010.32749\/nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/1764<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>O uso de plantas medicinais \u00e9 uma pr\u00e1tica comum nas sociedades, tanto nas regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds quanto nas grandes cidades, e o conhecimento tradicional sobre o uso de v\u00e1rias plantas \u00e9 vasto e tem sido transmitido desde civiliza\u00e7\u00f5es antigas. \u00a0Existem provavelmente cerca de 250.000 esp\u00e9cies de plantas no mundo, das quais apenas cerca de 15% s\u00e3o conhecidas por sua atividade biol\u00f3gica, e um total de 25.000 esp\u00e9cies s\u00e3o consideradas medicinais (ALVES, 2004).\u00a0 O homem usou plantas para alimentos, entretenimento e fins medicinais, aprendendo primeiro com o comportamento animal e, em seguida, atrav\u00e9s de seus pr\u00f3prios instintos, criando um m\u00e9todo de tentativa e erro. Hoje, a medicina fez grandes progressos no diagn\u00f3stico e tratamento de muitas doen\u00e7as, e novos rem\u00e9dios \u00e0 base de plantas para doen\u00e7as cr\u00f4nicas est\u00e3o sendo pesquisados e desenvolvidos (BAPTISTEL <em>et al., <\/em>2014).<\/p>\n<p>A medicina t\u00edpica e obsoleta, insiste e ignora o uso de plantas medicinais, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel permanecer regido pela l\u00f3gica da medicaliza\u00e7\u00e3o extrema. Hoje domina a cultura de que precisamos de receitas para tudo, focadas muito mais na obedi\u00eancia do consumo do que na melhoria, de fato, de quem as utiliza. Voc\u00ea tem que mudar a rota, abrir a cabe\u00e7a. Pense no futuro sem esquecer o passado. Ao pensar e at\u00e9 mesmo reconhecer a falta de acesso a essas drogas, fica claro que comprimidos sint\u00e9ticos, pomadas e anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o est\u00e3o dando conta de tanto sofrimento (JOLIVI, 2020). O uso cr\u00f4nico de medicamentos semelhantes a doces e a maneira como isso acontece hoje, traz muito mais riscos do que benef\u00edcios. Segundo levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, 40% dos casos de intoxica\u00e7\u00e3o no pa\u00eds s\u00e3o causados por medicamentos. O percentual \u00e9 maior do que o trazido por drogas il\u00edcitas, pesticidas, inseticidas e venenos. Mesmo assim, se usarmos a internet para buscar informa\u00e7\u00f5es, vemos que quase n\u00e3o h\u00e1 campanhas pelo uso consciente e prescri\u00e7\u00e3o desses medicamentos (JOLIVI, 2020). O ac\u00famulo de informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias ancestrais sobre o nosso ambiente, interagindo com ele e atendendo \u00e0s suas necessidades de sobreviv\u00eancia humana. As plantas sempre desempenharam um papel fundamental em muitas pr\u00e1ticas da cultura popular por diversos motivos, e se destacam por seu potencial terap\u00eautico, que \u00e9 transmitido de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. No alvorecer da civiliza\u00e7\u00e3o, a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade era desenvolvida por mulheres cujos conhecimentos eram adquiridos no seio da fam\u00edlia, independentemente do prest\u00edgio ou do poder social. Assim, desenvolveu-se uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre mulheres e plantas, uma vez que seu uso foi o principal recurso terap\u00eautico para tratar a sa\u00fade das pessoas e de suas fam\u00edlias (ISERHARD <em>et al.<\/em>, 2009). V\u00e1rios fatores est\u00e3o atualmente impulsionando o aumento do uso de plantas como recursos medicinais, incluindo o alto custo da medicina industrial, o fraco acesso a cuidados m\u00e9dicos e a tend\u00eancia para produtos naturais (ALVES, 2004). Acredita-se que o cuidado realizado por meio de plantas medicinais \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 sa\u00fade humana, desde que o usu\u00e1rio tenha conhecimento pr\u00e9vio de sua finalidade, riscos e benef\u00edcios. Al\u00e9m disso, o profissional de sa\u00fade, especialmente o enfermeiro, deve considerar tal recurso de origem popular em sua pr\u00e1tica assistencial, permitindo um cuidado singular, centrado em cren\u00e7as, valores e estilo de vida de cuidado (ISERHARD <em>et al., <\/em>2009; BADKE <em>et al., <\/em>2012).<\/p>\n<p>A adi\u00e7\u00e3o a este tipo de farmacoterapia deve-se ao menor n\u00famero de efeitos adversos\/colaterais e \u00e0 facilidade de acesso barato, em compara\u00e7\u00e3o com as drogas sint\u00e9ticas. Dados sobre o mercado de ervas no Brasil mostram uma redu\u00e7\u00e3o significativa no registro desses produtos em 72% entre 2009 e 2015, indicando que o mercado nacional est\u00e1 aquecido (FREIRE <em>et al., <\/em>2011). O caminho percorrido por uma tecnologia desde a sua g\u00e9nese (prot\u00f3tipo) at\u00e9 \u00e0 sua chegada ao\u00a0 mercado, <em>divide-se<\/em> em tr\u00eas fases: inven\u00e7\u00e3o (cria\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica ou produto), inova\u00e7\u00e3o (novidade da cria\u00e7\u00e3o ou melhoria de uma cria\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente no mercado) e dissemina\u00e7\u00e3o (ades\u00e3o \u00e0 inven\u00e7\u00e3o num determinado per\u00edodo)\u00a0 (FREIRE <em>et al., <\/em>2011).<\/p>\n<p>No caso de uma inova\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica, isso ocorre devido a: altera\u00e7\u00e3o das propriedades do composto, como a estrutura qu\u00edmica do Ingrediente Ativo (IA) da forma farmac\u00eautica, sendo o composto capaz de apresentar novas propriedades, que n\u00e3o podem necessariamente ser pioneiras no mercado, farmacol\u00f3gicas ou farmacodin\u00e2micas, entendidas como um princ\u00edpio ativo que apresenta um novo alvo terap\u00eautico ou que apresenta menos efeitos colaterais em rela\u00e7\u00e3o a um composto existente que atua\u00a0 sobre o mesmo objetivo (ARONSON, 2008). O mercado atual de medicamentos equivale a cerca de 1,1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares americanos, dos quais 35% t\u00eam como fonte direta ou indireta derivados de produtos naturais. Desse percentual, a maioria (25%) corresponde ao uso de plantas. Esses recursos, al\u00e9m de serem utilizados para a descoberta e desenvolvimento de drogas sint\u00e9ticas, s\u00e3o utilizados como mat\u00e9ria-prima para novos medicamentos e fitof\u00e1rmacos (AKKARI <em>et al., <\/em>2016).<\/p>\n<h2>ANIS ESTRELADO<\/h2>\n<p>O anis estrelado tem o nome cient\u00edfico de Illicum verum Hooker. Sua sinon\u00edmia cient\u00edfica \u00e9 Illicum anisatum, Illicum san-ki perr. Seu nome popular pode ser diferente nas mais diversas regi\u00f5es: Anis-sib\u00e9ria, Anis-verdadeiro, Badiana, Badiana-del-olor, funcho-de la-china, \u00e9s de la familia lliciaceas. A parte utilizada \u00e9 o seu fruto (<strong>Figura 1<\/strong>). Sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica \u00e9 um \u00f3leo essencial (2,5-8,5%), o principal componente \u00e9 o transanetol (80-90%).\u00a0 Outros componentes minorit\u00e1rios s\u00e3o cis-aetol, \u0131-terpineol, limoneno (5%), taninos, resina, saponina, pentosanos (SILVA <em>et al., <\/em>2020).<\/p>\n<p>\u00c9 uma \u00e1rvore perene (<strong>Figura 2<\/strong>) de at\u00e9 10 metros de altura com casca branca que se abre em tiras. As folhas t\u00eam 7,5 cm de comprimento, com bordas inteiras, lanceoladas brilhantes, el\u00edpticas. Fol\u00edculos estrelados de 2 cm de di\u00e2metro com 8 carpelos simbi\u00f3ticos que se abrem quando maduros e cont\u00eam sementes marrons, lisas e brilhantes. Aroma e sabor forte, doce e picante. Indica\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica, tem efeitos anticonvulsivantes, antimicrobianos, antif\u00fangicos, ass\u00e9pticos, antit\u00fassigenos, flatulentos, diur\u00e9ticos e anti-inflamat\u00f3rios. Anis estrelado \u00e9 um rem\u00e9dio comprovado para tosse e antiespasm\u00f3dico digestivo. O \u00f3leo essencial (OE)\u00a0 e os flavonoides afetam os m\u00fasculos lisos do trato digestivo e do trato respirat\u00f3rio (SILVA <em>et al., <\/em>2020).<\/p>\n<p>Existem diversas atribui\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas de seu uso que v\u00e3o desde o <em>medicamento in natura<\/em>, p\u00f3 e \u00f3leo OE, reconhecidos por diversas farmacopeias como chinesa e brasileira, por exemplo. Na forma de infus\u00e3o (ch\u00e1 medicinal), \u00e9 mencionado como antipir\u00e9tico, no al\u00edvio da dor e c\u00f3licas, em casos de v\u00f4mitos e dor na regi\u00e3o lombar e reumatismo. As sementes s\u00e3o ingeridas ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es para melhorar a digest\u00e3o. A partir dos ch\u00e1s em p\u00f3 tamb\u00e9m s\u00e3o feitos para tratar colapsos nervosos, ins\u00f4nia e como um sedativo (SILVA <em>et al., <\/em>2020).<\/p>\n<p><strong>Figura 1<\/strong> \u2013 \u00e9 poss\u00edvel visualizar as duas esp\u00e9cies mais conhecidas de anis estrelado, sendo elas tamb\u00e9m as mais dispon\u00edveis<\/p>\n<figure id=\"attachment_1767\" aria-describedby=\"caption-attachment-1767\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1767 size-full\" src=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/e-possivel-visualizar-as-duas-especies-mais-conhecidas-de-anis-estrelado-sendo-elas-tambem-as-mais-disponiveis.png\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/e-possivel-visualizar-as-duas-especies-mais-conhecidas-de-anis-estrelado-sendo-elas-tambem-as-mais-disponiveis.png 768w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/e-possivel-visualizar-as-duas-especies-mais-conhecidas-de-anis-estrelado-sendo-elas-tambem-as-mais-disponiveis-300x184.png 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1767\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Cuenca et al. (2019).<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Figura 2<\/strong> \u2013 \u00c1rvore que produz flores brancas, que s\u00e3o colhidas e secas e depois utilizadas<\/p>\n<figure id=\"attachment_1768\" aria-describedby=\"caption-attachment-1768\" style=\"width: 392px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1768 size-full\" src=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Arvore-que-produz-flores-brancas-que-sao-colhidas-e-secas-e-depois-utilizadas-jpg.webp\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"511\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1768\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Illicium verum Photo &#8211; Royalty Free Stock Image.<\/figcaption><\/figure>\n<h2>USO TRADICIONAL DE ANIS ESTRELADO<\/h2>\n<ol>\n<li>verum tem uma longa hist\u00f3ria como planta medicinal em pa\u00edses asi\u00e1ticos, especialmente na China (LIU <em>et al., <\/em>2009). A Farmacopeia Chinesa (edi\u00e7\u00e3o de 2010) declarou as propriedades dos frutos do Anis Estrelado (nome chin\u00eas Bajiaohuixiang) como aquecimento e dissipa\u00e7\u00e3o do frio, e regulando o fluxo sangu\u00edneo para aliviar a dor ou resfriado comum. As indica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas incluem c\u00f3licas abdominais, v\u00f4mitos, dor abdominal e lombar. Frutas cruas ou seus p\u00f3s tamb\u00e9m foram usados em ch\u00e1s tradicionais para tratar nervosismo e ins\u00f4nia e como um sedativo. Cresce quase exclusivamente na \u00e1rea sudoeste da China, e a Lista de Plantas Medicinais de Yunnan descreveu o uso medicinal dos frutos e folhas das esp\u00e9cies de Illicium para o tratamento da \u00eamese e da dor (LIU <em>et al., <\/em>2009). Enquanto isso, o OE destilado (nome chin\u00eas Bajiaohuixiangyou) dos frutos de I. verum foi usado principalmente para o tratamento de dores de est\u00f4mago em 0,06 \u2013 0,6 mL\/dia. Estudos sugeriram outros usos, nomeadamente que o \u00f3leo poderia ser um ant\u00eddoto para uma s\u00e9rie de venenos e \u00e9 usado para tratar o reumatismo. O \u00cdndice Guangxi de Ervas Medicinais, Flora e Flora Guangxi da China incluiu o uso da raiz ou casca do caule de outras esp\u00e9cies de Illicium como I. henryi, I. jiadifengpi para o al\u00edvio da dor articular e lombar (FLORA OF GUANGXI, 1991). Al\u00e9m disso, a casca do caule seco de I. difengpi (nome chin\u00eas Difengpi) tamb\u00e9m foi inclu\u00edda na Farmacopeia Chinesa, com a a\u00e7\u00e3o de aliviar dores reum\u00e1ticas e resfriados. Isso significa que ele pode ser usado clinicamente para dores reum\u00e1ticas e dor na cintura. No Jap\u00e3o, o uso medicinal do anis estrelado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o popular no sistema tradicional japon\u00eas de ervas medicinais (Kampo). A farmacopeia japonesa inclui apenas \u00f3leo de anis estrelado em oleum foeniculi (\u00f3leo de erva-doce) (MINISTRY OF HEALTH, 2006).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O OE \u00e9 usado para rem\u00e9dios carminativos e estomacais. Na \u00cdndia, Ilyas (1980) relatou o uso de anis estrelado. Os frutos de anis estrelado s\u00e3o mastigados para al\u00edvio estomacal e carminativa. Na Indon\u00e9sia, o \u00cdndice de Fitoterapia descreve os usos medicinais de I. verum para o tratamento da ins\u00f4nia e em aplica\u00e7\u00f5es externas ap\u00f3s o parto (EISAI, 1995). Um dicion\u00e1rio de produtos econ\u00f4micos na Mal\u00e1sia descreveu drogas com usos semelhantes (A DICTIONARY OF THE ECONOMIC PRODUCTS OF THE MALAY PENINSULA, 1936). No M\u00e9xico e nos Estados Unidos, o uso mais comum \u00e9 aliviar c\u00f3licas infantis e dores de est\u00f4mago (CANO e VOLPATO, 2004).<\/p>\n<h2>INTOXICA\u00c7\u00c3O POR ANIS ESTRELADO<\/h2>\n<p>Desde a sua introdu\u00e7\u00e3o em alguns pa\u00edses, como a Espanha, tem sido usado, especialmente para tratar c\u00f3licas de beb\u00eas. Tem um efeito antiespasm\u00f3dico que d\u00e1 a estas plantas propriedades carminativas e propriedades expectorantes. No entanto, pode ser t\u00f3xico, em altas concentra\u00e7\u00f5es, particularmente no sistema nervoso. Al\u00e9m disso, I. verum cont\u00e9m sesquiterpenos neurot\u00f3xicos chamados veranisatina A, B e C.\u00a0 Uma terceira variedade de anis pode ser confundida com anis estrelado devido \u00e0 sua semelhan\u00e7a visual \u00e9 o fruto de Illicium anisatum L. (I. Anisatum), conhecido como anis estrelado japon\u00eas, \u00e9 praticamente indistingu\u00edvel do anis estrelado, mas cont\u00e9m anisatinas, que s\u00e3o muito mais t\u00f3xicas do que as veranisatinas encontradas em I. verum. As anisatinas atuam como antagonistas n\u00e3o competitivos dos receptores GABA, que inibem a fun\u00e7\u00e3o inibit\u00f3ria dos neurotransmissores e, assim, aumentam a excitabilidade nervosa, causando convuls\u00f5es (CUENCA <em>et al., <\/em>2019).<\/p>\n<p>Apesar de sua longa hist\u00f3ria de uso, os casos de envenenamento continuam com manifesta\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e gastrointestinais, especialmente em beb\u00eas com menos de 3 meses.\u00a0 O principal ingrediente do anis estrelado e do anis verde, o anetol, que tamb\u00e9m lhes d\u00e1 seu sabor e aroma distintos, pode ter efeitos neurol\u00f3gicos negativos. Entre Outubro de 2001 e Maio de 2002, o anis estrelado foi retirado do mercado espanhol e as vendas deste produto foram sujeitas a uma regulamenta\u00e7\u00e3o mais rigorosa em resultado da notifica\u00e7\u00e3o de numerosos casos de sintomas neurol\u00f3gicos relacionados com o consumo de anis estrelado na rede nacional de hospitais espanh\u00f3is (PACHECO <em>et al., <\/em>2016).<\/p>\n<p>A tamb\u00e9m foi publicado pela Food Drug Administration. (FDA). ap\u00f3s o registro nos EUA, um aviso de seguran\u00e7a, ap\u00f3s 40 epis\u00f3dios de toxicidade do anis estrelado, 15 dos quais envolveram crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Acredita-se que o anis estrelado, embora possa causar neurotoxicidade acima da dose m\u00e1xima recomendada (uma estrela por 200 cc)2 ou se fervido por um longo per\u00edodo de tempo, resultando em concentra\u00e7\u00f5es mais altas, I. verum) seja seguro devido ao seu baixo teor de veranistina. No entanto, a maioria dos casos de envenenamento \u00e9 causada pela contamina\u00e7\u00e3o com o fruto de I. anisatum. Devido \u00e0 dificuldade de diferenciar essas esp\u00e9cies, as crian\u00e7as n\u00e3o devem receber anis estrelado. Devemos perguntar sobre o uso em todas as crian\u00e7as que apresentam sintomas digestivos ou neurol\u00f3gicos s\u00fabitos sem causa conhecida (WANG <em>et al., <\/em>2011).<\/p>\n<h2>REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n<p>ALVES C. <strong>Conhecimento Popular E Uso De Plantas Medicinais No Munic\u00edpio De Cuit\u00e9 <\/strong>\/ Pb Para O Tratamento De Doen\u00e7as. 2004.<\/p>\n<p>A DICTIONARY OF THE ECONOMIC PRODUCTS OF THE MALAY PENINSULA. <strong>Nature<\/strong>. 1936;137: 255\u2013255. doi:10.1038\/137255c0<\/p>\n<p>ARONSON JK. Something new every day: Defining innovation and innovativeness in drug therapy. 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