{"id":1716,"date":"2023-03-19T17:16:18","date_gmt":"2023-03-19T20:16:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/?p=1716"},"modified":"2023-04-20T21:58:57","modified_gmt":"2023-04-21T00:58:57","slug":"comunicacao-apoiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/ciencias-humanas\/comunicacao-apoiada","title":{"rendered":"9. A comunica\u00e7\u00e3o apoiada na psicologia social para contemplar a diversidade: uma s\u00edntese"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues <sup><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">DOI:\u00a010.32749\/nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/1716<\/p>\n<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Ao analisar os m\u00e9todos de capta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de resultados eles, geralmente, s\u00e3o atrelados \u00e0 finalidade da pesquisa e n\u00e3o ao p\u00fablico-alvo em quest\u00e3o. O que faz com que as pesquisas apresentem um vi\u00e9s que n\u00e3o enfatiza a import\u00e2ncia dos anseios e necessidades dos grupos minorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em parte, isso ocorre, pois comunicar-se n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil e as mensagens emitidas podem ter compreens\u00f5es diferentes. As vari\u00e1veis como contexto, p\u00fablico e tom podem complicar at\u00e9 os melhores oradores. Ademais, a polaridade e a inflama\u00e7\u00e3o dos internautas nas redes sociais tornam esse processo cada vez mais dif\u00edcil e al\u00e9m do zelo na fala, o discurso precisa ser adequado ao p\u00fablico-alvo.<\/p>\n<p>Sendo assim, prop\u00f5em uma an\u00e1lise de teses publicadas no per\u00edodo de 2011 a 2021, com o intuito de verificar a abordagem comunicativa em grupos minorit\u00e1rios diante da perspectiva da psicologia social.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto de comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma dicotomia entre grupos majorit\u00e1rios, aqueles que \u201cdet\u00e9m o poder\u201d e, grupos minorit\u00e1rios, aqueles que s\u00e3o frequentemente desvalorizados e sofrem priva\u00e7\u00e3o de poder, onde o status social se mostra baixo (BONOMO et al., 2020).<\/p>\n<p>A saber, de antem\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de modula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00f3tima ferramenta a fim de obter-se melhores resultados e menos ru\u00eddos na comunica\u00e7\u00e3o. Desta forma, utilizar conhecimentos de outras \u00e1reas poder\u00e1 ajudar na constru\u00e7\u00e3o do discurso. Principalmente, em casos de pessoas que necessitam se expressar para um p\u00fablico consider\u00e1vel, como l\u00edderes de empresas, celebridades, e at\u00e9 professores.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o e a psicologia social s\u00e3o ambos campos amplos e complexos e em alguns momentos \u00e9 poss\u00edvel crer se tratar do mesmo assunto, por\u00e9m possuem peculiaridades que ser\u00e1 visto mais adiante. Na verdade, muitas vezes pode-se confundir sobre o motivo de existir distin\u00e7\u00e3o entre comunica\u00e7\u00e3o e psicologia social.<\/p>\n<p>Um artigo escrito por pesquisadores da Universidade de Queensland, Austr\u00e1lia, pontua as semelhan\u00e7as e explica que, assim como a psicologia social, a comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolve relacionamentos entre as pessoas, compreens\u00e3o compartilhada das simbologias (sons, palavras, sinais e gestos) e sobretudo \u00e9 o meio pelo qual as pessoas influenciam os outros sendo influenciadas. Desta forma, visto de fora leigamente as similaridades parecem mais convincentes do que as diferen\u00e7as (HORNSEY, GALLOIS &amp; DUCK, 2008).<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, a comunica\u00e7\u00e3o, assim como a psicologia, est\u00e1 presente em diversas outras \u00e1reas: biologia, ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, antropologia, sociologia, etc., por\u00e9m, em cada uma delas elas possuem particularidades. No artigo intitulado <em>The Intersection of Communication and Social Psychology, <\/em>os autores revelam haver diferen\u00e7a na conceitua\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea para outra e \u201co que os bi\u00f3logos celulares chamam de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam pouca semelhan\u00e7a com o que os antrop\u00f3logos estudam sob a mesma rubrica\u201d (KRAUSS &amp; FUSSEL, 1996).<\/p>\n<h2><strong>Desenvolvimento<\/strong><\/h2>\n<p>O intuito foi pesquisar teses e disserta\u00e7\u00f5es que contemplassem a quest\u00e3o da abordagem comunicativa em grupos minorit\u00e1rios diante da perspectiva da psicologia social.<\/p>\n<p>Para esse fim, foi feita pesquisa na Base Digital de Teses e Disserta\u00e7\u00f5es, onde com a utiliza\u00e7\u00e3o da metodologia PRISMA foram inicialmente encontrados 69 trabalhos a partir das palavras-chave: psicologia social, comunica\u00e7\u00e3o e diversidade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a busca das palavras-chave em conjunto com o operador booleano AND (\u201cpsicologia social\u201d AND \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d AND \u201cdiversidade\u201d). O recorte temporal considerado estabeleceu-se no per\u00edodo de dez anos, compreendido entre 2011 e 2021, por ser mais adequado ao tema escolhido, restando 43 pesquisas.<\/p>\n<p>Como a escolha inicial era focada somente em teses de doutorado, ap\u00f3s o filtro, houve 10 resultados satisfat\u00f3rios. Por fim, os documentos foram analisados a fim de verificar se havia contido nos t\u00edtulos a presen\u00e7a de abordagem focada em grupos minorit\u00e1rios conforme Figura 1.<\/p>\n<p><strong>Figura 1.<\/strong> Sistematiza\u00e7\u00e3o de Busca<\/p>\n<figure id=\"attachment_1717\" aria-describedby=\"caption-attachment-1717\" style=\"width: 689px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sistematizacao-de-Busca.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1717\" src=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sistematizacao-de-Busca.png\" alt=\"Sistematiza\u00e7\u00e3o de Busca\" width=\"689\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sistematizacao-de-Busca.png 689w, https:\/\/www.nucleodoconhecimento.com.br\/livros\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sistematizacao-de-Busca-300x258.png 300w\" sizes=\"(max-width: 689px) 100vw, 689px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1717\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Fonte:<\/strong> Elaborado pela autora (2023).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Das teses encontradas, apenas 4 atenderam a todos os requisitos previamente mencionados. De acordo com t\u00edtulo, resumo\u00a0 e introdu\u00e7\u00e3o, encontrou-se quatro grupos minorit\u00e1rios distintos categorizados em: identidade de g\u00eanero (1), estudantes de baixa renda (2), idosos (3) e pessoas com defici\u00eancia intelectual (4).<\/p>\n<p>Tabela 1. Trabalhos Selecionados.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>#<\/strong><\/td>\n<td><strong>Autor<\/strong><\/td>\n<td><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/td>\n<td><strong>Institui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>1<\/td>\n<td>HOPPE (2021)<\/td>\n<td>Retratos da pesquisa brasileira em estudos de g\u00eanero: an\u00e1lise cientom\u00e9trica da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/td>\n<td>UFRGS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2<\/td>\n<td>ROSA (2019)<\/td>\n<td>Ocupa\u00e7\u00f5es estudantis: um estudo psicopol\u00edtico sobre movimentos paulistas de 2015 e 2016<\/td>\n<td>PUC SP<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>3<\/td>\n<td>SIMONEAU (2015)<\/td>\n<td>A velhice na m\u00eddia brasileira: an\u00e1lise de representa\u00e7\u00e3o social<\/td>\n<td>UERJ<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4<\/td>\n<td>FERREIRA (2012)<\/td>\n<td>Experi\u00eancias voltadas \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o social da defici\u00eancia intelectual: memoriando fatos, atos e emo\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td>UNESP<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Fonte: Elaborado pela autora, 2023.<\/em><\/p>\n<p>Realizou-se uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica dos trabalhos, o Tabela 2 demonstra quais os procedimentos utilizados em cada um deles, bem como os resultados relevantes. Perceberam-se distintos de procedimento\/m\u00e9todo para capta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de resultados, sendo n\u00e3o necessariamente ligados ao p\u00fablico-alvo e sim, a finalidade da pesquisa.<\/p>\n<p>Tabela 2. Resultados Relevantes e Metodologia.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>#<\/strong><\/td>\n<td><strong>Ano<\/strong><\/td>\n<td><strong>Procedimento \/ M\u00e9todo<\/strong><\/td>\n<td><strong>Resultados relevantes<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>1<\/td>\n<td>2021<\/td>\n<td>An\u00e1lises cientom\u00e9tricas<\/td>\n<td>Nas pesquisas brasileiras relacionadas aos estudos de g\u00eanero possui uma diversidade nos formatos de publica\u00e7\u00e3o e diferentes recortes. A identidade de g\u00eanero consolidou-se nos anos 90, j\u00e1 a quest\u00e3o dos movimentos feministas eclodiu nos anos 2000. Contudo, pesquisas sobre ra\u00e7a e etnia parecem em menor frequ\u00eancia se comparados a viol\u00eancia e homossexualidade.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2<\/td>\n<td>2019<\/td>\n<td>Entrevistas semiestruturadas, grupos focais e observa\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td>A cria\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es estudantis permitiu aos estudantes uma evolu\u00e7\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o psicossocial. Al\u00e9m disso, os relatos demonstraram uma mudan\u00e7a na forma de agir, sentir e pensar dos jovens participantes, permitindo uma forma\u00e7\u00e3o integral do sujeito.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>3<\/td>\n<td>2015<\/td>\n<td>Pesquisa explorat\u00f3ria, descritiva e documental com abordagem metodol\u00f3gica quali-quantitativa<\/td>\n<td>A m\u00eddia constituiu um objeto fundamental na percep\u00e7\u00e3o das pessoas sobre as minorias, no caso a velhice. Desta forma, a velha velhice possui imagem pejorativa, contudo a nova velhice possui conota\u00e7\u00e3o positiva. Isso se d\u00e1 pelo fato de ela circular em grande escala, gerando as diferentes representa\u00e7\u00f5es sociais.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4<\/td>\n<td>2012<\/td>\n<td>Tradu\u00e7\u00e3o memorial<\/td>\n<td>\u00c9 necess\u00e1rio haver difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia durante algumas gera\u00e7\u00f5es para uma transforma\u00e7\u00e3o. A psicologia e a comunica\u00e7\u00e3o podem de maneira unida possibilitar essa dissemina\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da mudan\u00e7a da imagem criada acerca da defici\u00eancia intelectual, exprimindo a diversidade humana e evitando a estereotipa\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Elaborado pela autora (2023).<\/p>\n<p>O n\u00famero reduzido de materiais comprova a necessidade de mais publica\u00e7\u00f5es acerca do tema. Para Ferreira (2012), urge a necessidade de difus\u00e3o sobre temas importantes relacionados a discrimina\u00e7\u00e3o, pois a conviv\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria. Desta forma, ocorrer\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o que pode perdurar durante gera\u00e7\u00f5es para efetivo \u00eaxito. Apesar da perspectiva relacionar-se a defici\u00eancia intelectual, essa premissa se encaixa para os demais grupos minorit\u00e1rios visto a presen\u00e7a da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentre os grupos citados, possuindo discuss\u00f5es mais recentes e ainda controversas \u00e9 onde as quest\u00f5es de identidade de g\u00eanero. Segundo Hoppen (2021), tem-se uma diversidade nos formatos e recortes nas publica\u00e7\u00f5es sobre o tema. Essa pulveriza\u00e7\u00e3o gera importantes resultados, por\u00e9m estes ainda s\u00e3o \u00ednfimos diante da necessidade de abordagem atual.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o, assim como a psicologia, est\u00e1 presente em diversas outras \u00e1reas: biologia, ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, antropologia, sociologia, etc., por\u00e9m, em cada uma delas elas possuem particularidades. No artigo intitulado <em>Social Psychological models of International Communication<\/em> os autores revelam haver diferen\u00e7a na conceitua\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea para outra e \u201co que os bi\u00f3logos celulares chamam de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam pouca semelhan\u00e7a com o que os antrop\u00f3logos estudam sob a mesma rubrica.\u201d (KRAUSS &amp; FUSSEL, 1996).<\/p>\n<p>Henri Tajfel, psic\u00f3logo social polon\u00eas, entende que as pessoas tendem a formar grupos e eles se tornam, consequentemente, uma fonte importante de orgulho e autoestima. Al\u00e9m disso, proporcionam aos indiv\u00edduos um senso de identidade social de pertencimento, pode-se citar a classe social, a fam\u00edlia, o time de futebol, etc. O grupo tem a conota\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas a fazerem parte da sociedade, definiram quem s\u00e3o. Portanto, a Teoria da Identidade Social, tinha por proposito integrar pessoas, conectando processos cognitivos e motiva\u00e7\u00e3o dos comportamentos (ELLEMERS, 2020).<\/p>\n<p>A estereotipagem ocorre, uma vez que todos os seres humanos possuem a tend\u00eancia de agrupar as coisas, seja ela qual for, e para isso se baseiam em diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as. Pode-se nomear esta a\u00e7\u00e3o por grupo interno (n\u00f3s) e grupo externo (eles), e que, muitas vezes, pode desencadear preconceitos como o ocorrido na Alemanha na \u00e9poca da guerra, culminando no genoc\u00eddio dos judeus.<\/p>\n<p>Segundo a professora Naomi Ellemers (2020) da <em>Utrecht University<\/em>, localizada na Gr\u00e3-Bretanha, a associa\u00e7\u00e3o a grupos ajuda as pessoas a encontrar sua identidade e conviver em harmonia. Ademais, tem cunho integrativo e proporciona a conex\u00e3o dos processos cognitivos e motivacionais.<\/p>\n<p>A categoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por est\u00e1gios, iniciando pela categoriza\u00e7\u00e3o social onde as pessoas tendem a categorizar as outras, sendo assim, quando se coloca os outros nessas \u201ccaixinhas\u201d, h\u00e1 uma rotulagem. E, a partir dela, elas fazem escolhas sobre onde devem estar. Desta forma, acabam descobrindo caracter\u00edsticas pessoais e definindo seu comportamento \u00e0s normas presentes em determinado grupo. Um indiv\u00edduo pode fazer parte de mais de um grupo simultaneamente. Exemplo: mulher, professora e meia idade. Assim, os grupos \u201ccontribuem para a constru\u00e7\u00e3o da identidade social dos seus membros, sendo a sociedade respons\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 pela defini\u00e7\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, pela cria\u00e7\u00e3o da realidade psicol\u00f3gica.\u201d (NASCIMENTO &amp; SOUZA, 2017).<\/p>\n<p>Na identifica\u00e7\u00e3o social, todo ser humano tem a necessidade de se identificar com algum grupo social. Tornar-se parte de uma \u201ctribo\u201d \u00e9 normal em qualquer faixa et\u00e1ria. A adolesc\u00eancia \u00e9 um dos per\u00edodos mais conturbados na vida, os adolescentes tentam se encaixar em grupos que tenham afinidades ou lhes darem status. Ao mesmo tempo, se apresenta relacional, grupos contribuem para a identidade, e comparativa, quando o indiv\u00edduo passa a n\u00e3o se entender parte daquele grupo quando comparado aos outros membros. E por \u00faltimo, tem-se a compara\u00e7\u00e3o social que, por vezes, pode ser perigosa e at\u00e9 causar guerras, pois grupos que se comparam entre si, podem se tornar rivais e gerarem rixas. Sendo que a \u00faltima, serve para assegurar a autoestima de seus membros (NASCIMENTO &amp; SOUZA, 2017).<\/p>\n<p>Para que os sujeitos se agrupem, claramente h\u00e1 necessidade de uma motiva\u00e7\u00e3o em comum. Para Ellemers (2020), \u201co comportamento social \u00e9 determinado pelo car\u00e1ter e motiva\u00e7\u00f5es da pessoa como um indiv\u00edduo (comportamento interpessoal), bem como pela associa\u00e7\u00e3o da pessoa ao grupo (ou seja, comportamento intergrupal)\u201d. O status tamb\u00e9m \u00e9 um fator presente nos grupos, quem cr\u00ea estar em desvantagem se esmera tanto para adquirir uma melhor posi\u00e7\u00e3o individual e do grupo. Assim, faz-se um paralelo \u00e0 hegemonia branca frente aos movimentos provenientes de outras ra\u00e7as por entenderem como amea\u00e7a. Lembrando que nem todos os membros de um grupo, necessariamente, aceitam as decis\u00f5es tomadas, gerando conflitos internos.<\/p>\n<p>Grupos vulner\u00e1veis, dentre eles mulheres, idosos, crian\u00e7as, podem sofrer uma press\u00e3o maior e somada a eles, t\u00eam-se os ind\u00edgenas, os negros e a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, dentre outros. A partir da\u00ed, h\u00e1 uma necessidade da cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o social para esses indiv\u00edduos. Eles podem experienciar diversos tipos de amea\u00e7as, internas ou externas, e at\u00e9 serem extintos. Os participantes dos grupos podem n\u00e3o concordar com as decis\u00f5es tomadas pelo seu pr\u00f3prio grupo, como quando cidad\u00e3os de um determinado pa\u00eds podem sentir culpa ou vergonha por crimes cometidos por seu pa\u00eds muito antes de nascerem (ELLEMERS, 2020).<\/p>\n<p>Portanto, pode-se entender que a identidade social \u00e9 um processo onde se justap\u00f5em na consci\u00eancia individual de maneira total, onde diferentes elementos sofrem intera\u00e7\u00e3o complementar ou no conflito. Assim, o sujeito tende a defender a exist\u00eancia e integra\u00e7\u00e3o perante a sociedade, bem como valorizar e buscar a coer\u00eancia particular (GILES &amp; OGAY, 2007).<\/p>\n<p>O pesquisador e criador da Teoria da Acomoda\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o (TAC), Howard Giles, explica que ela se deriva da psicologia social e aborda quest\u00f5es de car\u00e1ter interpessoal e as vincula aos contextos extra grupais e os desdobramentos dos ajustes de modo a evitar poss\u00edveis distanciamentos sociais. Surgiu em 1973, no livro escrito por Giles, intitulado <em>Accent mobility: a model and some data<\/em> (Mobilidade de sotaque: um modelo e alguns dados). Na \u00e9poca ficou conhecida como Teoria da Acomoda\u00e7\u00e3o da Fala. Basicamente trata do fato de o ser humano ter a tend\u00eancia de mudar a maneira como fala para corresponder \u00e0 do ouvinte.<\/p>\n<p>Ela possui duas vertentes: a converg\u00eancia e a diverg\u00eancia. A converg\u00eancia ocorre durante a adequa\u00e7\u00e3o da fala, desde o vocabul\u00e1rio at\u00e9 a velocidade, com o da pessoa que est\u00e1 falando. J\u00e1 a diverg\u00eancia, pode ser exemplificada quando um adolescente utiliza as mesmas g\u00edrias e palavr\u00f5es que seu grupo em casa, contrariando a vontade de seus pais. Evoluindo de um modelo sociopsicol\u00f3gico relativamente simples que explora o sotaque e as mudan\u00e7as bil\u00edngues na intera\u00e7\u00e3o, atualmente o TAC explora a acomoda\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o em uma ampla gama de contextos organizacionais. Uma das principais raz\u00f5es para essa adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 demonstrar afinidade com o outro. Por\u00e9m, essas altera\u00e7\u00f5es na fala podem gerar rea\u00e7\u00f5es diversas no receptor da mensagem: acolhimento, rejei\u00e7\u00e3o (por achar que \u00e9 zombaria ou bajula\u00e7\u00e3o), desconfian\u00e7a, etc.<\/p>\n<p>Desta forma, o falante deve ter cuidado para ao adaptar a fala n\u00e3o se tornar caricato e causar repulsa. O autor afirma que as expectativas dos oradores em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis adequados de converg\u00eancia e diverg\u00eancia, baseiam-se em normas sociais. Essas normas de contato com os participantes de um grupo \u00e9 que determinam o tipo de linguagem apropriada a ser utilizada em cada situa\u00e7\u00e3o. Portanto, as rela\u00e7\u00f5es extra e intergrupais s\u00e3o antigas, desde a era pr\u00e9-hist\u00f3rica, e constroem o contexto social da intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a TAC, o mais importante \u00e9 como as rela\u00e7\u00f5es entre os grupos sociais afetam o grau em que os participantes se acomodam uns aos outros. Para fins de estudos, as aplica\u00e7\u00f5es sociais foram divididas em cinco \u00e1reas comunicacionais (Tabela 3): entre culturas e grupos lingu\u00edsticos; intergeracional e de interabilidade; entre g\u00eaneros; nas Organiza\u00e7\u00f5es e, por \u00faltimo, pela m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>Tabela 3.<\/strong> \u00c1reas Comunicacionais.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td><strong>\u00c1rea de aplica\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"61%\"><strong>Defini\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Comunica\u00e7\u00e3o entre culturas e grupos lingu\u00edsticos<\/td>\n<td>Contexto mais natural, a ades\u00e3o cultural acontece pela marca\u00e7\u00e3o de recursos lingu\u00edsticos.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Comunica\u00e7\u00e3o intergeracional e de interabilidade<\/td>\n<td>Em conversas intergeracionais, os adultos mais velhos tendem a n\u00e3o acomodar o discurso a interlocutores mais jovens, contudo os mais jovens tendem a se acomodar, algumas vezes com relut\u00e2ncia.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Comunica\u00e7\u00e3o entre g\u00eaneros<\/td>\n<td>H\u00e1 a odeia de que homens e mulheres falam de maneira diferente.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Comunica\u00e7\u00e3o nas Organiza\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td>As organiza\u00e7\u00f5es possem fortes normas situacionais e assimetrias de acordo com o status e o poder dos interagentes.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Comunica\u00e7\u00e3o pela m\u00eddia<\/td>\n<td>O destinat\u00e1rio \u00e9 desconhecido, h\u00e1 pouca contextualiza\u00e7\u00e3o e as trocas n\u00e3o s\u00e3o simult\u00e2neas ou at\u00e9 mesmo ausentes.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Giles (2007).<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3rio que as formas de comunica\u00e7\u00e3o com o advento da tecnologia mudaram drasticamente. Diariamente guerras s\u00e3o travadas na internet e acabam na realidade. Seja pol\u00edtica, futebol ou qualquer outro tema gera discuss\u00e3o e opini\u00f5es de todos os lados. No livro Neuropropaganda de A Z: o que um publicit\u00e1rio n\u00e3o pode desconhecer, os autores Lavareda e Castro (2016) dizem que o respons\u00e1vel pelas atitudes de manada \u00e9 o c\u00f3rtex cingulado, pois ele tende a estimular o sentimento de confian\u00e7a em um grupo determinado e a isso gera disposi\u00e7\u00e3o para seguir a opini\u00e3o da maioria. Assim, o c\u00e9rebro sente-se bem quando se une aos outros indiv\u00edduos.<\/p>\n<h2><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h2>\n<p>Desta forma, para sobreviver \u00e0 era digital, a primeira regra \u00e9 ser cr\u00edtico e pensar antes de agir, pois na internet o que \u00e9 dito tem uma propor\u00e7\u00e3o bem maior do que antigamente. Deve-se distinguir entre o certo e o errado, a informa\u00e7\u00e3o verdadeira e a falsa. Ser cr\u00edtico e pensar antes de agir \u00e9 fundamental, pois na internet o que \u00e9 dito tem uma propor\u00e7\u00e3o bem maior do que antigamente. \u00c9 importante distinguir entre o certo e o errado, a informa\u00e7\u00e3o verdadeira e a falsa, uma vez que se tem um acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o em demasia.<\/p>\n<p>Esse excesso de informa\u00e7\u00e3o gera o que \u00e9 chamado infoxica\u00e7\u00e3o, termo criado pelo f\u00edsico espanhol Alfons Cornell\u00e1 em 1996, e \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o das palavras informa\u00e7\u00e3o e intoxica\u00e7\u00e3o, ou seja, intoxica\u00e7\u00e3o por informa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 ligada diretamente ao excesso de conte\u00fados consumidos diariamente onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel absorver, o que causa em algumas pessoas falta de aten\u00e7\u00e3o, estresse e at\u00e9 ansiedade. A sociedade passa e sempre passar\u00e1 por mudan\u00e7as, cabe a todos se adaptar a elas da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Diante das limita\u00e7\u00f5es apresentadas, entende-se importante que pesquisas aprofundem no contexto relacionado a comunica\u00e7\u00e3o dos grupos minorit\u00e1rios e a influ\u00eancia da psicologia social. Pretende-se assim, criar um movimento para que as vozes sejam ouvidas tendo em vista que apesar de minorit\u00e1rios quanto grupo, s\u00e3o relevantes quantitativamente.<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>BONOMO, Mariana et al. Minorias sociais na m\u00eddia impressa: uma an\u00e1lise de not\u00edcias veiculadas no estado do Esp\u00edrito Santo. <strong>Revista Humanidades e Inova\u00e7\u00e3o<\/strong>, v. 7, n. 19, p 341-358, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revista.unitins.br\/index.php\/humanidadeseinovacao\/article\/view\/3747. Acesso em: 21 fev. 2023.<\/p>\n<p>ELLEMERS, Naomi. <strong>Social identity theory<\/strong>. Encyclop\u00e6dia Britannica [online]. 29 nov. 2022 Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.britannica.com\/topic\/social-identity-theory. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>FERREIRA, Solange Leme. <strong>Experi\u00eancias voltadas \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o social da defici\u00eancia intelectual<\/strong>: memoriando fatos, atos e emo\u00e7\u00f5es. 2012. 120 f. Tese (doutorado) &#8211; Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ci\u00eancias e Letras de Assis, 2012. Dispon\u00edvel em: http:\/\/hdl.handle.net\/11449\/105618. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>GILES, Howard &amp; OGAY, Tania. Communication Accommodation Theory. In: WHALEY, Bryan B. &amp; SAMTER, Wendy, (org.). <strong>Explain communication: contemporary theories and exemplars<\/strong>. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum; 2007. p. 293-310.<\/p>\n<p>HOPPEN, Natascha Helena Franz. <strong>Retratos da pesquisa brasileira em estudos de g\u00eanero: an\u00e1lise cientom\u00e9trica da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong>. 2021. 389 f. Tese (doutorado) &#8211; Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o, 2021. Dispon\u00edvel em: http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/220744. Acesso em: 04 jan. 2023.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>HORNSEY, Matthew J.; GALLOIS, Cindy &amp; DUCK, Julie M. The Intersection of Communication and Social Psychology: Points of Contact and Points of Difference. <strong>Journal of Communication<\/strong>. v. 58, n. 4, p. 749-766, 2008. Dispon\u00edvel em: https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/j.1460-2466.2008.00412.x. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>KRAUSS, Robert M. &amp; FUSSEL, Susan R. Social psychological models of international communication. 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Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-82712017000200217&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>ROSA, Leandro Amorim. <strong>Ocupa\u00e7\u00f5es estudantis<\/strong>: um estudo psicopol\u00edtico sobre movimentos paulistas de 2015 e 2016. 2019. 277 f. Tese (doutorado) &#8211; Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, Faculdade de Ci\u00eancias Humanas e da Sa\u00fade, 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/tede2.pucsp.br\/handle\/handle\/22216. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>SIMONEAU, Adriana Sancho. <strong>A velhice na m\u00eddia brasileira: an\u00e1lise de representa\u00e7\u00e3o social<\/strong>. 2015. 249 f. Tese (doutorado) &#8211; Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades, 2015. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.bdtd.uerj.br\/tde_busca\/arquivo.php?codArquivo=8235. Acesso em: 04 jan. 2023.<\/p>\n<p>TAVARES, F\u00e1bio Roberto &amp; BOCATO, D\u00e9bora Cristina Curto da Costa. <strong>Psicologia da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>. Florian\u00f3polis: UNIASSELVI; 2016.<\/p>\n<p><sup><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><\/sup> P\u00f3s-doutora em Psicologia pela Universidad de Flores. Doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela Absoulute Christian University. Doutoranda em Neuroci\u00eancias pela Logos University International, Membro do Departamento Internacional de Antropologia e Religi\u00e3o da Logos University International. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0000-0003-4948-6462. 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