Estudo Comparativo do Nível de Equilíbrio de Crianças Praticantes e Não Praticantes de Dança

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Estudo Comparativo do Nível de Equilíbrio de Crianças Praticantes e Não Praticantes de Dança
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LIMA, Paloma Mendes [1]

DIPE, Eliana Lucia [2]

MIGUEL, Henrique [3]

CAMPOS, Marcus Vinícius de Almeida [4]

LIMA, Paloma Mendes; et.al. Estudo Comparativo do Nível de Equilíbrio de Crianças Praticantes e Não Praticantes de Dança. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 04. Ano 02, Vol. 01. pp 372-380, Junho de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

A dança, apesar de estar inserida como conteúdo de educação física, ainda é pouco trabalhada no ambiente escolar, sendo na maioria das vezes utilizada apenas em apresentações em dias festivos; porem a mesma deveria estar sendo trabalhada de maneira continua e planejada, inclusive no ensino infantil; visto que sua prática pode influenciar no desenvolvimento integral da criança. Assim, objetivando verificar a influencia das aulas de dança no equilíbrio estático de crianças de 05 e 06 anos; 26 alunos, do sexo feminino, de uma instituição de ensino privada de São José do Rio Pardo, foram divididos em dois grupos com 13 integrantes cada; sendo um praticante de aulas de dança, e outro não. Todos os alunos tiveram o equilíbrio avaliado pelo teste de Flamingo; sendo que os resultados indicaram que o equilíbrio estático das praticantes de dança é muito superior ao das não praticantes. Tal resultado nos leva a concluir que as atividades motoras propostas na instituição não estão desenvolvendo o equilíbrio, o que deixa claro a necessidade destas atividades serem realizadas por um profissional de educação, visto que as mesmas são realizadas pelo professor regente; sendo ainda a dança uma excelente alternativa para o desenvolvimento do equilíbrio em crianças.

1. INTRODUÇÃO

A lei 9394/96 em seu artigo 29 estabeleceu que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica, fazendo com que a mesma deixasse de existir apenas devido a programas criados para combater a pobreza, atuando de forma compensatória e assistencialista, passando a fazer parte do processo educativo, sendo objetivo desta etapa de educação, o desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (BRASIL, 1996).

Dentro do processo educacional, a dança é um importante instrumento, porém; apesar de sua importância dentro do ambiente escolar, e de estar incluída nos Parâmetros Curriculares Nacionais e nas Diretrizes Curriculares para a Educação Básica como conteúdo estruturante da Educação Física, geralmente é pouco trabalhada nas escolas, ficando seu uso restrito a apresentações em dias festivos, se valendo da reprodução de passos, muitas vezes estereotipados pela mídia, ou seja, se resume a produções coreográficas sem contextualização histórica (BUOGO; LARA, 2011).

Tal fato acaba prejudicando os alunos, visto que ao praticar aulas de dança, as crianças podem ter seu o seu equilíbrio influenciado positivamente, visto que a dança trabalha o corpo de maneira indissociável (NANNI, 2008).

O desenvolvimento do equilíbrio durante esta etapa da vida é de extrema importância, visto que ao trabalhar a coordenação motora, o equilíbrio tem um papel muito importante, pois o aperfeiçoamento progressivo da realização motora da criança só será mantido se esta for levada a sustentar um equilíbrio corporal seja em estado de relaxamento ou de movimento.

Haywood e Getchell (2004) afirmam que o desenvolvimento do equilíbrio é fundamental para que a criança consiga interagir com o meio e se desenvolver, sendo que este equilíbrio pode ser estático (criança parada) ou dinâmico (criança em movimento).

Então, a fim de avaliar os efeitos da dança em escolares, este trabalho teve como objetivo mensurar e comparar o equilíbrio estático de escolares do sexo feminino, praticantes e não praticantes de dança.

2. MATERIAL E MÉTODO

2.1. Amostra

Foram avaliados 26 alunos, do sexo feminino, com idades entre 05 e 06 anos, sendo 13 praticantes de dança e 13 não praticantes; todos matriculados em um colégio privado, da cidade São José do Rio Pardo.

2.2 Material

Para a realização do teste, utilizou-se um cronometro e uma trave de ferro, de 50cm de comprimento, 3 cm de largura, que foi posicionada a uma altura de 4cm.

2.3 Delineamento Experimental

Inicialmente, a direção da unidade escolar foi contatada e autorizou a realização da pesquisa na mesma, em seguida os alunos foram informados a respeito dos objetivos da pesquisa, e de que a participação dos mesmos seria voluntaria e que poderia ser interrompida a qualquer momento da pesquisa. Os mesmos após orientação receberam um termo de consentimento livre e esclarecido, que foi assinado pelo responsável do aluno.

A coleta dos dados ocorreu no primeiro semestre de 2016, onde se avaliou o equilíbrio estático das crianças, conforme procedimento descrito no item 2.3.

2.4 Procedimentos Metodológicos

A avaliação do equilíbrio estático foi realizada por meio do Teste de Flamingo, conforme procedimentos propostos por Vasconcelos (1991).

O teste foi realizado em um espaço reservado; onde era preenchida uma ficha contendo dados como idade e se o aluno pratica ou não aulas de dança.

Em seguida foi realizada uma breve instrução sobre a execução do teste, onde também se realizou uma demonstração.

Após a demonstração, o aluno foi orientado a colocar um dos pés sobre o eixo longitudinal da trave e, fletindo a perna livre, agarrar no peito do pé com a mão do mesmo lado, imitando a posição de flamingo; podendo para se colocar nesta posição apoiar no antebraço do avaliador.

Logo após o aluno se posicionar e cessar o apoio, foi disparado o cronometro, e iniciado de fato o teste, cujo objetivo é se mantiver na posição durante 1 minuto.

A cada perda de equilíbrio, o cronometro era parado e atribuído uma penalidade ao aluno, dando em seguida a partida no cronometro, até que o tempo se esgotasse. Se nos primeiros 30 segundos o aluno se desequilibrasse por 5 vezes, o teste era interrompido e o aluno classificado com 0 pontos.

Durante os 60 segundos, o sujeito realiza o número de tentativas necessário, de modo a manter o equilíbrio sobre a trave.

2.5 Tratamento Estatístico

Para comparar o desempenho dos alunos praticantes e não praticantes de aulas de dança, foi utilizado o teste estatístico de ANOVA, sendo que para tal, utilizou-se o programa Instat Soft, da GraphPad Softwares, na sua versão 3.1.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização do teste, observou-se que os alunos não praticantes cometeram em média 10,5±4 erros, enquanto o grupo praticante cometeu em média 3±2 erros, sendo que o resultado do teste dos membros de cada grupo pode ser observado nas tabelas 1 e 2

Tabela 1 – Praticantes Dança
Tabela 1 – Praticantes Dança
Tabela 2 – Não Praticantes Dança
Tabela 2 – Não Praticantes Dança

Tais dados indicam que o grupo não praticante possui um nível de equilíbrio extremamente, tendo todos os indivíduos avaliados zerado no teste de Flamingo.

Ao submeter os dados a tratamento estatístico, observou-se que existe uma diferença significativa entre os grupos; sendo o equilíbrio dos membros do grupo praticante de dança significativamente melhor do que o equilíbrio dos alunos não praticantes de dança, conforme pode ser observado no gráfico abaixo.

Gráfico 1 – Comparação de Praticantes e Não Praticantes de Dança
Gráfico 1 – Comparação de Praticantes e Não Praticantes de Dança

Os resultados desta pesquisa vão de encontro ao observado por Ferreira, Bosque e Vargas (2010), que ao avaliarem 260 escolares da rede pública e privada de Macapá/AP, na faixa etária de 8 a 10 anos de idade, praticantes e não praticantes de dança, observaram que as meninas que praticavam aulas de dança possuíam o equilíbrio significativamente superior ao das não praticantes.

Outros trabalhos, porém, utilizando metodologias diferentes para avaliação do equilíbrio, também corroboram com o resultado aqui encontrado, como trabalho Vargas (2003), que verificou que a prática da dança acabava por aprimorar diversas funções motoras como; coordenação, flexibilidade, resistência, agilidade, elasticidade, além do equilíbrio.

Tal melhora no equilíbrio, é sustentado por Maciel e Guerra (2005) como resultado dos repetidos deslocamentos do corpo durante mudanças de posicionamento do mesmo, em especial nos pés, tornozelos, joelhos e quadris, que levam por exigirem elevado equilíbrio corporal, leva o praticante a aprimorar tal capacidade, pois só assim ele conseguirá realizar de maneira satisfatória o movimento técnico.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados, conclui-se que as atividades propostas no ambiente de educação infantil não estão promovendo a melhora do equilíbrio dos escolares, visto que todos obtiveram baixo desempenho ao serem submetidos a teste.

Os praticantes de dança, em contrapartida, obtiveram resultados satisfatórios, o que sugere que a prática da dança está contribuindo consideravelmente para o desenvolvimento do equilíbrio.

Portanto, fica evidenciado a necessidade de profissionais qualificados no âmbito da educação física escolar, na educação infantil; que saibam desenvolver atividades múltiplas, dentre elas a dança, porém de maneira continua e com objetivos motores, pré-estabelecidos, não apenas a prática da mesma em eventos específicos, que acabam por não gerar os objetivos esperados.

Novos estudos, com caráter intervencionista são necessários para melhor verificar a capacidade de desenvolvimento do equilíbrio pela dança; inclusive fazendo uso de outras técnicas de avaliação e maior amostra.

REFERÊNCIAS

BRASIL – MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação física Brasília: MEC/ SEF, 1996.

BUOGO, E.C.B; LARA, L.M. Análise da dança como conteúdo estruturante da educação física nas diretrizes curriculares da educação básica do Paraná. Revista Brasileira de Ciência do Esporte. v. 33, n. 4, p. 873-888. 2011.

FERREIRA, G.S.; BOSQUE, R.M.; VARGAS, A.L.S. O folclore como conteúdo das aulas de educação física na cidade de Macapá/AP. FIEP Bulletin. v. 80. 2010.

HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento Motor ao longo da vida. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed. 2004.

MACIEL, A.; GUERRA, R. Prevalência e fatores associados ao déficit de equilíbrio em idosos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v.13, n. 1, p. 37-44, 2005.

NANNI, D. Dança Educação- Pré Escola á Universidade. 5ª edição, Rio de Janeiro: Editora Sprint, 2008.

PARAMETROS CURRICULARES NACONAIS, LDB 9394-96. MEC – Ministério da Educação e Cultura, Brasília- DF: 1996.

VARGAS, L.A. A dança na escola. Revista Cinergis. v.4, n.1. 2003.

[1] Graduando em Educação Física da faculdade Euclides da Cunha – FEUC

[2] Docente do Curso de Educação Física da Faculdade Euclides da Cunha – FEUC

[3] Docente do Curso de Educação Física da Faculdade Euclides da Cunha – FEUC

[4] Docente do Curso de Educação Física da Faculdade Euclides da Cunha – FEUC

Mestre em Engenharia Biomédica (2016) pela Universidade Camilo Castelo Branco (bolsista CAPES). Especialista em Treinamento Desportivo pela UniFMU/SP (2009). Graduado em Educação Física (licenciatura e bacharelado) pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista - UniFAE (2007). Docente dos departamentos de educação física da FFCL - FEUC (São José do Rio Pardo - SP) e da UNIPINHAL (Espírito Santo do Pinhal - SP) . Colaborador/pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Futebol e Futsal da USP (GEPEFFS-USP). Co-coordenador do Núcleo de Pesquisas em Educação Física e Esportes - NUPEFE/FEUC. Docente dos cursos de pós-graduação Lato Sensu ENAF/DSE. Autor de vários livros e artigos no ramo dos esportes, fitness, saúde e qualidade de vida. Tem como principais pontos de atuação o Treinamento Desportivo (Treinamento Personalizado, Treinamento Resistido e Funcional no exercício físico e nos desportos); a Fisiologia do Exercício (Adaptações neurofisiológicas ao treinamento, Recursos Ergogênicos e Esteroides Anabolizantes); Pedagogia do Treinamento dos Desportos Coletivos.

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