Em primeiro lugar, gostaria de expressar minha gratidão a Karine por ter aceitado participar dessa entrevista. Estamos conduzindo uma campanha significativa para a divulgação de autores e seus estudos, de modo que as pessoas possam conhecer os pesquisadores por trás dos nomes e sobrenomes. Como Karine menciona, “existem pessoas por trás dos estudos,” e é fundamental humanizar esse processo. Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre Karine, sua trajetória e as contribuições dela para a área da saúde, em especial, na acupuntura e medicina chinesa.
Karine iniciou sua trajetória acadêmica na fisioterapia, já com um foco claro na acupuntura. Ela compartilha que a especialidade de acupuntura foi reconhecida no Brasil em 1985, e isso a motivou a se aprofundar nesse campo. “Antes mesmo de terminar a graduação, eu já tinha feito alguns cursos livres e, ao concluir, comecei imediatamente a pós-graduação,” explica Karine. A pós-graduação teve uma duração de dois anos e meio, e o estudo que ela compartilha conosco hoje surgiu como resultado dessa especialização.
Além de fisioterapia, Karine também estudou psicologia e administração. No entanto, foi na área da acupuntura que ela encontrou sua verdadeira vocação. “Agora estou cursando três pós-graduações ao mesmo tempo, todas relacionadas à saúde,” revela. O interesse de Karine pela saúde, segundo ela, pode ter vindo da influência de sua mãe, que também estava envolvida na área de medicina chinesa. Esse ambiente familiar, marcado por um enfoque natural na saúde, foi um fator decisivo na escolha de sua carreira.
O trabalho que Karine desenvolveu surgiu do final de sua pós-graduação em acupuntura. Durante o curso, ela teve a sorte de contar com professores com mais de 40 anos de experiência na área. “Cada aula era uma oportunidade de aprender técnicas novas, e uma das que mais me chamou a atenção foi a craniopuntura japonesa,” conta Karine. A técnica despertou tanto interesse que ela decidiu aplicá-la em si mesma antes de uma cirurgia. “Foi incrível; quase não precisei de anestesia, e a médica ficou impressionada,” relembra.
Karine decidiu, então, conduzir um estudo mais aprofundado sobre essa técnica, especialmente em pacientes com condições graves como o lúpus sistêmico. Ela relata que a escolha de estudar o lúpus surgiu de uma combinação de interesse pessoal e a gravidade da condição. “Eu encontrei uma mulher com o rosto completamente fibrosado por causa do lúpus, e aquilo me chamou muita atenção. Eu quis saber se a craniopuntura poderia ajudar,” explica.
A pesquisa de Karine foi conduzida com muito cuidado para garantir a validade dos resultados. Ela utilizou um aparelho específico para medir a energia nos canais energéticos do corpo, conhecidos como meridianos. “Com esse aparelho, consegui identificar deficiências energéticas e acompanhar a evolução do tratamento de forma objetiva,” diz Karine. Os resultados foram surpreendentes. “Conseguimos triplicar o estado energético da paciente, mesmo que ela recuasse entre as sessões,” relata.
Um dos maiores desafios que Karine enfrentou foi o preconceito em torno da medicina chinesa. “Muitas pessoas, incluindo colegas de profissão, consideram a acupuntura como charlatanismo,” lamenta. Para combater isso, ela buscou uma explicação mais ocidental para a técnica, além de utilizar o aparelho para medir a energia de forma objetiva. “É importante fundamentar cientificamente o que fazemos para minimizar qualquer tipo de confronto,” destaca.
Karine tem plena consciência de que a acupuntura e outras práticas da medicina chinesa ainda enfrentam preconceitos significativos, especialmente no Ocidente. “Muita gente liga a acupuntura à religião ou ao misticismo, o que complica a aceitação,” afirma. No entanto, ela também enfatiza que essas práticas têm uma história milenar e uma base sólida, mesmo que sejam difíceis de compreender sob uma perspectiva puramente científica. “A medicina chinesa tem mais de cinco mil anos de história, e sua origem está nos nadis da Índia,” explica Karine.
Para Karine, é essencial oferecer uma explicação científica e clara dessas práticas. “Quando explico que a inserção da agulha provoca reações locais e sistêmicas no corpo, fica mais fácil para as pessoas aceitarem,” diz. Ela acredita que, ao fornecer uma fundamentação científica, é possível quebrar barreiras e aumentar a aceitação dessas práticas. “O objetivo é sempre garantir que o paciente receba o melhor tratamento possível, independentemente de crenças pessoais,” conclui.
Conciliar a prática clínica com a pesquisa científica é um desafio que Karine conhece bem. “Como pesquisadora, preciso manter uma racionalidade rigorosa para não comprometer os dados,” explica. No entanto, ela também reconhece que, como profissional da saúde, a emoção não pode ser completamente dissociada do trabalho. “É uma linha tênue entre ser objetiva na pesquisa e manter a empatia com o paciente,” reflete.
Karine conta que, durante o estudo sobre lúpus, teve que limitar as intervenções para não interferir nos resultados. “Foi difícil, porque eu queria usar todas as técnicas que conhecia para ajudar a paciente, mas tive que me conter,” diz. Essa experiência, embora desafiadora, reforçou em Karine a importância de seguir rigorosamente os protocolos de pesquisa para garantir a validade dos resultados.
Após concluir o estudo sobre lúpus, Karine continuou a aplicar e estudar acupuntura, embora tenha se distanciado um pouco do foco exclusivo no lúpus. “Hoje, eu trato pacientes com diversas condições, utilizando várias técnicas além da craniopuntura,” revela. No entanto, ela mantém o compromisso de continuar estudando e expandindo seus conhecimentos na área. “Meu foco maior sempre será a acupuntura, mesmo que eu esteja envolvida em outras áreas da saúde,” afirma.
Karine está atualmente concluindo três pós-graduações ao mesmo tempo, o que demonstra seu compromisso com o aprendizado contínuo. “Duas eu já terminei, e agora estou decidindo se vou fazer o TCC ou seguir para o mestrado,” compartilha. Ela acredita que o conhecimento nunca é demais e que sempre há algo novo a aprender, especialmente em uma área tão rica e complexa como a medicina chinesa.
Karine decidiu publicar seu estudo depois de muitos anos trabalhando em São Paulo. “Quando saí de São Paulo, ganhei mais autonomia e percebi que precisava de uma projeção maior,” explica. Ela reconhece que a publicação é uma maneira de ganhar autoridade na área e de compartilhar suas descobertas com um público mais amplo. “Pretendo continuar publicando, porque acredito que meu trabalho pode ajudar a desmistificar a acupuntura e a medicina chinesa,” diz.
Além de publicar, Karine também vê a participação em eventos e congressos como uma oportunidade valiosa. Recentemente, ela recebeu um convite para participar de um congresso internacional de medicina chinesa na França. “Foi uma surpresa muito agradável, e acredito que eventos como esse são essenciais para a troca de conhecimento e para a validação do nosso trabalho,” afirma.
Karine é um exemplo de profissional dedicada que continua a buscar novos conhecimentos e a superar desafios na área da acupuntura e medicina chinesa. Sua jornada mostra a importância da pesquisa rigorosa, da fundamentação científica e da divulgação para a validação dessas práticas. “Fazer pesquisa no Brasil não é fácil, mas é necessário,” conclui Karine. Ela espera que, através de sua pesquisa e trabalho clínico, possa contribuir para uma maior compreensão e aceitação da acupuntura e medicina chinesa no Brasil e no mundo.
Por fim, Karine agradece a todos que têm apoiado sua trajetória e destaca a importância de continuar divulgando e compartilhando conhecimento. “Espero que meu trabalho ajude a abrir a mente das pessoas para as possibilidades que a acupuntura oferece, e que possamos, juntos, contribuir para a saúde e bem-estar de todos,” encerra Karine.
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