Estado da Arte: Na Prática – Aula 1

Então se você ainda não viu o vídeo em que eu explico o que é essa ferramenta, não se esqueça de conferir.

Com essa sequência eu vou mostrar, passo a passo, como se escreve um artigo, ou seja, com essas aulas vocês conseguirão entender como se faz, de fato, uma revisão de literatura a partir do Estado da Arte, porém é muito importante a gente frisar que existem outras opções de se fazer uma pesquisa sobre o material disponível acerca de determinado tema.

Gostaria de dizer, ainda, que essa ferramenta não serve apenas para escrever um artigo, assim como esse Estado da Arte não é feito apenas da maneira em que lhes apresentei, existem inúmeras formas, mas, aqui, estou ensinado a vocês a maneira mais usual.

Outra dúvida que eu tenho notado que sempre aparece nos comentários é que vocês têm me dito que os seus professores têm recomendado livros para a elaboração deste Estado da Arte.

O que é estado da arte?

Bom, primeiro a gente tem que entender o que é essa ferramenta. Eu já tenho falado sobre isso em outros vídeos, mas não tem problema recapitular um pouquinho. Esse mecanismo de pesquisa é antes de tudo, um cenário, ou seja, um panorama para que você diga e compreenda o que se tem produzido acerca a respeito de determinado assunto.

Mas pra que isso?

Bom, é para que você entenda quais são as linhas de pesquisa, para que você entenda até onde foi descoberto ou estudado determinado assunto, para que você não faça a mesma coisa e para que você possa conhecer a evolução de estudos sobre determinada temática.

Então, à priori, o Estado da Arte é isso que eu acabei de explicar.

Mas então por que alguns professores pedem a leitura de livros?

Bom, dependendo da área e do núcleo de pesquisa em que você está, o seu professor pode querer que você conduza a sua pesquisa para aspectos mais históricos, para isso, ele inclui como leituras obrigatórias para esses alunos, autores que a gente chama de basilares.

Por exemplo, se eu quero falar sobre a Psicanálise, eu preciso realizar um Estado da Arte sobre essa área.

Para isso você faz aquela coleta que ensinamos no último vídeo, porém, o seu professor ou orientador pode falar o seguinte: “Ah, mas existem tantos livros importantes sobre a Psicanálise, por exemplo, não estou vendo Freud por aqui, no seu levantamento”.

Bom, ele tem razão, em uma pesquisa na área de Psicanálise é imprescindível a realização de leituras das obras de Freud. Então a dica que eu dou é: procure pelos artigos, bem como pelos autores que são referência em sua área de atuação.

Esse procedimento não é usual, mas você pode se deparar com esse tipo de situação. Eu digo que não é comum porque o Estado da Arte não tem como objetivo a realização de um panorama histórico de determinado assunto.

Ele serve para que você possa compreender quais são as pesquisas que existem sobre aquele determinado tema para que você possa preencher uma lacuna deixada por elas. Você só chega a essas lacunas a partir dessa coleta e leitura de materiais de vários bancos de dados.

Os jargões acadêmicos

Outra coisa que eu desejo compartilhar com vocês que é muito importante, principalmente se você atua como aluno, professor, coordenador ou pesquisador, é que, no mundo acadêmico, existem muitos jargões, assim como muitas informações novas sobre a pesquisa que tem ingressado no Brasil agora, pois estão evoluindo constantemente, que não eram usuais há um tempo atrás, mas são utilizadas em massa atualmente, não só apenas em nosso país.

Por exemplo, o excesso de informação, durante muito tempo, não era algo usual; saber o que acontece nas academias mundo afora também não era muito comum, assim como essa grande quantidade de publicações.

Também não era algo usual ter-se muitas pessoas investigando o mesmo assunto. Esse foi um salto que nós demos em termos de produção e divulgação do conhecimento.

Em contrapartida, a CAPES e o CNPq começaram a cobrar de nós pesquisadores, bem como as nossas instituições e universidades, que os materiais produzidos por nós tenham o que eles chamam de Relevância Social de quem também falamos um pouco no vídeo anterior. Assim sendo, a gente precisa trabalhar dentro de uma lacuna deixada por outros estudos.

Então para que você possa trabalhar e desenvolver uma pesquisa hoje, é preciso que esse estudo gere algum tipo de contribuição para a sociedade. Antigamente não havia essa exigência da relevância, é algo relativamente novo e por isso ainda pode não ter chegado a todas as universidades e instituições brasileiras.

Antes existia certa flexibilidade em relação aos objetos possíveis de serem investigados, uma vez que não havia essa necessidade de a pesquisa ter que contribuir para com algum problema da sociedade. Hoje já não é mais assim, pois a sua investigação deve, necessariamente, estar acompanhada de algum problema de relevância social, ou seja, ele precisa atender a uma ou mais demandas dessa sociedade, por meio de propostas e estratégias para se resolver determinado conflito social, histórico, político, econômico, etc.

Ainda sobre esse estudo a ser desempenhado por você, gostaria de dizer que é preciso manter em mente que o seu trabalho deve, sempre, articular-se dentro das lacunas deixadas por outras pesquisas, dessa forma, a sua justificativa não pode ser apenas: “Ah, não existe material sobre esse assunto, por isso resolvi escolher este tema”. Nesse sentido, gostaria de apresentar uma experiência pessoal. Bom, como eu frequento bastante esse meio, eu costumo ler algumas dissertações em bancos de dados da USP (são muitos os trabalhos), principalmente os antigos, e tenho percebido que há uma diferença estrutural bastante grande em relação aos trabalhos mais recentes, isso nos mais diversos contextos.

Tenho notado que a normatização, ou seja, as regras da ABNT de formatação, edição e referenciação já não são mais as mesmas, uso de conjunções (tanto as coordenadas quanto as subordinadas), assim como a linguagem científica, a organização do texto são bastante diferentes atualmente.

Então a partir dessas considerações é importante que você saiba que esse processo de mudança demora um pouco para ser aderido pelas instituições, bem como por seus docentes, uma vez que eles estão, ainda, acostumados com tendências de pesquisa antigas.

A estrutura do texto

O segundo aspecto que você deve manter em mente é que essa organização da estrutura do texto, bem como o uso de algumas estratégias de pesquisa, pode variar bastante de acordo com a área em que você está inserido.

Posso dar um exemplo. Você pode notar que o pessoal de determinado setor da área da educação organiza o texto de uma forma diferente de profissionais tanto da mesma área quanto de outras que nem chegam perto de se relacionar com a educação. O mesmo pode acontecer, por exemplo, na área da administração.

Por exemplo, o pessoal de determinado núcleo reproduz um tipo de linguagem e um tipo de organização e normatização textual diferente.

Embora a gente tenha uma organização que propõe normas para serem seguidas em qualquer tipo de produção de trabalho acadêmico (monografia, artigo, ensaio, resumo, resenha, fichamento, relatório, dissertação, tese, dentre outros), conhecida pela sigla ABNT, ainda existem instituições universidades que acabam inserindo o seu próprio estilo dentro dessa regra de normas acadêmicas, por isso que determinados professores podem pedir para que vocês sigam tendências (não apenas as estruturais) que podem não mais ser seguidas por outras.

Nesse sentido, é importante dizer que todos os tópicos que trazemos para vocês, são estudados e montados a partir da visão da maioria, ou seja, apresentamos um panorama geral sobre o que acontece nessas instituições e universidades, mas é claro que todas elas tem as suas próprias peculiaridades, embora hajam regras acadêmicas. Gostamos de trazer, sempre, o que tem sido mais usado pela academia para que vocês entendam como, atualmente, a pesquisa tem sido produzida, divulgada e recebida.

Por outro lado, a gente tenta, também, trazer um pouco desses estilos individuais para que você possa compreender os mais diversos contextos de produção, divulgação e recepção da pesquisa. Por isso sempre trazemos exemplos das mais diversas áreas, para que você não seja surpreendido pelo seu professor caso ele não siga uma tendência mais moderna de pesquisa.

O termo estado da arte

Essa palavra Estado da Arte, por exemplo, é um termo que pode não ser conhecido pelo seu professor, assim como as suas funções, uma vez que é uma ferramenta bastante moderna e que, portanto, pode não ter sido aderida por todos na academia, ainda, porém, ela é um mecanismo bastante importante, por isso criamos essa série com objetivo de explicar como você pode utilizar e aplicar essa tendência em sua pesquisa a partir de um tema norteador/instigador.

Esses conflitos acontecem porque essa ferramenta pode ser, ainda hoje, um entrave para alguns professores, pois eles podem não conhecer o que é o Estado de Arte.

É obrigatório fazer o Estado da Arte?

Essa ferramenta não é uma norma da CAPES, são apenas solicitações que surgem a partir de reuniões internas e que são sugeridas para as universidades e instituições, porém elas podem ou não aderir ao Estado de Arte, uma vez que não é uma regra, mas sim uma sugestão para otimização do trabalho do pesquisador contemporâneo.

Mesmo que ainda não seja um mecanismo obrigatório, a CAPES prevê que esse pesquisador tenha que, sempre, comprovar a relevância, ou seja, a contribuição social do seu trabalho, para isso a ferramenta pode ser um bom achado para a realização do estudo.

É uma forma de você dizer a CAPES que você tem uma lacuna para trabalhar, bem como é uma forma de se frisar que você tem um vasto conhecimento acerca da produção científica sobre o seu tema que não se restringe apenas aos estudos brasileiros, para isso, a realização de um artigo integrativo, sistemático ou as duas coisas juntas, pode ser um bom material para consulta posterior por parte de outros possíveis interessados.

Entender essas questões que estou colocando é fundamental porque você consegue ter um bom jogo de cintura, nesse sentido, você, sempre, saberá quando ou não utilizar esse Estado da arte para fundamentar a sua produção científica tanto em território nacional quanto internacional.

Então mesmo que você encontre certas restrições no mundo acadêmico, mantenha em mente que essa ferramenta pode te ajudar em uma série de etapas fundamentais para a produção e execução da sua pesquisa.

A importância de fazer o Estado da Arte

Por exemplo, pode servir como uma revisão da literatura, pode servir como um mecanismo para produzir artigos acerca de como está o atual cenário de determinado assunto, ele também pode servir como uma revisão de literatura voltada à comparação entre revistas ou entre núcleos de pesquisa para se avaliar e refletir acerca do que ambos tem ou não em comum em relação à determinado assunto.

Você vai perceber que este Estado da Arte pode servir, também, para te auxiliar no processo de delimitação da justificativa do seu trabalho, seja ele um artigo, uma monografia, uma dissertação ou uma tese.

Essa ferramenta é muito interessante porque irá ter permitir trabalhar com este tema a partir de óticas diferentes, pois é um mecanismo de pesquisa que é carregado das mais diversas visões culturais sobre um mesmo tema, nesse sentido, pode ter certeza que o Estado da Arte irá contribuir e muito para a com a sua atual pesquisa, tá certo?

Mantenha em mente que ele irá te permitir fazer muitas coisas dentro de uma mesma área, devido a essa pluralidade de ideias, cabe a nós, pesquisadores, fazer com que essa ferramenta seja bem aproveitada para que ela vença preconceitos dentro da academia, principalmente por parte de professores e orientadores mais tradicionais que não o conhecem ou não sabem como o utilizar.

A nossa próxima aula será um pouco mais prática, pois eu quero ensinar a vocês como é que eu faço um artigo de revisão a partir dessa ferramenta tão importante para o mundo acadêmico moderno.

Eu vou parar a nossa conversa por aqui para que possamos aprofundar o próximo tópico em um outro vídeo, porque a gente tem um tempo ideal para cada conversa, então não cabe todo o conteúdo neste primeiro, caso a gente continue ele ficará muito longo e cansativo.

Como publicar Artigo Científico

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