Olá, tudo bem? Em nossa conversa de hoje iremos dar continuidade a nossa série de textos sobre o processo de pesquisa sistematizada e sobre o estado da arte, uma poderosa ferramenta que fomenta este tipo de busca com a qual você pode contar para desenvolver o seu trabalho científico, seja na graduação ou na pós-graduação. Neste momento de nossa série, estamos levando em consideração que o seu tema de pesquisa ainda está em processo de delimitação. O exemplo que estamos levando em consideração é o tema da ansiedade. A primeira coisa que você irá fazer para delimitar um tema ou para conhecer o seu tema é o estado da arte. Iniciamos a nossa discussão ensinando você a pesquisar na Google tradicional, que também é uma base de dados. No caso de nosso exemplo, usamos a palavra-chave ansiedade (em português e inglês) e colocamos . PDF, para obtermos materiais neste formato específico.
O primeiro passo que você precisará executar para que esteja fazendo, de fato, uma busca sistematizada, é a escolha de palavras-chaves, que são conhecidas como descritores. Digitamos o descritor “ansiedade” em português e inglês e obtemos uma quantidade diferente de materiais para cada um deles. Em língua portuguesa, foram encontrados quinze milhões de resultados com este termo. Já em inglês, obtivemos duzentos e noventa e cinco milhões de resultados com o termo “anxiety”. Entendida essa lógica, podemos partir para a outra base de dados da Google, que é a Google Acadêmico. Elas não são a mesma coisa. Leve sempre em consideração que nem sempre um material que se encontra em uma base de dados será encontrado em outra. Em muitas das vezes, as bases de dados possuem materiais específicos. O próximo passo é anotar toda a busca feita na Google Acadêmico em seu arquivo.
Não é preciso inserir a extensão PDF ao término da palavra-chave pois a Google Acadêmico possui uma linguagem diferenciada. É a própria inteligência artificial dessa base de dados específica que seleciona os materiais que entende como científico e indexa na base de dados. Diante disso, você irá se deparar com muitos materiais disponíveis tanto em HTML quanto em PDF. É o formato que a maior parte das bases de dados entendem que pertence aos materiais científicos. Além disso, você pode procurar, também, por materiais em inglês. Anote em seu arquivo o nome da base de dados (Google Acadêmico), o dia, mês e o ano (seis de janeiro de dois mil e vinte e um) com o termo “anxiety”. Mencione cada um dos descritores em inglês e a quantidade exata de materiais obtida ao digitar cada um deles. Obtemos cerca de três milhões novecentos e quarenta mil materiais em inglês com o termo “anxiety”.
Uma dúvida bastante recorrente e pertinente diz respeito ao porquê de obtermos uma quantidade maior de materiais ao digitarmos os descritores em inglês. Isso ocorre em razão do fato de que os pesquisadores do mundo como um todo costumam publicar em inglês, uma vez que esta escolha faz com que o material chegue a uma maior quantidade de acadêmicos em todo o globo, uma vez que o inglês é a língua que mais pessoas dominam, logo, há essa prevalência de materiais em inglês ao digitarmos a maior parte das palavras-chave. No ano de dois mil e dezenove, estimava-se que a cada trinta segundos uma nova publicação era feita em todo o mundo. Já no ano de dois mil e vinte, o tempo de publicação diminuiu pela metade, e, assim, estima-se que um artigo científico é publicado a cada quinze segundos. Publica-se a cada minuto cerca de quatro artigos em todo o globo. Eles circulam nas bases de dados.
Como a CAPES é um órgão muito importante quando discutimos sobre a pós-graduação brasileira, iremos discutir sobre o seu catálogo. Ao acessar este catálogo, irá encontrar uma quantidade específica de materiais que deve ser mencionada em seu arquivo sobre os processos de busca. Como o Google é um site conhecido, não é preciso mencionar o site, porém, como agora estamos nos referindo ao Banco de Dissertações e Teses da CAPES, é interessante apresentar o link desse site. Como esse Banco de Dados é em português, você não conseguirá encontrar materiais em outros idiomas. Não é preciso se preocupar com os descritores em inglês. O link é muito importante porque esses sites podem alterar o link a qualquer momento. Dessa forma, você pode ser questionado. Garanta que esse link está atualizado e as datas em que foi acessado, pois assim é possível visualizar essa alteração (quando foi feita).
Além do banco de dissertações e teses da CAPES, há, também, os bancos de dados mais específicos. Eles são os repositórios das próprias instituições de ensino superior públicas e privadas que ofertam cursos de mestrado e doutorado na modalidade stricto sensu (acadêmica e profissional). O primeiro exemplo que iremos mencionar é o repositório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). O processo de busca irá transcorrer da mesma forma, embora estejamos falando de outra base de dados. Assim como o banco de dados da CAPES, este também é governamental, logo, os materiais que ali se encontram são seguros e de qualidade. Basta escolher os que melhor irão contribuir para com o desenvolvimento do seu estudo. Não confunda essa base de dados com a da CAPES. Ambas são governamentais, mas os materiais que comportam são distintos. Pode ser que os mesmos materiais sejam encontrados.
Pode ser que alguns materiais sejam indexados em mais de uma base de dados de dissertações e teses, mas não é uma regra. No caso do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), cerca de 123 instituições encontram-se cadastradas, assim como as suas dissertações e teses. Lá encontram-se disponíveis quatrocentos e setenta e sete mil oitocentos e vinte dissertações, cento e setenta e seis mil setecentos e trinta e duas teses e seiscentos e cinquenta e quatro mil quinhentos e cinquenta e um documentos de outro tipo. Voltemos a trabalhar com o nosso tema. Ao digitarmos o descritor ansiedade, foram retornados quatro mil cento e quarenta materiais divididos entre dissertações e teses nacionais, logo, em língua portuguesa. O interessante nessa plataforma é que os materiais são separados por instituições, como é o caso da USP, UFRGS, UNICAMP, UFSC, UNESP, UFMG etc.
Após isso, você irá começar a realizar a seleção propriamente dita desses materiais, levando-se em consideração critérios de inclusão e exclusão a serem definidos por você. Apenas para recapitular: até agora entendemos como funciona a base de dados da Google tradicional, a Google Acadêmico, o banco de Dissertações e Teses da CAPES e a outra base de dados, também de dissertações e teses, que reúne materiais nacionais, logo, desenvolvidos e escritos em língua portuguesa. No caso das duas primeiras bases, pesquisamos por esses materiais também em inglês. Quando se trata de uma base de dados nacional, pode ser que encontrar materiais em outros idiomas seja um problema, visto que elas veiculam os trabalhos desenvolvidos em solo brasileiro que, em sua maioria, são escritos em português. Há professores que pedem que todo o estado da arte baseie-se apenas em dissertações e teses.
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